Cezar da Luz
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Cezar da Luz é gaúcho de São Gabriel, aquerenciado há 40 anos em Chapecó. Na imprensa é colunista do Diário do Iguaçu/Folha de Chapecó e há 16 anos apresenta o programa Chama Nativa na Rádio Super Condá Am 610. Também é pesquisador e palestrante da história e cultura gaúcha.

132 anos da Lei Áurea e o negro gaúcho

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Hoje, 13 de maio, é uma data importante na história brasileira. Há 132 anos a filha de Dom Pedro II, Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bourbon e Bragança – sim, era o nome completo da princesa Isabel – assinava a Lei Áurea que aboliu a escravidão em nosso país.

Antes disto, a escravatura no Brasil teve leis que amenizaram o processo: Lei Eusébio de Queirós, em 1850; Lei do Ventre Livre, em 1871; Lei dos Sexagenários, em 1885. A Lei Áurea em 1888 marcou oficialmente o fim da crueldade que buscou na mão de obra do negro escravo o fortalecimento da economia do Brasil.

O número de escravos já havia decrescido, mas é bom lembrar que a abolição foi feita sem uma preparação. Crianças, adultos, velhos de repente estavam livres. E agora? Claro, estava livre. Mas seguramente não foram fáceis os primeiros anos. Aliás, até hoje o negro ainda carrega algumas correntes. É lamentável!

A CONTRIBUIÇÃO DO NEGRO

Indiscutivelmente, jamais poderemos falar da história gaúcha sem a menção do papel fundamental exercido pelo negro na nossa história. Por consequência, na cultura e no saber do povo propriamente dito: nosso folclore. Por sua vontade ou contra ela, esteve sempre presente nas peleias, revoluções e guerras neste garrão de pátria.

Na Revolução Farroupilha, de 1835 a 1845, os Lanceiros Negros que demostraram bravura na defesa dos farroupilhas quase no fim da guerra (14 de novembro de 1844), quando já se encaminhava para o acordo de paz, ocorreu a Batalha de Porongos (também chamado de massacre). Muitos negros morreram desarmados. Traição de Canabarro? Até hoje as opiniões se dividem.

Mas inquestionavelmente a participação do negro na formação da nossa cultura é extraordinária. Também na poesia na música gaúcha o negro é exaltado. Em 1988, Cesar Passarinho lançou o LP “Negro de 35”, onde cantava:

NEGRO DE 35

A negritude trazia a marca da escravidão

Quem tinha a pele polianga vivia na escuridão

Desgarrado e acorrentado, sem ter direto a razão

Castrado de seus direitos não tinha casta nem grei

Nos idos de trinta e cinco, quando o caudilho era o rei

E o branco determinava, fazia e ditava a lei

 

Apesar de racional, vivia o negro na encerra

E adagas furavam palas, ensangüentando esta terra

Da solidão das senzalas tiraram o negro pra guerra         

(Peleia, negro, peleia pela tua independência

Semeia, negro, semeia teus direitos na querência)

Deixar o trabalho escravo, seguir destino campeiro

As promessas de igualdade aos filhos no cativeiro

E buscando liberdade o negro se fez guerreiro

O tempo nas suas andanças viajou nas asas do vento

Fez-se a paz, voltou a confiança, renovaram pensamentos

A razão venceu a lança e apagou ressentimentos

Veio a lei Afonso Arinos cultivando outras verdades

Trouxe a semente do amor para uma safra de igualdade

Porque o amor não tem cor, sem cor é a fraternidade

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