Trânsito é responsável por 32% das mortes violentas em SC

Dados do IGP mostram que de de 4.216 laudos por mortes feitos em 2016 em SC, 1.377 foram de vítimas de acidentes de trânsito. Número é o dobro se comparado com mortes por disparos de arma de fogo

Bia Piva

bia@diariodoiguacu.com.br

 

Chapecó – Pelo menos três pessoas perderam a vida em acidentes de trânsito registrados na região Oeste nesta semana. Na terça-feira (14), pai e filho morreram em uma batida de frente em Xaxim. Na quarta-feira (15), um homem morreu após acidente entre o carro conduzido por ele e uma carreta, em Xanxerê. Com o impacto da primeira batida, a vítima foi jogada para fora do veículo e acabou atropelada por outra carreta. Além de trágica, a situação preocupa pela quantidade de acidentes fatais registrados nas estradas todos os anos.

Dados do Instituto Geral de Perícias de Santa Catarina mostram que o trânsito foi responsável pelo maior número de mortes violentas em 2016 no Estado. O levantamento foi feito com base nos laudos cadavéricos, por causa médica de morte, emitidos pelo órgão no ano passado. Foram 1.377 mortes registradas em decorrência de acidentes de trânsito, que representa 32% dos laudos emitidos pelo IGP no Estado. Durante 2016, foram 4.216 laudos de mortes violentas emitidos pelo IGP.

O número de mortes no trânsito é o dobro maior que os laudos emitidos de mortes provocadas por armas de fogo, que representam 14%, e também é superior ao número de mortes por armas brancas, que é responsável por 5,5% das mortes registradas no ano passado no Estado.

O diretor do IGP da mesorregião Oeste, Leandro Paniaggo Moreira destaca que os dados são preocupantes. “É um dado muito alto, supera inclusive as mortes provocadas por homicídios no Estado”.

 

Lesões Corporais

Além dos laudos cadavéricos emitidos pelo IGP, no órgão também são feitos laudos de lesões corporais de pessoas vítimas de algum tipo de violência, seja agressão, ferimentos decorrentes de acidentes de trânsito, trabalho, entre outros.

Nessa modalidade, em 2016 o IGP emitiu 50.744 laudos de lesão corporal e, também nesse quesito, o trânsito se destaca. Foram 6.597 laudos de vítimas de acidentes de trânsito. “O número de acidentes com mortes e com lesões corporais impressiona. E os números são semelhantes em todo o Estado. Acidentes provocados pelas condições das estradas, imprudência, excesso de velocidade e outros”, diz.

 

'Fé em Deus e pé na tábua’

Se nas rodovias a violência dos acidentes chama a atenção, dentro da cidade esse número também é preocupante. Para o comandante do 2º Batalhão de Polícia Militar de Chapecó, o tenente coronel Ricardo Alves da Silva - que é especialista em Gestão de segurança no trânsito e em segurança pública -,  uma série de fatores contribuem para a ocorrência de acidentes: a imprudência dos motoristas, aliada a uma legislação que traz uma sensação de impunidade por ter uma punição que demora a ser aplicada, seguros que dão uma falsa sensação de proteção aos condutores, aliado ao considerável aumento da frota nos últimos anos. “Parece que sempre tem um estímulo para você continuar (a ter atitudes imprudentes). É fé em Deus e pé na tábua”.

Ele também sugere uma mudança na nomenclatura dos acidentes. “Deveríamos mudar ele para ‘evento culposo no trânsito’, porque você só causou esse acidente porque excedeu o limite de velocidade, ou não fez a conversão no local certo, não estava usando capacete, estava ao celular. Então não foi um acidente. Você, de alguma forma, contribuiu para que isso acontecesse”, diz. No ano passado, a PM registrou 3.347 acidentes com danos materiais, 1.208 com vítimas e foram confeccionados 723 termos circunstanciados por lesões corporais culposas.

O comandante aponta um dos motivos que podem refletir para o maior número de mortes no trânsito, em comparação a outros tipos de violência. “O ser humano não foi feito para velocidade, não atinge velocidades expressivas. A partir do momento que é investido a ele para ser mais veloz, ele se torna mais violento. Aliado a isso, existem muito mais carros circulando e muito mais relações entre carros do que relações entre pessoas. Os carros isolam as pessoa de uma convivência social, pois oferecem muitos recursos como internet, rádio... Conexão com o mundo, sem necessidade de se relacionar com outros. Por isso, sem precisar se relacionar, o motorista se sente mais importante e que tem prioridade. As outras violências que temos, elas afloram de outra forma: um furto, um roubo, um latrocínio, uma promessa de morte em função de uma briga de família. Por isso esse tipo de ocorrência tem possibilidade menor do que um acidente com vítima”, diz.  

 

Consequências

“O trânsito é um lugar extremamente democrático. Todos fazem parte desse universo. E muitas pessoas ainda não colocaram na cabeça as consequências desses acidentes. São pessoas que ficam afastadas de seu convívio social, do trabalho, em leitos de hospitais por 15, 30 dias ou mais. Outro fato é que essas vítimas de acidente, acabam ocupando espaço nos leitos hospitalares, que poderiam dar atendimento a outros pacientes. É uma conta que muita gente não faz”, destaca.

Da parte da Polícia Militar, o comandante afirma que serão intensificadas as operações de trânsito, para conscientizar os motoristas, e diminuir o número de infrações e irregularidades de trânsito. “Temos visto muitos condutores consumindo álcool e assumindo a direção de veículos. Outra coisa que chama atenção é que cerca de 30% da frota total de Chapecó está com o licenciamento vencido do ano de 2016. Essas pessoas tendem a ser desleixadas com todas as demais condutas relacionadas ao trânsito”. A ação também serve para coibir a criminalidade, apreendendo armas, drogas e abordando suspeitos de crimes.

 

 

 

 

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