Roubo é o que mais preocupa a população rural

Para ajudar a agilizar o atendimento às ocorrências foi criado o programa GPS Rural em Chapecó. Cerca de 250 proprietários rurais já aderiram ao programa

- Publicidade -
 

A atividade rural é um dos pilares da economia chapecoense. O problema é quando a atividade ou a segurança de quem mora nos cerca de 1,5 mil quilômetros de área rural é interferido por roubos, furtos e outros tipos de violência. Segundo a Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), entre as principais preocupações com a segurança no campo estão os roubos de animais e equipamentos das propriedades rurais.

O problema, é que diferente do meio urbano, em que os policiais são chamados e têm mais facilidade para encontrar os endereços. As diversas linhas, comunidades e também o acesso mais difícil atrapalhava o deslocamento rápido das viaturas para dar resposta aos moradores dessa região, que podiam demorar horas para localizar a propriedade alvo do crime.

Para ajudar e aumentar a rapidez da resposta para essas comunidades, em 2017 entrou em funcionamento do GPS Rural, resultado da parceria entre a Prefeitura de Chapecó e a Sociedade Amigos de Chapecó (Sach), em conjunto com outras instituições desenvolveram o programa do GPS Rural, onde foram mapeadas as propriedades e identificadas com um número e código de GPS. Essas localizações foram colocadas em um programa do GPS, disponibilizado apenas para os órgãos de segurança como o da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Samu ou SaerFron, facilitando a localização e, consequentemente, a chegada das equipes.

 

Primeiro produtor

O primeiro produtor a participar e instalar a placa do GPS Rural na cidade foi José Carlos Araujo. Ele conta que desde o início participou do projeto por conta da necessidade de uma segurança maior no campo. O produtor ainda não precisou acionar o socorro por meio do GPS Rural, mas antes de sua implantação já foi alvo de furtos. “Já faz mais de três anos do roubo, depois disso não teve mais problemas, pelo GPS e pela base que foi construída no Marechal Bormann”, explica.

Araujo, conta que na época em que foi furtado, teve um prejuízo de mais de R$ 10 mil, onde foram levados equipamentos da propriedade e uma TV da casa de um dos funcionários que moram no local. Ele lembra que duas viaturas foram até o local e prenderam os suspeitos. A agilidade no atendimento, segundo ele, aconteceu por sua propriedade ser conhecida, mas o produtor conhece casos de vizinhos em que os policiais tiveram dificuldades para encontrar o local da propriedade. Essa situação, para ele, mudou bastante após a implantação do GPS Rural.

“Melhorou muito a questão da segurança. Não moro na propriedade, mas tenho quatro funcionários que moram e ficam lá direto. Comentam que se sentem seguros, pois além do GPS eu tenho câmeras lá e eles se sentem seguros”, conta.

 

Resposta rápida

 

Diferente de Araujo, o produtor e presidente do Sindicato dos Criadores de Aves de Santa Catarina (Sincravesc), Valdemar Kovaleski, já precisou usar o GPS Rural depois de sua implantação e em menos de cinco minutos a Polícia Militar já estava na casa. “Era perturbação, som alto durante a madrugada, duas horas da manhã. Eu liguei para Polícia, citei meu GPS rural e naquele momento tinha uma viatura nas proximidades e quem viabilizou esse atendimento tão rápido foi o GPS Rural”, conta o presidente do sindicato.

Depois disso, nenhum fato de insegurança aconteceu na propriedade de Kovaleski, mas ele lembra que antes da implantação do GPS Rural, a insegurança por receio de assaltos era maior.

 

O GPS Rural

A proposta do GPS Rural envolveu várias entidades para o desenvolvimento e implantação. Atualmente, segundo Gilson Pagliosa, técnico da Secretaria de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente (Sedema), cerca de 250 propriedades agrícolas e de moradia fazem parte do programa. Para a implantação, uma empresa de software de São João do Oeste foi contrata e foi realizado o mapeamento das estradas via satélite e via terrestre.

“De forma simples, O GPS é o mesmo que existe para a cidade, coloca o endereço e vai buscar. No meio rural não tem mapeado as estradas e as propriedades de uma forma que o GPS consiga ver e identificar as propriedades. Então, foi feito um mapeamento de todas as estradas do meio rural e foi nomeada as propriedades dos produtores interessados”, conta Gilson.

Os produtores interessados, conforme Gilson, fazem um cadastro e recebem um código. Quando acontece algo e é necessário solicitar algum serviço, o produtor informa o código ao Corpo de Bombeiros, PM, SaerFron ou Samu e o GPS faz o mapa. O custo para os produtores é, de acordo com Gilson, de R$ 200, por conta da confecção da placa de identificação que informa o código e da atualização do GPS.

 

Educação preventiva aos produtores

Por conta da insegurança, a Faesc segundo o vice-presidente Antônio Marcos Pagani de Souza, está realizando um trabalho em conjunto com a PM e a PMA do Estado para ajudar o produtor rural. Para isso, como conta Pagani, foi criado a Rede Rural de Segurança, onde cartilhas foram confeccionadas e entregues nas propriedades do interior e Sindicatos Rurais.

Na cartilha, os produtores são orientados a como ter um comportamento preventivo. “Nós também orientamos os produtores que quando acontecer essas situações desagradáveis de roubo de animais, máquinas e etc., para que registrem os boletins de ocorrência. Isso não vinha acontecendo e os índices ficam um pouco baixos e os recursos não são direcionados para onde precisa” explica.


>>> Acompanhe as últimas notícias de Chapecó e região

O vice-presidente conta que os maiores problemas são de roubos de animais e equipamentos. Segundo ele, a região em que mais ocorrem roubos de animais é nas divisas com o Paraná, no Meio-Oeste, mas o cenário é parecido em outras regiões, inclusive no Oeste. A movimentação de animais clandestinos também preocupa a federação, já que SC é o único estado brasileiro livre de febre aftosa sem vacinação. “A gente orienta aos nossos produtores que tem que estar protegendo o patrimônio dele para não deixar entrar problemas sanitários em Santa Catarina. Então, que o produtor ajude a polícia a cuidar da entrada de animais clandestinos”, pede o vice-presidente da Faesc.

 

 

Para os produtores, dá algumas orientações de segurança:

- Ter cuidado na contratação de funcionários.

- Antes de entrar na propriedade observar a entrada de veículos e a presença de pessoas suspeitas no local.

- Manter cães de guarda próximo à plantação e onde os equipamentos são guardados.

- Colocar porteiras.

- Onde há sinal de internet, participar da Rede de Vizinhos.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Ministério Público denuncia mãe por tortura de criança em Chapecó
Homem furta facões de loja e é preso no Centro de Chapecó
Com barra de ferro, ladrão furta relojoaria em Concórdia
Mulher leva facada e morre em Itapiranga
TJ mantém sentença que leva vereador de Chapecó a júri popular
Polícia Civil apreende jovens suspeitos de homicídio e tentativa de homicídio em Chapecó
Exército inicia Operação Ágata no Extremo Oeste
Homem de 35 anos é preso em Chapecó
Por roubo, homem é preso em Chapecó
Veículo é recuperado e condutor com sinais de embriaguez é detido em Chapecó