O que esperar na volta às aulas em Chapecó

15 escolas, sendo cinco municipais, estaduais e particulares foram visitadas pelo Diário do Iguaçu, onde as condições de segurança no trânsito em frente a cada uma delas foi avaliado

Bruna Brum, Carolina Dias e Nadia Michaltchuk 
redacao@diariodoiguacu.com.br


O Diário do Iguaçu escolheu 15 escolas, - cinco municipais, cinco estaduais e cinco particulares -, dos bairros Santa Maria, Centro, Vila Real, Efapi, Passo dos Fortes, Jardim América e Jardim Itália, de Chapecó, e avaliou a situação da sinalização do trânsito em cada uma delas.

Em todas, a reportagem foi até o local e fez imagens, visualizando o que tinha e o que faltava para deixar o fluxo de veículos mais seguro. Gestores, pais e moradores contaram como é o dia a dia de entrada e saída das crianças e como congestionamentos são constantes.

Em praticamente todas as unidades foi observado que não há placas de sinalização que indique a velocidade máxima permitida próximo às unidades escolares, e também não há placa que indique que naquele local há uma escola. 

Critérios avaliados 

Foram analisados os seguintes critérios: Se há faixa de pedestre e a mesma está pintada, se há espaço e placa identificando embarque e desembarque de transporte escolar, se há espaço destinado pais na entrada e saída das escolas, placas sinalizando que há uma escola no local, o limite de velocidade máxima, e se há presença de Agentes de Trânsito. 

Ceim São Pedro

O Centro de Educação Infantil Municipal do bairro São Pedro, o Ceim São Predo, fica em uma rua pouco movimentada. Mas, segundo uma moradora, que leva o filho mais novo na escola, nos horários em que as crianças saem e entram na escola, o trânsito fica complexo. “Quando chove então, a rua fica trancada. Eu não tenho carro, por isso não me atrapalha, mas é bem complexo”, diz a mãe e moradora de uma casa vizinha ao Ceim. Quem passa pode atravessar na faixa de pedestres, ou deveriam, pois, segundo a mãe, os pais não respeitam a faixa. No local, não há placas indicando o estacionamento e parada exclusivas para ônibus ou vans. Além disso, o estacionamento para os pais não é sinalizado, mas há espaço para que os pais parem os carros e levem os pequenos a sala de aula e não há placas indicando a velocidade permitida no local.

Ceim Proteção

De todos as creches visitadas pelo Diário do Iguaçu, a única que não possui faixa de pedestres é o Ceim Proteção, na rua Cristaldo Rodrigues, no bairro Vila Real. No local, antes da entrada da escola, há uma lombada e é proibido estacionar de um lado da rua, e isso, segundo uma moradora do local, ajudou muito no trânsito, pois antes, quando chovia, os pais estacionavam nas garagens e os moradores não conseguiam sair de casa com seus carros.
A rua em que o Ceim está, não é asfaltada e não há recuos para estacionamento dos pais. Também, não há placas indicando a velocidade em que os veículos podem trafegar, o que, conforme a moradora é necessário, pois a via é bastante movimentada.

Ceim Aquarela

No Ceim Aquarela, no bairro Passo dos Fortes, a pintura da faixa de pedestres é visível e é há a placa indicando o local de estacionamento exclusivo para ônibus. A rua, também, é larga, o que possibilita que os pais estacionem e o fluxo continue.O problema, segundo uma moradora, é quando chove e alguns motoristas trancam as garagens, ou em fila dupla. Ela, que já levou o sobrinho no Ceim, conta que os motoristas respeitam a faixa e para atravessar é tranquilo, mas falta o controle dos veículos e a presença dos agentes de trânsito.

Ceim do Comércio

O Centro de Educação Infantil Municipal do Comércio fica na rua Guaporé, no Centro e é uma das ruas movimentadas do comércio. Mas, segundo o comerciante Artidor Mendes dono do Varejo do Artigo, nos horários em que as crianças saem e entram na escola, o trânsito fica normal, já que eles chegam e saem com prazo de cinco minutos e por isso não causam transtornos. “Tem muitas vagas aqui em frente à creche então tem um fluxo bom, ninguém fica estacionado ali por muito tempo. Eles levam as crianças e já saem”, diz o comerciante vizinho da creche. A movimentação só é grande nos primeiros dias do mês, já que a população circula por ali para pagar contas e fazer suas compras.
No local há sinalização tanto na via indicando que há escola e as placas também sinalizam a presença de crianças e circulação de alunos antes – a 50 metros e ao chegar a frente ao Ceim. No entanto, não há placas indicando o estacionamento e parada exclusivas para ônibus ou vans. Ainda conforme informou Artidor, ele não presenciou a Guarda Municipal fazendo o controle do trânsito no local.

Ceim Oracílio Costella

O Ceim Oracílio Costella, no bairro Efapi, fica no fim de uma rua. Em frente à escola, há uma faixa de pedestres e uma placa indicando sua presença. Não há placas indicando estacionamento para o transporte escolar, demarcação na pista, sinalização indicando escola ou placa orientando sobre a velocidade máxima permitida. Um morador conta que quando chove a rua fica congestionada e as garagens dos moradores ficam interditadas. “Para nós é tranquilo, pois não temos um horário fixo para sair, mas quem tem que pegar ônibus ou ir para o trabalho em horários marcados fica difícil”, diz. O morador conta a rua em si é tranquila, mas quando as crianças entram e saem da escola a situação fica crítica.

Escola Estadual Bom Pastor

Na escola Estadual Básica Bom Pastor, que fica na Avenida Nereu Ramos, esquina com a rua Florianópolis no centro de Chapecó, que possui duas entradas, uma pela Avenida Nereu Ramo e outra pela rua Florianópolis, em ambas as ruas, a faixa de pedestre está visível. Na Avenida Nereu Ramos, o espaço destinado ao transporte escolar está demarcado com pintura no chão e placa identificando os horários.  Mas não há placa de indicação de velocidade máxima permitida.

Escola Estadual Druziana Sartori 

Na Escola Estadual Básica Druziana Sartori, que fica na Avenida Irineu Bornhausen, no bairro Palmital, a faixa de pedestre está com a pintura visível, mas fraca. Há placa e indicando que o local é exclusivo do transporte escolar, mas o espaço não está pintado. Embora seja uma via de muito movimento, não há placa de indicação de velocidade máxima permitida, e nem indicação de que ali há uma escola. 

Escola Estadual Professora Luiza Santin

Das escolas estaduais visitadas pelo Diário do Iguaçu, a escola Professora Luiza Santin, na rua Assis Brasil, bairro Santa Maria, em Chapecó, é a que está em situação mais complicada. Em relação à segurança, o único item que está ok é a faixa de pedestre que está pintada de forma visível.
Não há demarcação de espaço e nem placa de sinalização de embarque e desembarque de transporte escolar, assim como não há placa de indicação de velocidade máxima permitida, e nem placa ou pintura indicando que ali há uma escola.
Em conversa com o diretor, Ivanor José de Andrade, ele explica que a situação em frente à escola é bastante complexa. Ali a escola recebe transporte rural que vem do interior e também vans, e não há faixa para ônibus. Por falta de estrutura do trânsito, não há Agentes de Trânsito, na entrada e saída dos alunos. “No ano passado tínhamos o projeto Aluno Guia, mas não recebíamos por falta de estrutura do trânsito, não nossa”, reforça o diretor.
“Nós até apresentamos um projeto há uns três anos na prefeitura visando melhorar essa frente, fazer o embarque e desembarque, por que a rua Assis Brasil, em frente à escola, é larga e estreita ao mesmo tempo. As faixas são estreitas e o estacionamento é bastante amplo, então a gente sugeriu a redução dessa faixa de estacionamento, uma duplicação da via, ao invés de duas, fazer três para facilitar. A gente sobrevive no respeito mútuo”, reforça.
O diretor relata que o pessoal da escola conversou com a Guarda Municipal, sugerindo que eles fizessem uma análise de qual a melhor maneira de resolver a questão em frente à escola. “Nunca tivemos resposta. No ano seguinte fomos atrás novamente, apresentamos novamente a ideia também, mas ficou parado”, salienta. 

Escola Nelson Horostecki

Localizada na Avenida Porto Alegre, no Centro de Chapecó, a escola Estadual Básica Nelson Horostecki, está com as faixas de pedestres visíveis, há sinalização de parada para transporte escolar, mas não há placa de indicação de velocidade máxima permitida.
Em contato com a escola, o Diário do Iguaçu foi informado que não há nenhuma reivindicação específica. Em frente à escola está faixas e pintura da área do transporte escolar está correto. Além disso, os Agentes de Trânsito vão até a escola nos turnos matutino e vespertino para auxiliar na saída.

Escola Marechal Bormann 

Na Escola de Educação Básica Marechal Bormann, que fica na Travessa Brasil, no centro de Chapecó, a faixa de pedestre está com a pintura visível, há sinalização de parada para transporte escolar, mas não há placa de indicação de velocidade máxima permitida.
Em conversa com o diretor, Edevilson Sacon, ele explica que a necessidade hoje, é a colocação da uma placa que indique que ali há uma escola e outra com indicativo de velocidade máxima permitida. “Solicitamos o ano passado a presença dos Guardas Municipais e Polícia Militar na saída da escola, para reforçar a segurança dos alunos. Nesse ano, vamos pedir novamente”, afirma. 

Colégio Adventista

Na escola Adventista, localizada na rua Rui Barbosa, no Centro, no dia 29 quando a reportagem visitou a escola não havia sinalização. Além disso, a faixa de pedestre está parcialmente apagada, não havia sinalização de parada para transporte escolar e tampouco placa de indicação de velocidade máxima permitida. Na manhã de terça-feira, enquanto a reportagem conversava com a prefeitura sobre a situação da sinalização em frente às escolas, a faixas foram pintadas.
Em contato com a direção da escola, a diretora Taisa Figueiró Migliorini disse que a escola já reivindica essas e outras coisas desde o ano passado. “O nosso principal pedido é em relação às vagas de embarque e desembarque em frente à escola pelo menos no horário de entrada e saída dos alunos, porque gera bastante transtorno nesse horário”, destaca.
 
Na manhã desta terça-feira (5), a Prefeitura de Chapecó pintou em frente à escola, o “Devagar, escola”

Colégio Alfa 

Dos colégios visitados pelo Diário do Iguaçu o Alfa, localizado na rua Mato Grosso, bairro Jardim Itália, possui a faixa de pedestre mais apagada. Outro agravante em relação ao trânsito em frente ao colégio é que, além da rua ser estreita, há vários estabelecimentos próximos, o que faz com que o trânsito seja intenso no local.
A diretora do colégio Alfa, Eliane Salete Cima, avalia que a sinalização esteja boa. “A Prefeitura tem atendido as nossas solicitações. A única coisa que falta é a pintura da faixa de pedestre”, ressalta. A escola fica no cruzamento das ruas Mato Grosso com a Marechal Bormann. Tem mais uma escola nas proximidades, o Colégio Dom Bosco. Em horário de pico, no começo e no fim das aulas, o movimento para travessia é grande e perigo.

Colégio Exponencial

O colégio Exponencial está em uma das avenidas mais movimentadas de Chapecó, a Fernando Machado. Por ser uma avenida próxima ao Terminal Urbano, há a presença de ônibus o tempo todo. 
Segundo o professor Arcilio Piva, o colégio não tem solicitações à Prefeitura em relação a colocação de placas ou pintura de faixas. Porém, afirma que o trânsito no local iria fluir de forma mais tranquila se houvesse a presença de guardas de trânsito e se houvesse a possibilidade de embarque e desembarque livre no horário de entrada e saída de alunos. “A nossa cidade não foi estruturada com a quantidade de vagas de estacionamento necessárias e isso é uma dificuldade enfrentada pelos pais que se repete todos os anos”, lamenta. 

Colégio Marista

Entre todos as unidades escolares visitadas pelo Diário do Iguaçu, o colégio Marista é o que possui a faixa de pedestre em melhores condições. No local há também uma placa de identificação de faixa de pedestre. O colégio está localizado na rua Marechal Floriano Peixoto, no Centro. De acordo com a coordenadora dos anos iniciais, Juliana Rauber, o colégio Marista não tem nenhuma reivindicação. "Nós trabalhamos com os alunos do 3º ano em 2018 um projeto de conscientização no trânsito. Neste ano nós daremos continuidade ao projeto com a mesma turma. Pelo menos uma vez por mês os alunos serão agentes de trânsito mirim e darão auxílio aos guardas de trânsito durante os horários de entrada e saída de alunos”, explica. 

Colégio Trilíngue

Assim como em outros colégios particulares da cidade, o Trilíngue, localizado na rua Mato Grosso, no bairro Jardim Itália, possui necessidades para um melhor fluxo de veículos durante as aulas. Segundo a administradora Rafaela Cordeiro a solicitação da escola é em relação à pintura da faixa de segurança, da vaga de estacionamento para cadeirante e da vaga para transporte escolar. 
“Nós temos urgência nisso, já que as aulas começam no dia 4 de fevereiro. Outra reclamação dos pais é devido ao fato da rua ser estreita para ser de duas mãos. Seria melhor se fosse de mão única ou então que tivesse vagas de estacionamento em apenas um dos lados da rua”, diz. 

O que diz a Prefeitura

A secretária de Defesa do Cidadão e Mobilidade, Luciane Stobe explica que as escolas da cidade possuem algumas peculiaridades, mas a grande parte do fluxo nas vias ocorrem nos horários de pico e são geradas pelos próprios alunos e pais, em horários de entrada e saída. “Não chega a ser uma situação que nós precisamos tomar uma medida continuada de trânsito, pois no restante do período o trânsito ocorre normal, exceto alguns pontos, onde nós temos situações específicas de áreas mais centrais, em que o fluxo é mais continuo”, conta.

Estacionamentos e paradas para transporte escolar

Luciane explica que grande parte das escolas não possui área de acomodação, seja públicas ou privadas, por conta do espaço em que a unidade é construída. “Então tomamos algumas medidas que são padrão. Vaga de PCD (pessoa com deficiência) em frente às escolas e uma vaga de idoso. A faixa de travessia, que já foi pedida no bloco de estudos [que a Secretaria desenvolveu], e vaga de escolar para o coletivo”, conta. Segundo ela, um estudo da infraestrutura das escolas foi feito e a partir deste estudo, as medidas serão tomadas na sinalização.

Fiscalização

A secretária explicou, também, que não há efetivo suficiente para os Agentes de Trânsito estejam em cada escola em todos os horários necessários. “Não conseguimos, pois temos que trabalhar com dois agentes em cada escola, com um para sinalizar e outro para ordenar a travessia. Estamos com um projeto que é o Aluno Guia. A retomada dessa situação em que o próprio aluno da escola está lá nos auxiliando, porque conseguimos colocar um só agente monitorando e as crianças nos ajudam só no horário de pico”, conta.

Cronograma de melhorias

Luciane conta que laudos de mais de 20 unidades escolares já foram realizados e enviados a Seinfra (Secretaria de Infraestrutura), que está executando a colocação de placas e pintura das faixas. “Estamos fazendo [nesta terça-feira (5)] a pintura em frente ao Adventista do ‘Devagar, escola’. Nos demos conta de que nós que somos de Chapecó sabemos onde tem escola. A, eu reduzo porque ali tem uma escola, então eu vou mais devagar, mas quem não é daqui não sabe. Então começamos a fazer uma pintura na pista, que aí você alerta o motorista, para que ele diminua a velocidade. Se nos habituarmos a isso, conseguimos tirar o agente de trânsito”, diz.
Sobre a placa de indicação de velocidade permitida no trecho entre a escola, a secretária informou que quando as escolas receberem a execução do laudo, serão colocadas. “Na verdade, eu só tenho que respeitar a placa de velocidade, quando ela está ali estabelecida. Estamos estabelecendo zona 30km/h em todas as nossas escolas, esse é o objetivo. Nesse estudo que estamos fazendo, já vai placa de 30km/h. Quando a escola receber a execução do laudo ela já terá uma placa”, conta.

Casos pontuais

EEB Luiza Santin 
No caso da parada de ônibus na escola, a secretária informou que será demarcada uma área, de cerca de 25 metros de parada escolar. “Prioridade de parada nesses horários e acaba que resolve esse problema deles”, diz. Sobre o aluno do Aluno Guia, Luciane informou que não conhece a questão na escola. “Pode ser que seja uma questão mais antiga, eu não tratei o assunto com eles”.

Ceim Proteção
Em ruas de calçamento, como no caso do Ceim Proteção, Luciane explica que se tem duas alternativas para a colocação da faixa de pedestres: fazer uma capa de asfalto e isso ou uma faixa elevada. “Esse Ceim Proteção, esse teremos que olhar. Tem que ter faixa de travessia, mas primeiro precisa ter uma estrutura de via, uma vai gerando uma consequência em outra. Mas temos como solicitar essa capa de asfalto”, conta.

Escolas particulares
Uma das solicitações das escolas particulares é a mudança da via para mão única. Luciane explica que isso aconteceu no Sesc, no Jardim Itália, mas que em Chapecó os motoristas não estão acostumados com isso. “No Alfa, faremos a primeira medida do proibido estacionar em frente à escola”, finaliza.

Em Chapecó, não estamos acostumados ainda com as mãos únicas, no Vila Real nós teremos mão única, no entorno do CAIC teremos mão única. São projetos de asfaltamento que agora passam por nós para sinalização e já observamos que não tem como, então determinamos mão única.

Mas em alguns casos, transformar uma determinada via em mão única, em uma área em que não há continuidade, não posso fazer uma mão única em frente à escola e na quadra seguinte dois fluxos. Então temos que fazer um traçado de mão única. 


1 COMENTÁRIO(S)

  1. O entorno do CEIM Proteção receberá pavimentação asfáltica e reformulação de todo o trânsito no local! Obra já contratada pela prefeitura que deverá iniciar em breve!

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