Monumento do centenário: Bertaso, De Nes e Bodanese eternizados na Getúlio

Os três empresários foram imprescindíveis para o desenvolvimento da cidade. A importância e o tamanho da Chapecó de hoje estão ligados aos homenageados

Audrey Piccini
politica@diariodoiguacu.com.br

Chapecó está a 79 dias de comemorar os primeiros 100 anos de fundação. É data emblemática e será coroada com a inauguração de um monumento inédito e que marcará época: o Monumento do Centenário de Chapecó.

Três nomes importantes serão homenageados, com a representação fiel – em bronze – e instalados na avenida Getúlio Vargas. O ponto escolhido é a extensão da rua, demonstrando até onde Chapecó chegou em 100 anos.

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O coronel Ernesto Bertaso, o empresário Plínio De Nes e o cooperativista Aury Bodanese ficarão voltados para o monumento O Desbravador – do artista chapecoense Paulo de Siqueira (nome forte na história da arte na cidade). 

Segundo o prefeito Luciano Buligon (PSB), é uma demonstração de que com o trabalho visionário dos três levou a cidade a crescer e a representação está na nova extensão da avenida Getúlio Vargas – ponto onde o monumento será instalado.

“Esse monumento é muito especial. Primeiro, constituímos uma comissão que levantasse homenagens que poderiam ser feitas com relação ao centenário de Chapecó. O monumento é um marco na contagem de tempo: o resgate de figuras que construíram o centenário”, explicou.

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O monumento

A escultura – em bronze – terá no centro o coronel Ernesto Bertaso (colonizador e responsável por pensar Chapecó na forma como conhecemos hoje, principalmente o traçado de ruas largas), o empresário Plínio De Nes do lado direito (fundador do Frigorífico Chapecó, empresa que levou o nome da cidade para o mundo e iniciou o processe de insdustrialização de proteína animal) e o cooperativista Aury Bodanese do lado esquerdo (que durante a era de migração das agroindústrias em São Paulo, teve a sensibilidade de conceber a criação do sistema cooperativo).

“Essas três figuras serão homenageadas e o monumento é bastante simbólico porque ele vai estar no último canteiro da avenida Getúlio Vargas, de frente para O Desbravador como que dizendo o seguinte: ‘até aqui, nós crescemos em 100 anos. Agora, é com vocês’”, afirma Buligon.

“É uma obra emblemática, que traz com ela também um efeito secundário, que é o de nós começarmos a valorizar quem construiu Chapecó. A cidade é carente em bustos, é carente de espaços públicos com nome de pessoas daqui e me parece que vai ficar esse recado para o futuro”, completa o prefeito de Chapecó. O monumento ficará sobre uma base de 3,5 metros de altura e tem custo estimado de R$ 250 mil.

Unesco

O prefeito pondera que não se trata de um simples monumento. A obra é assinada pelo artista Roberto Claussen – reconhecido na arte de monumentos em bronze e certificado pela Unesco.

 “O monumento vai ser do patrimônio do município, certificado pela Unesco e vai trazer uma qualidade de bronze que é a melhor que se tem no mundo. Vai melhorar as nossas obras e trazer a valorização do ser humano”, aponta. 

“Isso vai permitir que, no segundo centenário, nós tenhamos bustos de professores que foram importantes, cartas, líderes comunitários, que possamos criar uma cultura de homenagear pessoas que foram importantes para a cidade. Para mim, isso tudo está nessa obra”, acrescenta.

O monumento foi aprovado por unanimidade pelo Conselho Municipal de Cultura e teve a contribuição da entidade na concepção dos nomes. “Não é apenas uma obra. É um monumento à história de Chapecó. Esse monumento vai ter um jardim bonito, vai ficar no canteiro central e terá efeitos luminosos. Os três são em tamanho natural, será tombado pela Unesco e será possível fazer souvenires e reverter a renda para a Prefeitura de Chapecó”, finaliza o prefeito.

Quem são os homenageados 

O prefeito Luciano Buligon avaliou a trajetória e a importância dos homenageados para o desenvolvimento de Chapecó em 100 anos e relembrou a importância de cada um para a construção da cidade. A lógica é simples: cololização (Ernesto Bertaso), industrialização (Plínio De Nes) e cooperativismo (Aury Bodanese).

“Alicerce histórico da obra está nas figuras do Ernesto Bertaso, Plínio Arlindo De Nes e Aury Bodanese. Chapecó nasceu da Lei 1.147, junto com Joaçaba, Mafra e Porto União. Em tese, Chapecó deveria ter ficado para trás, em função de uma série de argumentos como proximidade de capitais, linha de trem, por exemplo, mas não ficou”, afirma Buligon.

Colonização

Chapecó foi colonizada pela empresa Bertaso – que não foi um simples colonizador. Ela veio com a vontade de transformar a cidade em uma cidade grande, referência. A largura das ruas, o desenho da cidade e as atitudes do Ernesto Bertaso dizem isso. Esse é um primeiro momento, mais extrativista, de chegada das famílias aqui”, relembra. 

Industrialização 

“A segunda, e vou usar uma expressão simples, foi com o Plínio De Nes, que veio nos ensinar a deixar de carnear porco e passar a abater suínos. Isso tem uma grande diferença, que é a produção de proteína animal industrializada. Ele nos ensinou a industrializar, que é a nossa segunda economia, e nos transformou, hoje, no maior produtor de proteína animal do mundo em um pequeno recorte de território. O Frigorífico Chapecó é da década de 1940 e o seu Plínio colocou o nome da cidade”, enfatiza.

Cooperativismo

“Depois, as agroindústrias da região passaram do patamar de empresas familiares para altos executivos e migraram suas matrizes para São Paulo. Então, nós tivemos uma dificuldade porque a Chapecó não conseguiu fazer essa transição e vem um terceiro momento, que é a figura da cooperativa. Nós encontramos outra solução, que não era a de ir para São Paulo, mas de constituir uma cooperativa, uma central de cooperativas e transformar o nosso potencial de produção de proteína animal em cooperativa. Que para mim é a figura mais bem-feita até hoje pelo ser humano. Aí aparece a figura do seu Aury Bodanese”, aponta.

3 COMENTÁRIO(S)

  1. Isso vai totalmente contra a vontade do povo. Chega a ser um insulto!

  2. Pelo menos não vai ser uma estátua de nenhum político, assim como a maioria das ruas de Chapecó ... (Avenida Getúlio Vargas, Nereu Ramos)

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