Idosa de 107 anos e moradora de Chapecó revela os segredos da longevidade

Considerada a mulher mais velha de Chapecó, Placedina dos Santos Padilha também recomenda dançar bastante, ter fé em Deus e comer caldinho de feijão

Nadia Michaltchuk

nadia@diariodoiguacu.com.br


Sentada em uma poltrona reclinável, dona Placedina me aguardava no quintal da casa onde vive. Ao me aproximar da centenária, estendi a mão para que ela apertasse. Sorrindo, puxou-me para perto, envolveu-me sob seus pequeninos braços e beijou a minha bochecha com seus lábios enrugados. – Qual o seu nome?  Me chamo Nadia, dona Placedina! Desconfiada, a cuidadora interveio – Por que a senhora quer saber o nome dela, dona Pláceda?  Porque eu quero orar por ela.

 

Aos 107 anos de idade, Placedina dos Santos Padilha, ou Pláceda, como gosta de ser chamada, esbanja saúde e bom humor. Natural de Chapecó, a idosa mora no loteamento Thiago, no bairro Efapi.


Desde 2010, é cuidada por Elza da Fonseca Bueno, de 49 anos. A anciã também divide a casa com o marido de Elza, Setembrino Ferreira de Castro, outros três idosos e três cães de estimação.   

 

Dona Placedina não costuma receber visitas. Já não tão lúcida, recorda ter perdido o marido há muitos anos. Questionada em relação aos atuais namorados, a idosa respondeu de forma bem humorada que não gosta de homem. Ela conta que não teve filhos, pois não podia engravidar.


Já sem nenhuma família biológica, é extremamente apegada em Deus. “Meus únicos amigos são Deus e a Elza. Eu tenho muito respeito por ela”, diz, enquanto Elza busca o chimarrão.

 

Ao longo da entrevista, dona Placedina segurou a minha mão em diversos momentos. Entre uma cuia de chimarrão e outra, estendeu seus curtos dedos sob a minha cabeça e começou a rezar. “Ela é muito devota, faz pelo menos três orações por dia: quando acorda, antes de almoçar e ao dormir”, conta a cuidadora.

 

Seus 54 quilos distribuídos 1,53 m de pura meiguice não carregam anéis, colares ou outras jóias. Suas principais bagagens são as marcas de uma mulher que trabalhou na roça durante muitos anos.

 

Cuidados especiais


O silêncio do rádio não é motivo para dona Placedina deixar de dançar. Elza conta que toda a vez que recebe visita, a idosa fica tão contente que não consegue conter o quadril e, mesmo sem música, começa a dançar. Recentemente, porém, um acidente doméstico lesionou sua perna direita.


“Há dez dias recebemos a visita do meu cunhado. Ela ficou tão animada que caiu enquanto dançava”, conta a cuidadora. Apesar disso, a idosa se recupera bem.   

 

A casa de Elza tem muitos cômodos. Cada integrante da família possui um quarto. Para evitar quedas, o local de repouso de dona Placedina é equipado com grades nas laterais da cama. Além disso, a cuidadora dorme em um colchão na sala. Assim, se algum idoso acordar no meio da noite, ela levanta para atender suas necessidades.

 

Entre as características da centenária, destaca-se a independência. Dona Placedina é muito ativa. Ainda que não tenha dentes, a idosa se alimenta sozinha e, se precisar, até ajuda a secar a louça. Apesar de reclamar, passou a utilizar fraldas descartáveis após o acidente doméstico. Antes disso, ela usava o banheiro sem a ajuda de terceiros.

 

Amor às crianças e aos animais


Antes de ser resgatada, dona Placedina vivia sozinha em um casebre de madeira, no bairro Saic. Lá, seus únicos companheiros eram os cães. Até hoje a idosa lamenta a falta deles. Elza diz que dona Placedina demorou a se adaptar sem os antigos animais.


“Ela chorou por dias, não queria tomar banho e era teimosa”, lembra. Com o passar dos anos, a idosa adotou os animais de Elza e passou a amá-los tanto quanto os antigos. Alimentar os animais fazia parte das tarefas destinadas à dona Placedina antes do acidente doméstico.

 

Além dos bichinhos, dona Placedina é muito apegada aos netos de Elza. Um de seus passa-tempos prediletos é assistir desenho com as crianças. “Felicidade pra mim é viver junto aos animais e às crianças”, revela.

 

Segredos da longevidade


Alimentação saudável, prática de exercícios físicos e qualidade de vida têm contribuído com o aumento da expectativa de vida no Brasil. Em Chapecó, a estimativa de vida para homens era de 67 anos em 1997 e para mulheres era de 74,6 anos.


Atualmente, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres vivem em média 7,2 anos a mais que os homens, com uma expectativa de 78,8 anos, contra 71,6 anos para eles.

 

Para dona Placedina, o segredo da longevidade é tão simples quanto ela: evitar fofocas, dançar bastante e não dispensar um delicioso caldinho de feijão. Além disso, a idosa cita como fonte de longevidade, o trabalho duro e a fé em Deus. “Se você quiser viver bastante, não faça fofocas. Faça o bem e seja feliz”, aconselhou.

 

Abrigo Domiciliar


Chapecó possui 209.553 habitantes, conforme apontam dados do IBGE. A estimativa é de que até 2020, 15% da população seja idosa. O município possui apenas um asilo. O Centro de Convivência do Idoso tem capacidade para somente 18 internos. De acordo com a auxiliar Sirlei Bonomo, atualmente 17 quartos estão ocupados.

 

Para atender aos demais, a Fundação de Ação Social de Chapecó (FASC) desenvolve um projeto chamado Abrigo Domiciliar. O programa beneficia 30 idosos do município. Entre eles a dona Placedina e a dona Catarina. O trabalho passou a ser realizado a partir de 2010, após a aprovação da lei municipal 5.630, de 2009.

 

O Abrigo Domiciliar é aplicado através de uma família acolhedora. Os interessados devem se cadastrar na FASC, localizada no bairro Saic.


Em seguida é realizada uma entrevista. Se aprovado, o idoso é encaminhado à família selecionada. O processo é semanalmente acompanhado psicólogos e assistentes sociais. “Uma vez por ano eu recebo a visita de um promotor de justiça para fiscalizar as condições dos idosos”, conta Elza.

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