Rede de solidariedade em Chapecó

Força-tarefa leva doações de alimentos, produtos de higiene e limpeza para famílias que estão sem trabalhar devido à quarentena

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Com a orientação para que as pessoas fiquem em casa em isolamento social surge uma preocupação com os moradores de rua e em situação de vulnerabilidade, mas também com pessoas que trabalham por conta e recebem por dia. Uma rede de solidariedade atua para ajudar essas pessoas – seja entidades, pessoas físicas, empresas. Todas sensibilizadas por uma causa necessária. Alimentos, produtos de higiene e limpeza são apenas alguns dos itens que as famílias precisam.

Quem quiser ajudar tem diversos locais que recebem, e pessoas que por iniciativa própria vão e buscam essas doações. Uma delas é Rhaonny Manoella Maffissoni, que hoje é autônoma e sempre se envolveu em ações solidárias. Antes, quando trabalhava em empresa, realizava trabalhos voluntários. “É um compromisso que tenho comigo em função de situações que já passei na vida e sei o quanto uma ajuda é bem-vinda”, diz.

Cuidado para não prejudicar

Com a questão da quarentena e sabendo que seria uma situação difícil para todos, inclusive para ela, Rhaonny foi em busca do que fazer para ajudar. Ela conversou com a prefeitura e recebeu todas as orientações para não prejudicar nem a si e nem a ninguém na questão da contaminação. Feito isso, foi hora de partir para ação.

“Comecei fazendo pelo Instagram, eu passo e recolho as doações para que as pessoas não precisem sair. Fiquei pensando nessas pessoas que trabalham de dia para comer à noite e aí acabei pedindo ajuda para algumas pessoas, fiz uma mensagem no Instagram, algumas me chamaram e passei na casa delas, com todo o cuidado peguei as arrecadações e fiz as entregas”, explicou.

As doações arrecadadas até agora foram entregues na Cruz Vermelha e também para famílias de catadores. “Ao total, são, em média, 320 famílias que precisam de alimentos e leite para as crianças. Já arrecadei e entreguei 10 cestas básicas, 37 quilos de arroz, 36 quilos de feijão, 25 sabonetes, álcool em gel, 20 detergentes e creme dental”. Quem quiser contribuir, é só entrar em contato com a Rhaonny pelos telefones (49) 99158-0323 e (49) 99161-0323 que ela vai até você.

Cruz Vermelha no apoio às famílias

Quem quiser doar alimentos e material de higiene e limpeza pode levar na Cruz Vermelha das 8h às 11h30 e das 13h às 17h. “Tudo que for doado é muito significativo nesse momento, mas um item importante é o leite, que ajudará as mães estão em casa com elas e poderão produzir vários alimentos”, afirmou a secretária municipal de Assistência Social, Ulda Baldissera.

A secretária explicou que Chapecó é dividida em territórios e cada um deles tem um Centro de Referência em Assistência Social (CRAS), e varia a demanda e procura, mas com a pandemia, vão acontecer sim situações de emergência.

“Muitas pessoas, principalmente as que vivem com um salário mínimo, vão precisar dessa ajuda nesse momento. Concentramos as doações na Cruz Vermelha porque uma pessoa, que tem que pagar aluguel, por exemplo, ganha um salário mínimo, e por conta do trabalho autônomo (que temos vários casos), vai se deparar com as prateleiras vazias, sem a mínima condição de comprar esses alimentos, e vai bater na porta da assistência social e nós vamos atender”. 

A secretária salientou ainda a solidariedade das pessoas que tem dado um fôlego nessa questão, e que a preocupação é com os meses de abril, maio, junho. “Tendo essa reserva a gente vai conseguir atender quem precisar”, explicou. 

A Cruz Vermelha também está com um espaço para receber mais cerca de 25 pessoas, entre moradores de rua e imigrantes em situação de rua. O Resgate Social, depois do primeiro atendimento, poderá levar os usuários também para esse serviço.

Que quiser saber mais, só entrar em contato pelos telefones: (49) 9 8402-4933 e (49) 3323-1503.  A Cruz Vermelha fica na rua Alberto Santos Dumont, 1091, bairro São Cristóvão.

Programa Viver espera sua doação

O Programa Viver também está arrecadando alimentos, materiais de limpeza e de higiene e repassando para as famílias das 150 crianças e adolescentes do Programa Viver e das 150 crianças e adolescentes do Projeto Maria Leite no Bormann.

De acordo com a assistente social - técnica responsável pelo serviço do Programa Viver, Elisiani Sanches, considerando as medidas adotadas para o combate ao coronavírus o Viver não está atendendo essa população vulnerável e é o que preocupa. “Nossa preocupação é também com a questão da segurança alimentar dessas pessoas que estão em casa, sem conseguir trabalhar e ainda com os filhos em casa sem o amparo alimentar que oferecemos”, explicou a assistente social.

Quem quiser ajudar, pode doar alimentos, materiais de limpeza e higiene para repassar para as famílias que participam do projeto. É só ligar no número: (49) 99167-1906, que uma equipe vai até a sede do programa receber ou vai até a pessoa buscar. “Entendemos que devemos unir forças entre poder público e sociedade civil para enfrentar essa situação difícil em que estamos todos envolvidos”, reforçou Elisiani.

O projeto social de futebol Maria Leite, que atende mais 150 crianças carentes no distrito de Marechal Bormann e está arrecadando alimentos para os alunos e famílias que fazem parte do projeto. Nesse momento em que ficar em casa é fundamental, algumas famílias não têm mais como comprar comida em função de serem trabalhadores informais (trabalham por dia). Segundo a coordenadora do projeto, Maria Rampel Leite, essas crianças estão em casa e as famílias estão pedindo ajuda. Já foram entregues 145 cestas ainda na semana passada.

“Metade dessas cestas foi o básico do básico e 90 kits de material de higiene e limpeza. Nós temos mais de 200 famílias que precisam. Todas do interior do Bormann. “O que mais me preocupou com as minhas crianças é que quando aconteciam os treinos todos os dias, das 18h às 20h, às 19h30 a gente parava o treino e todos ganhavam lanche. E agora que não tem lanche no treino, na creche, na escola e elas ficam todos esses dias dentro de casa? Elas querem comer e os pais estão apavorados”, afirmou.

Toda a doação é bem-vinda, mas Maria reforçou que alimentos e materiais de limpeza, como sabão e água sanitária são importantes para manter o básico para as famílias. Quem quiser doar, pode ir até a casa de Maria Leite na rua Telmo Scheffer, 155-E, no distrito de Marechal Bormann (casa rosa), em frente ao depósito de gás. Ou alguns dos locais que estão recebendo doações: na Agropecuária Marcon (telefone: 3322-3189), Posto Galli (bairro Palmital) e no Programa Viver. Mais informações pelo telefone (49) 99962-4136 direto com Maria Leite.

Cestas básicas

No supermercado Royal, por exemplo, é possível comprar cesta básica e deixar para que a equipe entregue ou você mesmo levar para quem precisa. “Nunca imaginamos passar por uma situação assim, o povo está se mobilizando, então se cada um fizer a sua parte, ajuda muito”, afirmou a proprietária do supermercado Royal, Tais Ansolin.

Catedral Santo Antônio

De acordo com o bispo, Dom Odelir José Magri, cada paróquia tem a sua organização. Ele explicou que a maioria das paróquias estão alinhadas com o poder público ou organizações sociais locais. “Em Chapecó há iniciativas organizadas a partir da Catedral Santo Antônio, também na Região Nordeste com Padre Edivandro, na paróquia São Cristóvão (Bairro São Cristóvão e Efapi). A diocese assumiu uma ajuda para os povos indígenas Guaranis, e aqui em Chapecó estamos analisando e encaminhando ajuda para os imigrantes. Principalmente alimentos”, finalizou.

Dom Odelir José Magri explicou que a decisão de fazer iniciativas locais, é para facilitar o acompanhamento e distribuição das doações recebidas. “São muitas as iniciativas e cada dia nascem novas. As pessoas em geral são muito solidárias. Deus seja louvado”, relatou. 

Plantão de ajuda para moradores de rua e em vulnerabilidade social

O Resgate Social está de plantão para atendimento e é a porta de entrada para todos os serviços e atendimentos da Assistência Social de Chapecó. O telefone das equipes de plantão é (49) 3319-12-01 ou (49) 9 8401-4490. As equipes atendem 24 horas por dia e o endereço é a Rua Marechal Deodoro da Fonseca, 562-D. Essa equipe atende as pessoas e direciona para os serviços e atendimentos de acordo com a necessidade de cada pessoa. Por isso, foi organizada uma força-tarefa para atender os moradores em situação de rua e os mais vulneráveis dos Centros de Referência em Assistência Social de Chapecó (CRAS).

Outros serviços e atendimentos da Assistência Social que estão funcionando

- A Central de Resgate Social: regime de plantão;

- O Abrigo Municipal: vedada a visitação externa;

- A Casa Abrigo para Mulheres Vítimas de Violência: vedada a visitação externa;

- O Centro de Convivência do Idoso CL Aurino Mantovani: vedada a visitação externa;

- A Casa de Passagem: em regime de plantão;

- Os Conselhos Tutelares: em regime de plantão;

- Centro de Referência de Assistência Social (CRAS): em regime de plantão.

Casa de Passagem

- Local para onde são levadas as pessoas atendidas pelo Resgate Social. Atualmente a casa atende, em sua capacidade máxima, cerca de 60 pessoas. Desde a última segunda-feira (25) uma equipe atende esses usuários que poderão ficar na Cruz Vermelha.


Quem quiser ajudar pode doar alimentos, materiais de limpeza e higiene ao Programa Viver  (Foto: Programa Viver)

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