16% dos veículos apreendidos em 2 meses têm débitos de mais de R$ 628 mil

Levantamento feito pela Secretaria de Defesa do Cidadão e Mobilidade Urbana, a pedido do Diário do Iguaçu, identificou que alguns dos veículos têm mais de 50 multas e, em um dos casos, dívida passa dos R$ 29 mil.

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Bia Piva

bia@diariodoiguacu.com.br

Chapecó

 

Nos últimos meses, notícias de apreensões de carros com dezenas de multas e elevados valores em débitos têm sido frequentes em Chapecó. Veículos com débitos que chegam a R$ 29 mil, motos com R$ 11 mil, R$ 19 mil em pendências. Na maioria das vezes, os valores das dívidas são muito superiores ao valor do próprio veículo.


Somente em três abordagens de trânsito no mês de junho, três veículos foram recolhidos pelos Agentes de Trânsito com débitos que passam dos R$ 52 mil, entre multas diversas, estacionamento irregular, passar no sinal vermelho entre outras.


Já em uma abordagem realizada em maio, um carro foi apreendido com débitos de R$ 29 mil, isso correspondente a multas que já venceram, mas o valor já passa dos R$ 32 mil, se somadas juntas as infrações ainda em tempo de recurso.


A pedido do Diário do Iguaçu, a Secretaria de Defesa do Cidadão e Mobilidade Urbana fez um levantamento sobre quantos veículos foram apreendidos nesta situação e o quanto em débitos eles têm. E o número é impressionante.

 

715 carros apreendidos em 2 meses

 

De acordo com a secretária da pasta, Luciane Stobe, somente nos meses de maio e junho foram apreendidos 715 veículos por infrações diversas (em ações da Polícia Militar, Agentes de Trânsito e Guarda Municipal).


O somatório dos débitos destes veículos (entre multas por excesso de velocidade, veículo sem documentação, condutores não habilitados, passar sinal vermelho, entre outras infrações), passa dos R$ 960 mil.


Ela faz uma separação entre as ocorrências, destacando que na maioria algumas delas, o motorista foi abordado com alguma irregularidade pontual, que gerou uma apreensão e uma multa, mas que logo o carro é regularizado e tirado do pátio.

 

65% das multas em apenas 16% dos carros

 

Porém, há outra situação, essa sim que chama atenção, que são dos mesmos veículos envolvidos em reiteradas multas por infrações de todas as naturezas. Aqui, o Diário do Iguaçu fez um recorte, que é da quantidade de veículos apreendidos por possuírem dívidas superiores a R$ 3 mil. E nos meses analisados, esse número chegou a 116 carros e motos apreendidos nestas condições.


É isso mesmo. Dos 715 carros apreendidos nos meses de maio e junho, 116 deles – que corresponde a apenas 16% - contabilizam dezenas de multas que tem valores somados passando dos R$ 628 mil – ou seja, 65% do total do valor das multas identificadas.


A maioria destas multas é por estacionamento irregular, por furar sinal vermelho, parar sobre a faixa de pedestres, falta de licenciamento entre outras. As abordagens ocorrem durante ações de trânsito dos órgãos fiscalizadores. “Quando um Agente de Trânsito ou mesmo a PM vai autuar um carro por estacionar em local proibido, por exemplo, puxa os dados do carro e é aí que encontramos todo o histórico de infrações”, explica.

 

Esse dinheiro vai pra onde?

 

Sobre o destino do valor dessas multas, a secretária pontua que nestes casos o valor que de fato volta aos cofres públicos (em um rateio entre Município, PM e Detran), é minúsculo, justamente porque a maioria dos casos, o motorista não vai se dar ao trabalho de retirar o veículo do pátio.


“O carro só sai do pátio se for regularizado, tiver as multas quitadas, a documentação em dia. Então os motoristas não vão retirar, porque ele não vale o quanto têm em pendências”, conta.


Além de não quitar suas dívidas, o condutor gera novos custos ao município. “A administração gasta com AR (Aviso de Recebimento dos Correios) para mandar a notificação para ele (motorista). Então além dele não pagar, vai dar mais um prejuízo à administração”, enfatiza.


E quando ocorrem os leilões destes veículos, o valor arrecadado na venda, na maioria das vezes, é suficiente apenas para quitar algumas multas, mais os valores de guincho e pátio de apreensões.

 

Então, por que recolher?

 

Luciane enfatiza que a preocupação principal com esse tipo de veículo, é a segurança dos demais usuários da via. “Imagina uma dessas motos, que tem inúmeras multas por excesso de velocidade, furar sinal vermelho. Ele é um potencial causador de acidentes de trânsito, porque ele não respeita a faixa de pedestres, nem o semáforo, não está nem aí. Ele pode acabar causando um acidente e bater em um condutor que anda certinho. Então é obrigação do poder público fiscalizar e retirar os caras que não respeitam o trânsito”, enfatiza.


Além da preocupação por acidentes, veículos nestas situações – licenciamento vencido, veículos bruxos (quando são passados de vários proprietários sem a devida transferência de documentos ou adulterados) – ainda podem ter envolvimento na prática de crimes. “Esse tipo de motorista não se preocupa com o valor das multas, porque ele não vai pagar.  O veículo, na maioria das vezes, não vale o valor das autuações”, reforça.


Andar irregular é responsabilidade do motorista!

Você pode estar lendo essa matéria e pensando: isso é uma fábrica de multas, uma fábrica de dinheiro, ou algo assim. Mas na realidade, quando assumimos a direção de um carro, a responsabilidade pelo zelo deste veículo e o respeito às normas é nossa, dos motoristas. As leis de trânsito sempre estiveram aí e é pelo bem coletivo que todos devemos cumpri-las.


“Precisamos criar essa consciência, de fazer o certo independente da fiscalização. É proibido estacionar em algum lugar, ‘ah, mas não tem ninguém vendo, então eu estaciono’. Mas mesmo sem ninguém ver, continua sendo proibido. Os motoristas precisam assumir a responsabilidade pelas suas condutas”, finaliza.

 

 

 

 

 

 

 

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