Ata sobre premiação a dirigentes na Chape viraliza na internet. Clube se explica

Confira entrevista exclusiva com o vice Jurídico do Verdão

Uma ata da Associação Chapecoense de Futebol viralizou na internet. O assunto trata da aprovação do pagamento de prêmios aos cargos de presidente do Conselho de Administração – ocupado por Plínio David De Nes Filho, o Maninho – e vice-presidente de Administração e Finanças – função exercida por Ivan Tozzo. O documento, assinado por vários integrantes da diretoria, foi divulgado na noite de quarta-feira (8) pelo Blog Canal do Poder e se espalhou rapidamente nas redes sociais. A questão foi repercutida na edição impressa do Diário do Iguaçu nesta quarta.

A ata registra uma reunião realizada na tarde do dia 21 de fevereiro deste ano na sede administrativa da Chapecoense. Segundo o documento, “por sugestão do Conselho de Administração, colocou-se para a apreciação dos membros do Conselho Gestor uma premiação para os cargos de presidente do Conselho de Administração e vice-presidente de Administração e Finanças. Colocada em votação, após análise de parecer jurídico, administrativo e financeiro sobre a possibilidade de premiação nos casos acima sugeridos, foi aprovada a solicitação”.

Os valores também foram mencionados na ata. Conforme o documento, a premiação para cada um dos cargos é de R$ 300 mil em caso de classificação à final do Campeonato Catarinense – o que ocorreu; o Verdão ficou em segundo lugar – e mais R$ 300 mil para cada um se o clube permanecer na Série A do futebol brasileiro, que termina em dezembro, totalizando R$ 600 mil para cada um. O prazo estabelecido para pagamento das premiações é de 15 dias após cada uma das competições.

Salário em pauta

Também entrou em pauta a sugestão de análise para possível remuneração aos cargos de presidente do Conselho de Administração e vice de Administração e Finanças. Maninho De Nes solicitou que fossem feitas avaliações para viabilizar o pagamento de salários mensais. De acordo com a ata, o pedido de estudo da situação – aceito pelo Conselho Gestor – baseou-se na carga horária, dedicação, responsabilidades diretas, inclusive com garantias de patrimônio pessoal dos referidos cargos.

O que diz o Estatuto

O parágrafo único do artigo 22 do Estatuto da Chapecoense determina que “o exercício de cargo constitutivo de qualquer poder da ACF é obrigatoriamente gratuito”. 


CLUBE SE EXPLICA

A Chapecoense explicou à imprensa, nesta quinta (9), o conteúdo da ata. Em entrevista exclusiva ao Diário do Iguaçu, o vice-presidente Jurídico do Verdão, Cesair Bartolamei, afirmou que os dirigentes não receberam valor algum. Ele também negou que o cartão corporativo do presidente Maninho tem limite e falou das passagens aéreas. Confira o que ele disse:

Premiação aprovada

"A premiação foi aprovada pelos conselhos Gestor, no projeto de orçamento para 2018 (em fevereiro), e Fiscal, foi levada para a primeira assembleia do Conselho Deliberativo e aprovada por unanimidade, constando o valor de R$ 600 mil, mas não especificamente para presidente e vice. Depois que foi aprovado pelo Conselho Deliberativo o orçamento em que consta essa premiação, foi feita outra reunião que eu não participei, porque assumi a vice-presidência jurídica em março, e foi instituído o prêmio aos cargos de presidente e vice-presidente para as conquistas que deveriam ser feitas pela Chapecoense. Se chegasse à final do Campeonato Catarinense, receberiam uma parte desse valor. O presidente e o vice resolveram não receber por não ter sido alcançado o que desejavam, o tricampeonato".

Sem pagamento

"Não saiu um centavo do cofre da Chapecoense para o pagamento de premiação alguma para os seus dois diretores (presidente e vice). Abriram mão, por enquanto. Por que por enquanto? Quando eu assumi (a vice-presidência jurídica) e assumiram o Mauro Finco (3º vice do Conselho Deliberativo) e Rudimar Bortolotto (secretário do Conselho Deliberativo), que foram os que vieram para os lugares daqueles que renunciaram aos seus cargos, a gente entendeu, em outra reunião do Conselho Gestor, que para essa instituição da premiação, muito embora aprovada pelo Conselho Gestor e o Conselho Deliberativo e constar no orçamento, deveria ser feita uma assembleia específica do Conselho Deliberativo. Essa assembleia não ocorreu ainda. Portanto, não vai haver pagamento".

Dedicação ao clube

"O artigo 39 do Estatuto da Chapecoense estabelece que o Conselho de Administração, em até 10% do orçamento, não precisa de autorização de quem quer que seja. O orçamento da Chapecoense é de R$ 80 milhões. Então, até R$ 8 milhões nós não precisaríamos da autorização de ninguém. Mas, para demonstrar a transparência e para que fique tudo claro, a gente entende que deve passar, especificamente, por uma assembleia para aprovação desses valores. E justifico por que: primeiro, o presidente e o vice estão vivendo a Chapecoense quase 24 horas, principalmente o Maninho. Ele teve que abandonar todos os seus negócios, como o Ivan Tozzo também tem abandonado grande parte dos dias da semana a empresa dele para vir à Chapecoense. Não se acha justo que alguém deixe todos os seus afazeres de onde vai se tirar o sustento da família para trabalhar de graça na Chapecoense e não ter nenhum tipo de premiação".

Cartões corporativos

"Em relação aos cartões corporativos, existem dois, com limite. Um é levado pelo Maninho. O outro, pelo Michel Gazola Costa, supervisor de futebol, que acompanha a equipe. Por exemplo, o Michel sai com a Chapecoense para jogar em Santos, tem jantar, tem isso, tem aquilo, passa o cartão, pega a nota, tudo direitinho, tem que fechar um com outro, traz aqui e entrega para o diretor Roberto Merlo, do financeiro, passa pela mão do Ivan Tozzo. Confere-se para ver se os valores estão corretos. Quanto ao Maninho, por que às vezes ele viaja com a Chapecoense e, ao invés de o Michel pagar, ele paga e pega as notas. É tudo fiscalizado, tudo auditado".

Passagens aéreas

"Não é verdade que o Maninho usou o cartão para comprar passagens aéreas de primeira classe. Ele viajou na classe executiva, que é abaixo da primeira classe. Quando do amistoso na Espanha, o Barcelona pagou a passagem e mandou para ele na classe executiva. O Roma também mandou na executiva. Não houve desembolso por parte da Chapecoense em passagens nesses amistosos internacionais. O Ivan Tozzo e o Gilson Vivian (presidente do Conselho Deliberativo) também foram juntos e tiveram as passagens pagas por esses clubes. Ninguém viajou por conta da Chapecoense ou usando qualquer tipo de cartão de crédito ou corporativo para pagar essas despesas".

Necessidade de assembleia

"Teria como pagar (premiação), porque está no orçamento. Se a assembleia do Conselho Deliberativo, composto por todos os conselhos, aprovar, não há problema nenhum. O que nós queremos é fazer algumas modificações no Estatuto, porque algumas coisas, pelo tamanho que a Chapecoense ficou, precisam ser moldadas. Estamos em cinco advogados, três dentro do clube e dois de fora. Nós vamos levar (a proposta de alteração) ao Conselho Gestor para convocar uma assembleia geral extraordinária, específica para tratar do Estatuto. Mas não vai ser só em relação a isso (premiação). Outros artigos merecem ser redigidos de forma que fiquem mais atualizados com a realidade da Chapecoense. O Conselho Deliberativo é o foro legal para discutirmos o estatuto".

Determinação do Estatuto

"Em função de tudo o que foi falado, a gente está esclarecendo e colocando a verdade no seu devido lugar. A ata existe. Não há nada para se esconder. Queremos fazer as coisas da forma mais cristalina possível para que o torcedor e o conselheiro tenham a plena ciência do que está acontecendo dentro do clube. Pelo artigo (22 do Estatuto), o exercício (dos cargos eletivos) deve ser gratuito, mas a gente entendeu que isso precisa ser modificado. Para modificar, para pagar nesse ano, precisa estar no orçamento, mas para pagar precisa da aprovação da assembleia. Temos que colocar a verdade no seu devido lugar. Não podem (os cargos eletivos) receber salário, porque entra no âmago do artigo 22".

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