Acessilidade: Policial Civil faz atendimento em Libras na Delegacia Regional de Chapecó

Desde o início do ano, a policial Daniela Bresolin faz o atendimento em Libras na Delegacia Regional de Chapecó. Ela é a única policial da região com a formação e conta como começou e o que mudou no atendimento na regional

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É com gestos e expressões que a Policial Civil, Daniela Bresolin, mudou a forma de atendimento no setor de CNHs da Delegacia Regional de Chapecó. Isso porque desde o início do ano, a policial faz o atendimento na Linguagem Brasileira de Sinais (Libras), ajudando pessoas surdas que procuram a delegacia em busca de alguma informação ou serviço, como tirar a Carteira Nacional de Habilitação.


Daniela é a primeira policial civil capacitada para atender em Libras na região da 12ªDRP. A iniciativa em fazer o curso foi da própria Daniela, que percebeu a demanda e a dificuldade que havia em compreender e repassar informações para as pessoas com esta deficiência que buscavam a delegacia.

 

Como começou

 

A policial conta que sempre teve interesse em aprender Libras. No início de 2019 começou a atender no setor de CNH da delegacia. Por lá, diariamente, passam dezenas de pessoas para realizar a prova de Legislação de Trânsito. Os testes são feitos digitalmente e, nesse aspecto, Daniela destaca que o atendimento aos surdos também melhorou significativamente.


“Agora é tudo eletrônico, sem papel. O ouvinte tem 1 hora para fazer a prova e a pessoa surda tem 2 horas. Para os dois a prova é igual, com questões e quatro opções. Só que no caso do surdo, além da prova, tem um vídeo onde um interprete de libras traduz a pergunta e as opções de resposta”, comenta.


E foi acompanhando uma dessas provas que Daniela conheceu uma menina que é surda, e em contato com ela demonstrou o interesse em aprender Libras. Foi ela quem passou o contato da professora Marineiva Moro de Oliveira, que dá aulas de Libras na Unoesc em Chapecó.


“Me inscrevi no curso básico, fiz e adorei. Dentro dele já marquei para fazer o intermediário em outubro”, contou. Além disso, a policial também está fazendo uma pós-graduação em libras e um curso on-line para aprender mais sobre a linguagem.

 

Ajudando e aprendendo

 

O atendimento aos surdos também ajuda a própria policial a aprender mais sobre a língua. “Eles chegam e às vezes falam muito rápido. Eu peço para ter calma, para a gente poder se entender”, brinca.


Faz poucos meses que a atividade é feita, mas Daniela conta que o avanço já foi grande. “Eles ficam mais tranquilos quando alguém consegue entender o que eles precisam. Agora, quando chega uma pessoa surda, o pessoal me chama e logo vou e me apresento. Explico o que precisa preencher, vamos olhando todos os pontos juntos. O avanço foi muito grande. Alguns, inclusive, voltaram para agradecer”, conta.

 

Respeito e melhor atendimento

 

O delegado regional, Ricardo Casagrande, enfatiza a importância de ter esse tipo de atendimento na delegacia e que estão buscando aumentar o número de policiais capacitados. “Primeiro, pelo respeito que temos pelas pessoas que tem essa deficiência. Segundo, que a dificuldade de comunicação às vezes pode impedir ou trazer algum resultado diferente do necessário”, comenta.


“É algo que temos como uma melhoria de qualidade no serviço prestado na DRP”. Casagrande destaca que atualmente, quando há necessidade de atender pessoas surdas em outras delegacias da cidade, a policial acaba se deslocando da DRP até essa unidade para ajudar.


E que para melhorar ainda mais essa acessibilidade comunicacional, a DRP está elaborando um projeto para que pelo menos mais três policiais civis participem da pós-graduação em Libras, para que possam atender a demanda destes atendimentos na região da 12DRP. O objetivo é estimular que mais policiais façam o curso e consigam melhorar a comunicação.


Carência em espaços públicos

 

A professora de Libras e coordenadora do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI) da Unoesc Chapecó, Marineiva Moro de Oliveira, foi a professora de Daniela. Ela comenta que apesar da legislação reconhecer a Libras como a segunda língua brasileira, poucas pessoas tem o interesse em aprendê-la e que são raros os espaços públicos onde é feito este atendimento.


"Os alunos nos relatam muitas dificuldades em se comunicar nesses espaços, que divulgam tanto a inclusão, mas não possibilitam a acessibilidade”, pontua. Segundo ela, a maioria das pessoas não se interessa em aprender a língua por não ter nenhuma pessoa com essa necessidade no seu convívio. “É importante que cada estabelecimento público tenha ao menos uma pessoa com conhecimento em libras. Não precisa ser fluente, o conhecimento básico já ajuda a identificar as necessidades e dar essa orientação”, comenta.

 

Procura tem aumentado

 

Apesar da dificuldade ainda ser grande, Marineiva ressalta que a procura por cursos de libras tem aumentado nos últimos anos. “A Dani foi a primeira policial que nos procurou, mas quantos policiais a gente tem na cidade e que podem abordar um surdo? E como é que vai se comunicar?” questiona.


Ela pontua que o aumento tem sido principalmente de profissionais da área da saúde e da educação. “O pessoal da Unimed está no quarto ano de curso de Libras conosco. Eles não tinham ninguém quando iniciaram. Depois que iniciaram o curso, já contrataram vários surdos para trabalhar nos setores”, destaca.


Quer aprender Libras?


A Unoesc de Chapecó oferece regularmente o curso de Libras. Para se inscrever no curso básico, basta entrar no site da Unoesc, ir na aba extensão e deixar o contato. Marineiva comenta que assim que tiver alunos suficientes para fechar uma turma, é entrado em contato para iniciar as aulas.


O curso básico é composto de 20 horas de aula e o custo varia entre R$ 100 e R$ 150. Nesse curso, o aluno aprende a fazer os cumprimentos, aprender a identificação pessoal, nome e é bastante focado no alfabeto, essencial para a sequencia do aprendizado nos cursos intermediário e avançados.

 

 

Projeto pioneiro

 

A Polícia Civil de Santa Catarina, junto com a UFSC está desenvolvendo um projeto pioneiro em SC que busca a implementação de cursos de formação continuada em Libras para os policiais do Estado.  A ideia é que a primeira atividade seja realizada ainda com os 34 delegados em formação na Acadepol. A partir da primeira experiência, uma capacitação mais continuada deverá ser implementada para englobar todos os novos agentes.


Durante a reunião, foram discutidas também estratégias para a capacitação dos policiais que já atuam diariamente na instituição. 

 

 

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