A vida do artista Paulo Siqueira na telona

“Dom Quixote das Artes”, da Margot Produções, será exibido na próxima segunda-feira, em Chapecó

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Era ao som de óperas e música clássica que o artista plástico Paulo de Siqueira dava vida às suas criações. Autodidata, realizou a primeira exposição aos 16 anos, em Passo Fundo (RS), onde passou a adolescência. Nada comum, sua obra transita entre a modéstia e a grandiosidade.

Atraídos pela singularidade do artista gaúcho de Soledade, que morou em Chapecó desde 1972, os jornalistas Cassemiro Vitorino e Ilka Goldschmidt lançam na próxima segunda-feira (21) o documentário biográfico “Dom Quixote das Artes” (Margot Produções, 2017), sobre a vida e obra do artista plástico.

Paulo ficou reconhecido em Chapecó pelo monumento “O Desbravador”, cartão-postal da cidade, embora, tenha deixado mais de 50 esculturas gigantes no Sul do Brasil e Argentina, entre as décadas de 1970 e 1990.

Tinha como matéria-prima materiais industrializados, placas de metal e sucata, que ocupam espaços públicos de muitas cidades, como Florianópolis, Joinville, Passo Fundo, São Miguel do Oeste e Porto Alegre, onde está um de seus maiores trabalhos, pesando 14 toneladas.

“A vida de Paulo era produzir arte, não importava o momento, o local, quando ele tinha algo para colocar para fora, ele extravasava”, conta um os personagens entrevistados.

“Nosso maior desafio foi mostrar o Paulo de Siqueira, além do monumento ao Desbravador. E o documentário foi produzido com a intenção de tornar esse artista conhecido pelo seu trabalho revolucionário à época, justamente por utilizar materiais desprezados, por serem efêmeros”, comenta Cassemiro.

“Ordem desordenada”

De Passo Fundo a Corrientes, na Argentina, Paulete, como era carinhosamente chamado, foi um artista intenso e sonhador. “Ele acreditava, acima de tudo, no poder transformador da arte e soube lutar para que sua obra pudesse estar acessível às pessoas, acalentando o sonho de liberdade que tanto prezava”, explica Ilka.

Segundo os diretores, Paulo costumava dizer que o trabalho artístico mais espontâneo é a escultura, por ser “um desenho no espaço”. Sensível e criativo, seu olhar buscava no menos convencional o elemento de sua criação: no “ferro velho”.

A genialidade de Paulo chamou atenção de outros artistas, e ele passou a ser considerado um ícone das artes visuais, em razão de utilizar o sucata - um tanto quanto “polêmico” para o período.

Quanto ao título do filme, os diretores revelam que o fascínio de Paulo pela obra de Miguel de Cervantes (que a definia como ordem desordenada) e pelos cavaleiros medievais tornou-se uma homenagem.

“Mudar o mundo, meu amigo Sancho, não é loucura, nem utopia, é justiça”, dizia Dom Quixote de La Mancha, princípio que ambos compartilhavam, artista e personagem. Sobretudo, Paulo sonhava e assim como Dom Quixote, amava sua vida, fazendo de suas obras o impulso para viver.

O longa-metragem levou três anos para ser concluído, entre pesquisa, produção e finalização, tamanho o volume de informações que surgiram durante o processo.

Já a trilha sonora original, composta pelo músico Márcio Pazin, refina a narrativa, imprimindo a essência controversa da criação e do criador. Ao todo, foram entrevistadas 25 pessoas, entre amigos, familiares e conhecidos de Paulo.

A pré-estreia de “Dom Quixote das Artes”, com entrada franca, será no dia 21, às 19h, no Cinema Arcoplex, no Shopping Pátio Chapecó. Parte da programação do Centenário de Chapecó, o filme foi produzido através do Edital Municipal de Fomento e Circulação das Linguagens Artísticas do Município de Chapecó e da Lei Rouanet, e tem como patrocinadores: Cooperativa de Infraestrutura e Desenvolvimento Vale do Araçá (Ceraçá), Supermercados Celeiro, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Nilo Tozzo Distribuidora, Grupo Buggio, Unimed Chapecó e Tucano Obras e Serviços.

Sobre Margot Produções
A Margot Produções é uma produtora de cinema independente que, desde 2006, trabalha na produção de conteúdo audiovisual, dedicando-se ao cinema de não-ficção. Entre as produções estão: “Celibato no Campo” (2010), projeto premiado no edital da Cinemateca Catarinense em 2008; “Kiki – o ritual da resistência Kaingang” (2014), que aborda o principal ritual da etnia Kaningang; “O Goio-En Transbordou” (2014), sobre histórias de vida de antigos moradores do Porto do Goio-Em; e “Atingidos Somos Nós” (2016), uma co-produção. Atualmente trabalha na produção do filme “O Salame Vai à Feira” e “Os círculos de Ipuaçu”.


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