Rodrigo Goulart
1753 ARTIGOS
Jornalista da editoria de esporte, Rodrigo aborda os lances da rodada e o que acontece no esporte do Estado. Visão crítica e apurada de quem entende do assunto.

Sobrevivência da Chapecoense em jogo

- Publicidade -
 

Na função de setorista, corremos atrás de novidades, normalmente pautados por “quem vai chegar” e “quem vai sair”. A busca pela informação sobre contratações, vendas, liberações faz parte do dia a dia da reportagem. Agora, na condição de torcedor, penso que tão importante quanto descobrir qual será a nova aquisição da Chapecoense é saber como a diretoria conseguirá honrar compromissos básicos, no caso, pagar os salários em dia.

A situação já era delicada antes da pandemia. Com o novo coronavírus, ficou caótica. A verdade precisa ser dita. Aliás, por falar em expor a realidade da agremiação, vale lembrar que existe a aba “Transparência” no site oficial. Neste item estão publicados os balanços financeiros do clube. Olhando os demonstrativos, verificamos que o déficit do primeiro trimestre de 2020 alcançou a marca de R$ 4,3 milhões. Somam-se à esta cifra os números negativos de 2018 e 2019.

A Chape deverá, em breve, fazer a prestação de contas do ano passado. Certeza de rombo colossal. Em 2018, o “furo” foi gigantesco: R$ 38,4 milhões, conforme consta na página verde-branca. Voltando à esta temporada, nunca é demais dizer que o salário de março foi pago graças a um aporte da Success Sports, empresa gaúcha de marketing que fechou parceria. Em relação a abril, falta quitar 55% dos valores. E haverá atraso também na folha de maio.

Sabendo de como as coisas estão por aqui, muitos jogadores se recusam a aportar na Arena Condá. Pois é.

Curto, médio e longo prazo

O clube verde-branco tem problemas a curto, médio e longo prazo. O grosso das dívidas com os jogadores foi renegociada para ser paga a partir de 2021. Fornecedores e empresários da bola têm dinheiro a receber. Há os acordos com as famílias das vítimas da tragédia aérea de 2016. Sabia-se que tocar a Chape seria desafiador, por isso mesmo era preciso ter “dó” do dinheiro, o que não foi o caso em 2017, 2018 e em boa parte de 2019, quando se começou uma política de readequação.

Evitar a falência

Infelizmente, a Chapecoense caminha para um destino nefasto: a inviabilidade. Se não houver uma mudança drástica de rumo, o Verdão tende a falir. Sim, falir, quebrar, fechar. O débito é multimilionário. Uma vez se equilibrava a conta por meio de ação entre amigos no fim do ano. Este tipo de mobilização não resolve mais. De qualquer forma, a união das lideranças da sociedade chapecoense é o primeiro passo para evitar o fechamento do clube. Classe política, empresários, torcida, imprensa… todos puxando para o mesmo lado. O Verdão é um embaixador de Chapecó.

DEIXE SEU COMENTÁRIO