Cezar da Luz
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Cezar da Luz é gaúcho de São Gabriel, aquerenciado há 40 anos em Chapecó. Na imprensa é colunista do Diário do Iguaçu/Folha de Chapecó e há 16 anos apresenta o programa Chama Nativa na Rádio Super Condá Am 610. Também é pesquisador e palestrante da história e cultura gaúcha.

Abaixo de mau tempo

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A música gaúcha, entre outras coisas, expressa o sentimento, a história e os fatos do cotidiano do seu povo. Até mesmo temas como as enchentes. Sobre elas, neste mês de janeiro, viajando pelo Uruguai, Argentina e fronteira gaúcha, pude ver o drama que este povo está passando. Perdas de vidas humanas, residências e lavouras alagadas. A pecuária também é afetada. Nas redes sociais são exibidos vários vídeos de animais sendo arrastados pela força da água.

Estive visitando São Gabriel, onde o Sindicato Rural já calcula um prejuízo de R$ 185 milhões no município e, pode ser ainda maior. Na mesma cidade, artistas da música gaúcha – entre eles Rogério Melo, Ênio Medeiros, Marcelo Lagarto e André Teixeira – manifestaram solidariedade. Sexta-feira (18), fizeram show para ajudar as famílias afetadas pela enchente. Os ingressos foram trocados por donativos.

Também em Alegrete, Rosário do Sul, Uruguaiana e outros municípios da região a coisa está feia. O governador gaúcho Eduardo Leite sobrevoou e visitou as áreas sob enchente e medidas estão sendo tomadas.

Voltando à questão do tema musical, algumas obras evidenciam uma verdade: o que é bom para uns não é bom para outros. Em “Balseiros do Rio Uruguai”, de Barbosa Lessa, o genial Noel Guarany interpreta a alegria dos balseiros. No entanto, a enchente trazia e traz tristeza para outros: “Oba, viva veio a enchente/o Uruguai transbordou/vai dar serviço pra gente/Vou soltar minha balsa no rio/vou rever maravilhas/que ninguém descobriu”.

Em “Milonga Abaixo de Mau Tempo”, o compositor Mauro Moraes, através da interpretação do saudoso cantor José Claudio Machado, exterioriza a dura lida: “Coisa esquisita a gadaria toda/Penando a dor do mango com o focinho n’água/O campo alagado nos obriga à reza/No ofício de quem leva pra enlutar as mágoas/Olhar triste do gado atravessando o rio/A baba dos cansados afogando a volta”.

Previsão

Em Santa Catarina também aconteceram prejuízos e estradas foram interditadas. Esperamos que o mau tempo passe e estamos de olho no horizonte, conscientes que a gente buena da fronteira que observa a natureza sabe quando o tempito se enfeia. O Adair de Freitas também e transformou em música esta ciência campeira – o clássico “Previsão”: “O tempo se armou de fato/Lá pra o lado do Uruguai/Vai chover barbaridade/E sem poncho ninguém sai”.

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