Cidade do Idoso há 10 anos muda a melhor idade de Chapecó

Completando uma década desde sua fundação a Cidade do Idoso vem aumentando a saúde e dando disposição cada vez mais aos frequentadores.

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Camila Silveira
camila@diariodoiguacu.com.br

Eles chegam de várias partes da cidade para um só endereço. Todos os dias, bem cedinho, umas têm o cheirinho de vovó, outros usam seus abrigos azuis escuros. Tem as que reluzem seus colares de pérolas e chegam com a cuia pronta em um espumoso chimarrão.

De longe, dá para ver expressões de quem tem boas histórias para contar, descendo ou subindo a rua de acesso aquele pavilhão onde todos se reúnem no Parque da Efapi. Ninguém passa por eles sem um sonoro bom dia. O ponto de encontro é o refeitório, onde elas jogam dominó, eles sinuca. Todos pegam a ficha do almoço. Bem-vindos, estamos na Cidade do Idoso.

Lá já teve namoro e casamento, gritos no campeonato de bocha e muita dança e até teatro. De olho no relógio, eles cuidam bem o horário, pois, não dá para chegar atrasado às atividades. A cada hora entra uma turma diferente para a musculação, pilates ou hidroginástica.

Isso é um pouquinho da Cidade do Idoso de Chapecó que completou 10 anos no fim de junho de 2018. A estrutura é referência de programa para a melhor idade, talvez até da região Sul, como disse a secretária de Assistência Social, Ulda Baldissera.

Comemoração

Para comemorar, diversas atividades estão programadas para ocorrer no refeitório da Cidade do Idoso. A atividade inclui danças, cuidados com a beleza e outras atividades. Este será o Céu Aberto dos Idosos. A programação começa às 10h30. Com parceria com SESC, Cristal Ótica, Unoesc, Erva Mate Anzolin, Monica Omori Terapeuta Ocupacional, Escola Mano Muniz, Unochapecó, Fiesc – SESI, UMIC – Universidade da Melhor Idade, Ótica Diniz e Uceff.

 Sinal de respeito

Quando a secretária de Assistência Social, Ulda Baldissera, chega ao lado da coordenadora Ivete Scapinello, para apresentar a reportagem do Diário do Iguaçu, os idosos fazem ao seu redor um circulo atentos para ouvir o que as duas mulheres têm a dizer. Ulda ficou por seis anos no programa e depois dela quem assumiu a missão foi Ivete.

“São 10 anos de conquistas e muito trabalho. E é sucesso porque vocês estão aqui. A Cidade do Idoso só funciona, porque a gente entendeu a necessidade de cada um”. Com essas palavras, a secretária explica a vida corrida dos idosos que fazem as atividades durante as manhãs e tem compromisso com os filhos, netos e outros assuntos particulares durante a tarde.

O sonho agora é de ampliar o espaço, conseguir recursos para usar o horário da tarde. “Eu acredito que no futuro possamos conseguir implantar o projeto de tratamento aos idosos, quem precisa de 30 sessões de massagem nas costas, por exemplo, virá à tarde” conta Ulda, sobre o sonho de implantar o projeto que eles têm para ampliar a Cidade do Idoso e atender mais idosos ainda. Hoje o programa atua na parte da prevenção de doenças.

Uma década

Seu Abrelino Patussi diz que “parece que foi ontem que ele fez o cadastro e integrou a grande família que se formou neste 10 anos. “É um lugar maravilhoso, aqui não se tem tempo de pensar em coisa ruim, ficar com depressão. Muita gente se não estivesse na Cidade do Idoso, estaria é na Cidade do Pé Junto”, conta de peito cheio e dando risada, seu Patussi, um apaixonado pela estrutura  destaca que tudo é feito e pensado  com carinho para cada um de seus frequentadores.

A opinião também é do seu José Bernaski. Um assíduo participante da Cidade do Idoso e qualquer outra atividade que lhe vier. Fazem três anos que ele participa do programa, ama a dança. Mas, ele também joga bocha, canastra e adora a caminhada. “Sou feliz pelas amizades que fiz aqui” conta. Há 13 anos seu “Zé” vai ao psicólogo, uma vez por mês. E o que de bom lá aprende, repassa aos irmãos que fez na Cidade do Idoso.

A cura do corpo e da alma

O lugar é a cura para quem o busca, lá se tem a hidroginástica uma atividade fantástica – como se pode ver na foto e que tem como uma das professoras a Dayane Londero. Mas também tem pilates e musculação, suprindo a necessidade de saúde de cada um. E além dessas atividades, há outras como alfabetização, teatro, informática, dança, caminhada, sala de cine vídeo, jogos entre outras diversas atividades. Também tem os joguinhos, um baralho aqui, um dominó lá, a sinuca e a bocha e os campeonatos também.


Extensão do lar

“É uma extensão da minha casa” essa é definição do seu Nelson Rech, de 79 anos, que está na Cidade do Idoso também há 10 anos. Só não vai todos os dias, porque tem um compromisso familiar, o almoço do filho. Mas ele vai quase todos os dias porque a função de deixar a mesa de sinuca e todo o material em dia, foi adotada por ele desde o início.

O Alvari Brisola dos Santos está indo na Casa do Idoso há quase quatro anos e conta o quanto um gosta de ajudar o outro. “Somos uma família, nos ajudamos quando alguém não consegue fazer algo, a gente vai e ajuda”, relata Alvari.

Sentimento recíproco

É nítida a paixão dos idosos. Eles amam a comida, as atividades, os jogos, a equipe, sentimento esse retribuído. A jovem professora Stela Vedana dá aula de pilates e de musculação e conforme ela, não diferente do que os idosos falam, parece que a equipe técnica também ama os alunos.

O diferencial, conforme a professora é de que os técnicos dão a devida atenção a eles. “Eles gostam muito de conversar, de contar história. E a gente gosta de ouvir. Essa atenção que eles recebem faz a diferença”, conta Stela.

A professora também analisa a mudança do humor dos idosos “Talvez, isso esteja ligado aos exercícios que eles fazem e que estão tirando as dores no corpo. Teve casos de alunos com depressão que começaram vir aqui, conhecem novas pessoas conversam. E isso mexe com o psicológico, vai para o físico e transforma a saúde”, finaliza.

Quase dois mil cadastrados

Funcionando de segunda a sexta-feira a Cidade do Idoso tem 1920 cadastrados, bem distribuídos na participação do dia a dia. E o horário mais movimentado no refeitório é por volta das 11h que é quando todos estão à espera do delicioso almoço. Por dia, cerca de 250 almoços são servidos pela Cozinha Comunitária lá instalada.

Aposentado agora ocupado

Cérgio Soldi, 64 anos, tem o rostinho conhecido para quem usa transporte público. Motorista aposentado, Cérgio atuou anos como motorista de lotação. Agora ocupa suas manhãs na Cidade do Idoso. “Sem o programa, acho que eu até poderia ficar doente, assim, eu tenho aonde ir e sei como fazer novos amigos” conta o ex-motorista.

Um lugar de muitas histórias, risos e amizades. A Cidade do Idoso completa seus 10 anos com a expectativa e o sonho de crescer e aumentar cada vez mais. “Começou humildemente e hoje virou um grande projeto. Estamos ainda engatinhando em um projeto de inserção. 20 % da população de Chapecó hoje são idosos. Aqui eles espantam a solidão fazem novos amigos. É um espaço de convivência saudável, isso é os 10 anos da Cidade do Idoso”, finaliza a secretária Ulda Baldissera.

Como me cadastrar?

Para ser parte da família da Cidade do Idoso é necessário ter mais de 60 anos e levar até lá os documentos pessoais, comprovante de residência. Assim será feito o cadastro e em seguida será feita consulta com o médico geriatra que encaminhará para as atividades físicas.

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