Após 9 anos de serviço com os Bombeiros, labradora Malu vai se aposentar

Labradora de nove anos, que atua no Corpo de Bombeiros de Xanxerê, é o cão de busca e resgate com mais certificações do estado. Salvamento de idoso desaparecido em Cunha Porã foi a última missão dela

Bia Piva

bia@diariodoiguacu.com.br

Xanxerê

 

Aos nove anos e toda uma vida de dedicação ao Corpo de Bombeiros de Santa Catarina, a labradora Malu vai se aposentar.


A companheira do comandante do 14º Batalhão de Bombeiro Militar de Xanxerê, o tenente coronel Walter Parizotto, fez sua última missão na última quinta-feira (7), ao ajudar a encontrar um idoso de 91 anos em Cunha Porã.


Como os outros cães do Corpo de Bombeiros estavam em missão em Brumadinho (MG), a labradora foi destacada para as buscas ao idoso e foi graças a ela que ele foi localizado, caído em um lamaçal em meio a uma área de mata.


“Mas a gente já percebe o cansaço e o desgaste dela, também pela gravidez (está na segunda gestação). E em respeito a toda história que ela tem, com os bombeiros, chegou a hora de parar. Agora vai só aproveitar a vida de pet”, fala o comandante.


Parizotto reforça que esse é um dos diferenciais do trabalho feito no Estado, com os cães morando e convivendo com os condutores. “Você aprende a reconhecer o dia que o cão não está legal, é possível ver no olhar, no comportamento”, reforça.


Malu é a cadela com maior número de certificações em Santa Catarina, mais de 10 nacionais e internacionais. Em seu currículo acumula participações em inúmeras ocorrências junto aos Bombeiros.


Para o condutor e tutor de Malu, no entanto, esta última ocorrência foi a mais marcante. “Ela se superou. Dificilmente vamos com um único cão para esse tipo de ocorrência, mas como os outros estão em Brumadinho ela foi. Se entregou nas buscas, precisou parar para descansar, mas foi decisiva para chegar ao idoso”, diz.


O comandante do 14ºBBM acredita que a solenidade para marcar a aposentadoria de Malu deve ser realizada só no fim do ano, mas as atividades dela já encerraram. “Nós temos um ritual para esses momentos em que os aposentamos formalmente e eles ganham uma medalha”, conta.


Com a aposentadoria, Malu seguirá sob os cuidados de Parizotto e da família do bombeiro, mas a partir de agora ela poderá desfrutar de regalias e mimos que antes não era possível oferecer.


“Eu acho que ela passa a ser mais feliz de agora em diante, sem a rotina pesada de ter que nadar, correr, treinamentos. Agora será uma vida tranquila de cachorro, ficar em casa, comer porcarias, ficar deitada no sofá”, brinca.

 

Cinoterapia

 

Malu também atua em outra missão especial que é na Cinoterapia, fazendo visitas periódicas aos pacientes internados no Hospital Regional São Paulo, outro projeto pioneiro desenvolvido em Xanxerê.


Com relação a essa atividade, Parizotto acredita que Malu continuará exercendo, principalmente após dar à luz a nova ninhada de filhotes. “A atividade no hospital é muito carinhosa. Ela vai lá para ganhar dengo”, diz.

 

Filhos de Malu atuam nas buscas em Brumadinho

 

Além de toda a trajetória louvável, Malu também é mãe de outros cães que são treinados para busca e resgate em hoje atuam em vários estados brasileiros.


Da primeira ninhada da labradora com o cão Ice – de Itajaí e que atuou muitos anos como guarda-vidas no litoral catarinense – nasceram oito filhotes e três deles estão atuando na tragédia em Brumadinho: a Santa, que trabalha com a equipe de Minas Gerais, a Sarah dos Bombeiros de São Paulo e a labradora Lua dos bombeiros do Rio de Janeiro.


Já a labradora Sol, que está em fase de treinamentos com os Bombeiros de Chapecó, é neta de Malu e Ice e, segundo Parizotto, é uma das apostas para o futuro das atividades de cinotecnia na região.


>> Treinando para salvar vidas: conheça a labradora Sol <<

 

Pioneirismo na atividade com cães

 

A atividade com cães começou a ser desenvolvida em 2004 e o tenente coronel Walter Parizotto foi o responsável por plantar a semente da atividade em que a cidade de Xanxerê e o estado Santa Catarina são referências.


“Começamos despretensiosos e muitas pessoas acreditaram na gente. Eu sempre acreditei. Em 2004 foram investidos os primeiros recursos para o treinamento, com comandantes que apostaram no projeto e permitiu alcançarmos o que somos hoje, estamos na quarta geração de cinotécnicos”, conta o bombeiro.


E o treinamento é levado muito a sério, tanto dos cães – que começa logo nas primeiras semanas de vida – quanto dos profissionais que atuarão com eles. “Todos os cinotécnicos em algum momento de suas carreiras estiveram em Xanxerê, que pode ser considerada a Meca dos cães de resgate”, salienta o comandante.

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