Atacarejos: o que mudou na forma de comprar?

Mistura de atacado e varejo ganhou espaço em tempos de crise financeira e da busca por economia. Movimenta a concorrência com os supermercados que apostam na comodidade e serviços diferenciados para atender os clientes. No fim das contas, quem ganha é o consumidor

Bia Piva

bia@diariodoiguacu.com.br

Chapecó

 

Quando a crise chega ao bolso, o jeito é apertar o cinto e fazer economia, não é mesmo? E nada escapa. É desde a compra de algo que não seja de primeira necessidade até a marca da margarina favorita.


Nessas horas, quanto maior a opção de compra, maior a chance de economia. Foi nesse cenário econômico que os atacarejos caíram nas graças do consumidor.


A modalidade de serviço é uma junção do atacado com o varejo. Mas, diferentemente do comércio atacadista tradicional, destinado à distribuição e à venda de grandes quantidades de itens para revendedores, o modelo cash and carry – popular atacarejo – abriu as portas ao consumidor com a venda centenas de itens de primeira necessidade.


Nos últimos anos, as lojas do ramo alimentício têm crescido na procura dos consumidores, mas o atacarejo atende em várias frentes – seja itens de primeira necessidade, mas também papelaria, utilidades domésticas, entre outras.

 

O que é que o atacarejo tem?

 

O presidente do grupo Fort Atacadista, João Pereira, que inaugurou a 30ª loja da bandeira em Chapecó em julho, explica algumas das diferenças que permitem aos atacados oferecerem preços mais competitivos. “São lojas que trabalham com volume de venda grande, porque atendem no atacado e no varejo”, diz.


“Isso dá poder de compra maior que um varejo tradicional, mais um ponto que dá competitividade na hora da compra”, acrescenta. Ele conta ainda que a despesa de um atacarejo é, em média, metade dos custos de um varejo, fator que considera importante na hora da precificação.


“E nesse momento que o Brasil passa por instabilidade econômica as pessoas buscam economizar onde for possível”, afirma.

 

Encargos versus preços

 

Outro aspecto enfatizado pelo empresário é o uso de cartões de crédito com a bandeira dos atacados – que diminui os custos com de operação de crédito com outras bandeiras.


Até janeiro de 2019, a loja inaugurada em Chapecó aceitava cartões de crédito de todas as bandeiras, mas depois deste período as compras nesta modalidade só são permitidas com o cartão de crédito da bandeira Fort.


“Elas têm um custo altíssimo e isso precisa ser contabilizado na hora de fazer o preço. Então, se o empresário não toma cuidado, tem vários encargos que agregam no custo que acaba sendo repassado ao consumidor”, pontua.

 

A crise e a mudança no perfil das compras


O ex-presidente e integrante do Sindicato do Comércio da Região de Chapecó (Sicom), o empresário Ivalberto Tozzo, explica que a crise econômica promoveu uma mudança na forma em que os consumidores fazem suas compras.


Para tentar economizar algumas famílias optaram por deixar de fazer as compras semanais e voltaram a fazer o tradicional rancho – que são as grandes compras destinadas a abastecer a casa pelo mês inteiro.


“Em tempos de recessão o consumidor aperta o cinto do jeito que pode. Mas quando o cenário econômico melhora, outros fatores como comodidade, proximidade e o gosto pessoal pesam mais na hora da escolha”, lembra.

 

Vários cenários

 

Se para algumas famílias o rancho é o caminho, para outras a melhor solução é apostar nas compras menores para as necessidades da semana e assim economizar, conforme explica o gerente de suprimentos da Cooperalfa, Gentil Santin, que percebe essa mudança.


“Os ranchos diminuíram de tamanho e o consumidor vai mais vezes ao supermercado buscando necessidades imediatas sem se preocupar em estocar”, conta.


O gerente ressalta também que outros fatores pesam na escolha do consumidor na hora de procurar um ou outro estabelecimento. Tudo é calculado na ponta do lápis para buscar economizar.


“Ele faz contas também de quanto gasta para ir até esses locais, levando em conta o preço dos combustíveis, além de ter que pagar suas compras somente à vista (dinheiro ou cartão de débito) e pagar por qualquer serviço adicional.


Ouvindo alguns consumidores, uma boa parte achou que não tem tanta diferença assim, pois acaba comprando volumes a mais do que precisaria e ficando sem dinheiro para outras necessidades”, pontua.

 

Comodidade e tecnologia são apostas dos supermercados

 

O vice-presidente da região Oeste da Associação Catarinense de Supermercados, Marcos Luiz Ansolim, destaca que é apostando no atendimento personalizado, praticidade e tecnologia que os supermercados buscam o diferencial para atender seus clientes.


Ansolim explica que o modelo de atacarejo surgiu nos Estados Unidos com foco no atendimento a pequenos comércios como bares, restaurantes, hotéis e lanchonetes, também fazendo o atendimento ao consumidor.


Os supermercados têm o foco no atendimento ao consumidor final. “Oferecendo prestação de serviço com um mix completo de produtos, com embalagens e porções para atender os novos tamanhos de família, proporcionando praticidade e conforto e personalização no atendimento ao consumidor”, destaca.


É na comodidade e atendimento diferenciado que os supermercadistas apostam. Serviços de entrega das compras, promoções, terminais de autoatendimento e até compras por meio de sites, sem precisar sair de casa, estão entre as estratégias para oferecer mais diferenciais ao consumidor.


O gerente de suprimentos da Cooperalfa reforça ainda a pessoalidade no atendimento. “Muitos consumidores chegam e querem conversar com o açougueiro sobre o melhor tipo de carne para comprar, ou com o pessoal da padaria para escolher o produto ideal.


Em muitos casos, o próprio colaborador lembra do nome e do gosto do cliente para ajudar na escolha. Isso também faz diferença”, ressalta Santin.

 

Poder de escolha: quem ganha é o consumidor

 

Sobre a relação entre os dois modelos de negócio, Ansolim reforça que é uma convivência tranquila. “Quem acaba se beneficiando nesse cenário é o próprio consumidor, que opta e define a sua escolha conforme sua necessidade de compras e desejos”, diz.


“O setor ficou muito mais competitivo e as empresas buscam as melhoras estratégias para atrair o consumidor, que está mais bem informado e por isso muito mais exigente”, enfatiza o vice-presidente regional da Acats.


A opinião é compartilhada pelo presidente do grupo Pereira e dono da bandeira Fort Atacadista. “O atacarejo tem muitos fatores competitivos, mas em outros não trabalha e esses podem ser os diferenciais do varejo. E no mercado há espaço para todos. Eu sempre digo: o varejo e o atacarejo se complementam. E nisso quem sai ganhando é o consumidor”, destaca João Pereira.

 

E o consumidor, o que acha?

 

O casal Clarice e Alvarez Dutra, moradores do bairro Bela Vista em Chapecó,  mostra que além da pesquisa para buscar o melhor preço, a lista de compras é fundamental para ir a qualquer lugar. “A listinha tem que funcionar, senão a gente perde o controle da conta”, brinca Clarice.


Para o casal, que tem seis filhos, a melhor forma de compra é o rancho. “Fica mais em conta. Ainda mais para nós que temos seis crianças, precisamos procurar sempre o mais barato”, conta a dona de casa. Para as necessidades que surgem durante o mês, no entanto, a opção para compra leva em conta a proximidade de casa, que seja mais fácil se locomover.

 



Lista de compras é a fiel companheira na hora de economizar. Foto: Bia Piva/Diário do Iguaçu

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