Bióloga aposta em roupas, bolsas e acessórios produzidos com materiais recicláveis

Marina Petzen aposta nas roupas produzidas a partir de materiais recicláveis

Débora Maffissoni

Especial

 

Foi em uma viagem para Tocantins que Marina Petzen, de 28 anos, conheceu o que seria seu novo trabalho. Bióloga, consultora ambiental e professora de gestão ambiental, Marina descobriu que poderia unir os ensinamentos das palestras que faz -  referente a separação dos lixos e consumo consciente  - com a comprovação que, se for separado corretamente,  este material pode ser reutilizado e transformado em vários produtos, entre eles roupas sustentáveis.

”Um consumo consciente com menor impacto ambiental, de matéria-prima que pense um pouco na sustentabilidade é maravilhoso. O 100% é muito difícil, mas já existem muitas empresas que usam matérias-primas que agridem em menores proporções o meio ambiente”, comenta Marina.

A bióloga conta que conheceu algumas peças de roupas produzidas com matérias sustentáveis em congresso de biologia que participou, “São roupas que eu já comprava, mas não as marcas que eu vendo. Eu encontrava em congressos da biologia e seminários. É bem comum achar camisa do evento feita de garrafa pet, por exemplo.” conta.

Marina ficou surpresa em saber que a marca que encontrou na viagem para Tocantins era de Brusque, em Santa Catarina. “Eu trabalho com três marcas até o momento, duas de roupas que é a GS One de Brusque e a Energia Natural de Blumenau, e a Design Natural de acessórios que é do Rio de Janeiro, o que me surpreendeu é que a maior parte dos clientes das marcas catarinenses, não é de Santa Catarina. Elas vendem mais lá pra cima, aqui no sul é difícil encontrar lojas com as marcas”, relata Marina.

 

PRODUÇÃO

As roupas são produzidas de garrafas pet - o qual é feito um poliéster - e algodão orgânico, que é produzido sem agrotóxico e pode ser reciclado. A bióloga conta que é necessário, duas garrafas pet para produzir uma camisa com 50% de poliéster das garrafas, e 50% de algodão.

Sobre o processo de produção, Marina comenta: “A garrafa pet é derretida e vira um grão de peliti, e este grão vai para extrusão, processado e após isso é vendido. Da para fazer cadeira, lixeira, qualquer material que a indústria permita e que não tenha contato com alimento. Com alguns grãos são produzidas as roupas, o peliti é novamente industrializado, é feito um fio novamente e faz a tecelagem dele, processo parecido com o que é feito com o algodão, produzindo e dando forma as roupas”, explica.


Com uma matéria-prima diferente, a bióloga comenta que a durabilidade dos produtos também muda e com algumas vantagens, “A durabilidade é muito boa. As bolinhas nas roupas de poliéster comum, que acontece muito, nessas não apareceram. Outra coisa é o algodão, que eu tinha o receio da costura girar, não aconteceu também, até porque ela não é 100% algodão, nessas tem o sintético e isso faz com que o tecido fique mais firme.

Outra vantagem é não precisar passar, o que também é uma questão de sustentabilidade, não precisar usar energia elétrica para passar as roupas. A única exceção -  dependendo de como se lava ou se deixar na máquina  -  são as camisas polos, porque elas tem mais algodão do que outros materiais e por isso as vezes é necessário passar. São peças que eu sempre sugiro não centrifugar, porque elas secam muito rápido”.

 

VENDAS

Uma das maiores preocupações de Marina era em relação aos clientes. Ela conta que seu público inicial eram pessoas que trabalham na área da biologia ou áreas próximas, mas também apresenta seus produtos em palestras que faz como forma de estimular a separação correta dos lixos secos dos úmidos.

“Quando eu comecei minha família falava – tá mas vai vender pra quem isso? É feito de que? Quem vai usar? Porque a impressão é que é de plástico, e como assim roupa de plástico? Então, até que as pessoas conheçam é complicado. Mas é bem bacana ver  interesse, a curiosidade em conhecer e até comprar os produtos”, expõe Marina.

Em relação aos preços, a bióloga conta que não é muito diferente das outras peças de roupas. “Quando comecei foi uma preocupação, fiz muita pesquisa de mercado. Porque, quando você pagaria para ter um produto feito com este material? Na minha formação a gente discutiu muito sobre valorização ambiental, o quanto vale a natureza. Mas me surpreendi muito, as roupas não fogem do padrão de preços que vale outros produtos. As minhas peças começam em R$60,00, que é a básico, e vão até 155,00 que é o moletom, a peça mais cara que tenho hoje. Nos acessórios é que sobe um pouco, até por serem produtos artesanais então o mais caro é R$80,00”, conclui.

 

LOJA FÍSICA

A ideia da loja começou em fevereiro de 2017 e até o momento as roupas são comercializadas virtualmente por uma página no Facebook. “A loja física vem agora em outubro, vai ser na Galeria FM, que fica no calçadão -  centro de Chapecó. É um espaço singelo, mas já da para atender e mostrar a marca para outras pessoas que ainda não conhecem. Estamos planejando bem a loja para montar um espaço todo sustentável na medida do possível, diz a bióloga.

 

Conscientização

 

Marina enfatiza a importância da reciclagem, a separação correta dos lixos secos dos úmidos é a principal fonte para a criação dos produtos e também para conservar a natureza. “Em Chapecó nós temos um grande problema com a separação dos resíduos, ouço muito nos espaços que participo que sempre a culpa é de alguém, sempre o poder público, a vizinha ou qualquer coisa. Mas as pessoas esquecem de olhar para elas. Não custa nada lavar a caixinha de leite antes de jogar fora, ou separar de fato o lixo seco do úmido, a ideia é de mudar o comportamento das pessoas, independente se alguém estiver olhando ou não, fazer por si. Em Chapecó nós temos aproximadamente 500 famílias que vivem da catação e um dos projetos que eu participo é o Fórum de resíduos, a gente tem quase 500 famílias que vivem de reciclagem na cidade, e o material chega muito misturado e muito se perde por isso. Chega comida, animal morto junto,  chega de tudo. Ai você pensa, quanto que a gente precisa ainda para que Chapecó melhore no básico, que é separar o seco do úmido? A população tem que se educar ambientalmente ainda”, relata.

 



Foto: Débora Maffissoni

1 COMENTÁRIO(S)

  1. Conheço a Marina, há muitos anos e não me surpreendi com esta proposta, que em Chapecó, é inovadora. . Excelente sua preocupação ambiental e social, Marina. Assim que esta loja for inaugurada vou me fazer presente, com certeza! Parabéns e mais sucesso!

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