O valor de um pãozinho

Instalada em Paraíso, Extremo Oeste, a Dipães é a maior empregadora e, sozinha, elevou esse número para 15% de funcionários formais

"O pão que custa centavos nos ensinou a ser assim. Aprendemos a dar valor a cada moeda. Ajudou a pensar na economia de tudo. No fim, fica ainda mais evidente toda esta preocupação e, com certeza, faz muita diferença".

A declaração é do empresário e fundador da Dipães, Volmir Antonio Meotti. Sua empresa produz hoje mais de 200 tipos de pães congelados, assados e biscoitos saudáveis. Produzidos em larga escala, a busca é sempre por duas propriedades essenciais: qualidade e fácil preparo.

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Meotti herdou da família o conhecimento no setor supermercadista, mas sentia dificuldade na gestão e viu, dentro de todas as áreas desse trabalho, a panificação como algo rentável. Em viagens de conhecimento técnico na Alemanha e em São Paulo, o empresário buscou todos os elementos necessários para montar um projeto inovador e ousado: distribuir pães a partir da região para todo o Brasil.

Encontrou em Paraíso, no Oeste catarinense, cidade com 3.838 habitantes, apoios tributários e, principalmente, a mão de obra para a qual poderia dar o treinamento. A cidade, à época, tinha apenas 8% da força de trabalho com carteira assinada. Atualmente, a Dipães é a maior empregadora e, sozinha, elevou esse número para 15% de funcionários formais.

Após investir mais de R$ 5 milhões na construção de uma nova fábrica, em 2010, a direção da empresa pretende aumentar novamente a produção com os equipamentos automatizados e ampliar a capacidade, para passar a produzir 40 mil unidades por hora.

A entrada em operação está prevista para janeiro do próximo ano. Já os investimentos no centro de distribuição de Itajaí vão aumentar sua capacidade atual em cinco vezes, e passará a ser o maior de Santa Catarina em quantidade de pães e congelados.

Aposta em tecnologia

O empresário apostou em uma das principais inovações dos últimos anos na indústria alimentícia: as tecnologias de congelamento. Começou com os mercados de pequeno e médio porte de São Miguel do Oeste e região. Com a consolidação no mercado, expandiu para novos pontos espalhados no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Ao perceber um filão de mercado, com a alta de 98% das vendas de produtos saudáveis nos últimos cinco anos, lançou o pão francês com vitaminas do complexo B e PP, conhecida como niacina, em 2008. Um ano depois, criou uma linha de massas de pães prontas para assar para atender supermercadistas e padarias menores, que acabou se comprovando como um novo sucesso.

Matéria-prima

Logicamente, a fábrica está fora do eixo consumidor, mas compensados com dois vieses de extrema relevância: a excelente matéria-prima proveniente da Argentina, considerada como uma das melhores do mundo, e o constante trabalho de qualificação da mão de obra.

"A farinha de trigo produzida na Argentina é de excelência e, como ficamos praticamente na fronteira com eles, optamos em dar ao nosso produto um diferencial de qualidade para termos um ganho de economia", explica o empresário.

No país como um todo, o setor de panificação garante mais de 850 mil empregos diretos e 1,85 milhão indiretos. A panificação, constituída 96,3% por micro e pequenas empresas, está entre os seis maiores segmentos industriais do país e começa agora a ter expoentes industriais como a Dipães, que se destaca no segmento dos 3,7% de médias e grandes empresas.

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