Prefeitura de Chapecó quer criar cultura da mobilidade

Técnicos do LabTrans iniciaram diálogo com entidades para apresentar as alterações

Mudar o sistema de trânsito e também o transporte coletivo de Chapecó. Essa é uma certeza que está na cabeça de grande parte da população e a explicação é simples: se perde muito tempo nos congestionamentos durante os horários de pico, sem falar no custo disso tudo.

Certo de que chegou a hora de mudar, o prefeito Luciano Buligon (PSB) contratou o LabTrans – da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) –, que desenvolveu o Plano de Mobilidade Urbana e também o funcionamento do transporte coletivo – que será licitado em breve.

Mas será que mudar é simples? A palavra diz tudo e implica em alterações que devem afetar todo mundo. Mas o cidadão deve se preparar para mudanças que têm o objetivo de melhorar o dia a dia de quem mora, trabalha ou está de passagem pela maior cidade do Oeste catarinense.

Com duas audiências públicas confirmadas para os dias 22, a Prefeitura de Chapecó quer fazer tudo às claras e com o aval da população. Chamando de audiências “preparatórias”, o governo explica que os técnicos do LabTrans irão apresentar o projeto de Mobilidade Urbana – que também contempla o transporte coletivo e o novo edital do transporte. As ideias já começaram a ser apresentadas pelo Plano de Mobilidade Urbana – disponível no site da Prefeitura de Chapecó – e, agora, seguem para um cronograma de diálogos.

Primeiro, foram as entidades empresariais – que reunidas, na tarde de ontem (12), ouviram como os projetos foram pensados e quais são as justificativas para se mudar o trânsito de Chapecó. Tudo é fundamentado em estudos e projeções, mas nada impede que algumas mudanças não funcionem e seja preciso encontrar uma nova alternativa.

Rodolfo Nicolazzi Philippi e Victor Maraves Caldeira estiveram em Chapecó com o objetivo de apresentar o plano e dar início ao diálogo – que será retomado na audiência pública do dia 22. Aberta à população, a conversa vai tirar dúvidas e colher sugestões. O modelo de trânsito que existe hoje não dá conta do número de carros que circulam na cidade todos os dias e, segundo os técnicos, o novo modelo leva em consideração projeção do trânsito e número de veículos para os próximos anos.

Como vai funcionar o sistema binário

Em sistema de círculo, o binário – que nada mais é do que transformar as avenidas Nereu Ramos e Fernando Machado em mão única, assim como a São Pedro e a rua Lauro Muller – tem a missão de dar fluidez ao trânsito, servir como vias de escoamento e dar agilidade ao transporte coletivo.

Para os técnicos do LabTrans, esse sistema deve funcionar em sentido horário, com a Nereu Ramos no fluxo Norte-Sul e a Fernando Machado em Sul-Norte.

A justificativa é simples: como se pensa uma cidade para pedestres e ciclistas, o transporte coletivo permitirá que os passageiros desembarquem dos ônibus com a praticidade de se deslocar para a avenida Getúlio Vargas sem precisar atravessar nenhuma rua. 

Isso garante menor tempo para os semáforos e evita muitos acidentes – até porque a via terá velocidade mais alta que as demais. “O sistema prioriza o pedestre, usuário do transporte coletivo e ciclistas, enquanto que usuários de veículos precisarão fazer retorno mais à frente”, explica Philippi.

Calçadão na Getúlio

O projeto contempla também um calçadão – a exemplo do que existe em Florianópolis, Curitiba e outras cidades do país e do exterior –, com o objetivo de permitir que o cidadão tenha espaços de convivência em regiões com alta densidade de lojas, restaurantes e serviços.

“Como a base da Política Nacional de Mobilidade Urbana é estimular modos de transporte não motorizado, estimular que as pessoas caminhem a pé, que as pessoas redescubram o espaço urbano, a proposta é de devolver a avenida Getúlio Vargas às pessoas, moderar o tráfego, reduzir o volume de veículos, alargar passeios e revitalizar a utilização da avenida. Ser um vetor de expansão de mobilidade urbana”, diz Caldeira.

Para que o projeto funcione como foi pensado, aos poucos, o fluxo de veículos da Getúlio Vargas será direcionado para a Nereu Ramos e Fernando Machado – por meio do binário –, com o objetivo de criar a cultura de que a Getúlio tem outro propósito. A mão única nas duas avenidas foi pensada com o objetivo de ser atraente para os motoristas. “Queremos fazer com que os veículos fluam em uma velocidade média mais elevada e em uma onda verde, com sincronização dos semáforos”, aponta Caldeira.

Mudanças começam aos poucos

Mas o motorista e o usuário do transporte podem ficar tranquilos: as mudanças ocorrerão aos poucos e seguidas de muita orientação. Depois de aprovadas nas audiências públicas, as alterações iniciam no dia seguinte – mas com medidas leves, para que o chapecoense se adapte ao novo modelo.

O trabalho será sentido pelos motoristas, com a redução do fenômeno que compromete a eficiência dos veículos. O acelera e para será reduzido, com o fechamento de algumas conversões. As primeiras ações serão de fechamento de conversões (no meio das quadras) que geram engarrafamentos e também de alguns cruzamentos em pontos estratégicos. “Por mais que seja testada, é importante que cada medida seja implantada e acompanhada para que se faça uma avaliação mais coerente do impacto no local”, pondera Caldeira.

Transporte coletivo

Junto com as alterações no trânsito, o novo edital do transporte coletivo também trará mudanças para Chapecó. Dois novos terminais de interligação serão construídos – um na São Pedro e outro na Efapi –, com o objetivo de facilitar o transporte local nos bairros e criar linhas específicas para fazer a ligação de um terminal para outro.

“Quando for implantado completamente, com os três terminais de ônibus, teremos um sistema de tronco alimentado. Vão ser criadas duas novas linhas centrais e duas linhas existentes também terão essas características: circulam pelos bairros, passam pelos terminais e entram no sistema binário”, explica Caldeira. 

“As demais, a maior parte, circulam nos bairros e alimentam os terminais. Para ligar um terminal ao outro, existirão linhas troncais com várias opções e tempo de deslocamento menor”, acrescenta o técnico.
O valor pago para o transporte é pensado por duas frentes principais: qualidade do serviço e valor da tarifa. Equilíbrio entre o melhor transporte possível e a melhor tarifa é o desafio da Prefeitura de Chapecó”, finaliza Philippi.

1 COMENTÁRIO(S)

  1. Acredito, por obrigação, que o estudo e as mudanças propostas são realmente para melhorar o fluxo de veículos na nossa cidade, mas temos que ficar atentos para que, junto com o novo sistema não venha um presente de grego, tipo a indústria da multa e o monitoramento por câmeras, que não impede nem inibe os furtos, mas funciona para aplicar multas.

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