Chapecó deve encerrar 2017 com redução no número de homicídios

Cidade contabiliza 34 crimes, 10 a menos que em 2016. Índice de resolução de crimes é alta, chegando a 97%. No estado, aumento no número de mortes violentas chega a 10%

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Na contramão das maiores cidades de Santa Catarina, Chapecó tem tudo para terminar o ano de 2017 com menos mortes que no ano anterior. Até esta quarta-feira (6), 34 crimes foram registrados na cidade, 10 a menos que em 2016. Os índices de resolução desses crimes também são destaques.

Segundo o delegado do Setor de Homicídios da Divisão de Investigação Criminal (DICFron) de Chapecó, Felipe Odara Rezende de Aquino, a Polícia Civil contabiliza 97% de esclarecimento dos crimes cometidos neste ano em Chapecó. Apenas um, dos 34 crimes, tem a investigação ainda em andamento, mas em fase adiantada.

Conforme dados da Polícia Civil, em Santa Catarina a média de esclarecimento de crimes de homicídio passa de 70%, índice que é superior a alguns países da Europa. Em Chapecó, nos últimos anos a média variou entre 70%, 80% e em 2017 está com 97% de índice de resolução.

 

Homicídios

2015: 45

Solucionados: 36

Índice: 80% de esclarecimento

 

2016: 44

Solucionados: 34

Índice: 77% de esclarecimento

 

2017: 34

Solucionados: 33

Índice: 97% de esclarecimento

 

Regiões com mais homicídios em 2017

Neste ano, a região da Grande Efapi registrou o maior número de crimes, somando 8 assassinatos. Em seguida, vem os bairros Bom Pastor e Líder, com três, Pinheirinho, Vila Real e São Pedro com duas mortes. Os outros crimes foram registrados em regiões variadas da cidade.




 Fonte: Polícia Civil


Número de homicídios aumenta no estado

 

Na contramão do estado, que registrou aumento de 10% no número de mortes violentas em 2017, Chapecó caminha para reduzir o número homicídios. Neste ano são 34 crimes, 33% a menos que no ano anterior. Já nas maiores cidades do estado, os números de mortes cresceram significativamente.

Conforme dados da Secretaria de Segurança Pública do estado, Florianópolis registra aumento de 78% nos homicídios. Até o dia 09 de novembro deste ano, foram mais de 130 mortes registradas (entre homicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e morte em decorrência de ação policial). Em 2016, o número total de crimes foi de 91, conforme dados disponíveis no site da SSP/SC.

Já Joinville registrou aumento de 7% em relação ao ano de 2016, quando foram registradas 100 mortes até o mês de novembro. Em 2017, o número já passou de 103 crimes. Blumenau teve aumento de mais de 50% no número de mortes.

A maioria dos homicídios nestas cidades é relacionada ao crime, especialmente com o tráfico de drogas e a disputa por espaço entre grupos rivais, analisa do delegado.

 

Ações de inteligência para reduzir as mortes

 

O delegado do Setor de Homicídios da DICFron, Felipe Odara Rezende de Aquino explica que desde o início de 2017, uma série de ações de inteligência foram realizadas para mapear o perfil dos crimes. Também focaram no cumprimento de mandados de prisão de foragidos e da rápida resposta aos crimes cometidos neste ano.

“Foi um trabalho em conjunto. Desde a minha chegada, aproveitei a experiência dos policiais que já trabalhavam no setor e fizemos um diagnóstico do que acontecia, buscamos informações e encontramos situações de adolescentes que assumiam crimes a pedido de adultos, ou que executavam crimes a pedido de outros, todos ali relacionados basicamente ao tráfico de drogas, entre outros”, explicou. Entre as motivações estavam dívidas com traficantes, problemas entre grupos rivais, acerto de contas.

Uma das principais ações do ano, na avaliação do delegado, foi a prisão de um grupo que atuava no tráfico de drogas, assaltos e também eram investigados por homicídios. No mês de fevereiro, uma ação envolvendo a Divisão de Investigação Criminal com apoio da DEIC, DINI, DICs de Balneário Camboriú, Joinville e Blumenau e resultou na prisão desses suspeitos no bairro São Pedro. Em 2016, aquela região havia registrado oito assassinatos e até fevereiro deste ano foram dois. “Depois desta ação, não tivemos mais homicídios no São Pedro”, explicou.

 

Mudança no perfil dos crimes

 

O delegado explica que a principal motivação identificada pelos investigadores dos crimes cometidos neste ano foram desavenças, brigas após consumo de bebidas, ciúmes e outros desentendimentos, que são difíceis de prever. Outras situações envolvem crimes motivados por violência doméstica, que neste ano somam seis assassinatos.

Sobre os crimes motivados por tráfico de drogas, Felipe ressalta que a punição ajuda a coibir novos atos. “São aqueles crimes onde havia a extrema banalização da vida, principalmente relacionados ao tráfico de drogas, por dívidas ou ainda morte para servir de exemplo para grupos rivais. Mas quando eles percebem que existe punição, que tem repressão a esse tipo de crime, passam a pensar duas vezes antes de cometê-los”, disse.

Outro fator destacado pelo delegado é o suporte do Ministério Público e Poder Judiciário aos pedidos da Polícia Civil. “São resultados excelentes que se devem a união de ideias e esforços de todos que trabalham na DICFron. E também é preciso frisar a sensibilidade do Poder Judiciário, especialmente da 1ª Vara Crime que trabalha diretamente com casos de crimes contra vida, e também dos promotores do Ministério Público, nas representações que fazemos. Compreendendo as dificuldades da Polícia Civil”, pontua o delegado, citando caso onde não existiam testemunhas ou ainda que elas tem medo de contribuir com o trabalho da polícia.

 

Agilidade é essencial

O juiz Jeferson Vieira, responsável pela 1ª Vara Criminal de Chapecó reforça que a agilidade no trâmite do processo criminal é essencial para que a sociedade confie na atuação dos órgãos de segurança pública e no Judiciário, bem como para que o sistema de justiça criminal cumpra sua função de desestimular a prática de delitos.

“Temos procurado agir com essa premissa e dado atenção a todos os pleitos formulados pela Polícia Civil relacionado às medidas investigatórias que dependam de intervenção e controle do Poder Judiciário”, explica.

Na 1ª Vara Criminal de Chapecó, que é responsável por todos os processos de homicídios da comarca de Chapecó, tramitam atualmente 165 processos. Em 43 deles já foi proferida sentença de pronúncia, determinando a realização do julgamento do(s) réu(s) pelo Tribunal do Júri, o que deverá ocorrer durante o ano de 2018.

 


 

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