Alesc instala grupo de trabalho de apoio aos imigrantes e refugiados

Dados oficiais registram a chegada de uma média de 80 imigrantes por dia a Santa Catarina

Marcelo Santos

Agência AL

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado (PSD) instalou, nesta quinta-feira (16), o Grupo de Trabalho de Apoio aos Imigrantes e Refugiados (GTI). Coordenado pelo deputado Fabiano da Luz (PT), o GTI reúne entidades, órgãos públicos municipais, estaduais e federais e grupos de apoio espalhados pelo Estado. As reuniões do GTI serão sempre na segunda sexta-feira do mês, às 14h, na Alesc.

Dados oficiais registram a chegada de uma média de 80 imigrantes por dia a Santa Catarina – o maior grupo é de venezuelanos. Na rede pública estadual de ensino, são 1,6 mil estudantes. “Nosso trabalho é ver como a gente vai atender essas pessoas, como vai mostrar que Santa Catarina está aberta a receber e não apenas deixá-los por aí, mas dar um acompanhamento para que eles possam iniciar uma nova vida como catarinenses”, explicou o deputado.

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Normalmente, o litoral é o principal destino, mas o estado todo tem dado uma boa resposta às necessidades dos imigrantes. É o caso de Saudades, município de 8 mil habitantes no extremo-oeste. “Como tem várias empresas que precisam, eles abriram as portas para que até 150 venezuelanos pudessem ir até lá”, revelou o parlamentar. “É um pouco desse olhar que a gente precisa ter, saber para onde estão indo, se estão trabalhando, se têm moradia”.

Centro de Referência

Em Santa Catarina, a questão imigratória tem um importante ponto de apoio, o Centro de Referência de Atendimento ao Imigrante (CRAI), em Florianópolis. O CRAI catarinense é um dos dois existentes no País – o outro fica em São Paulo. De acordo com o coordenador do CRAI, Luciano Leite, o centro articula políticas públicas para que a população de imigrantes tenha garantidos os atendimentos necessários em educação, saúde e assistência social.

O CRAI catarinense – fruto de convênio entre uma entidade privada e o Governo do Estado – tem um ano e meio de trabalho nesta articulação, mas, na visão de Leite, precisa avançar muito ainda. “Esses são os desafios: trabalhar de forma integrada as políticas públicas para que os imigrantes possam ter acesso e iniciar sua vida novamente nesse país”, afirmou.

Segundo ele, uma das dificuldades vividas por imigrantes e refugiados se refere à profissão. Muitos têm formação superior, mas, quando chegam ao Brasil, não conseguem exercer sua atividade por questões burocráticas. “Muitos não conseguem se inserir no mercado de trabalho, na sua formação de origem, porque precisa validar diploma, fazer outras disciplinas complementares, e a necessidade dele é imediata, como alimentação, moradia”, ressaltou.

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