Aparência e saúde

Os homens estão cada vez mais vaidosos, mas muitos ainda descuidam da saúde. Nesta nona reportagem da série Novembro Azul, o Diário do Iguaçu conversou com um psicólogo para entender essa relação

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Carolina Dias
carol@diariodoiguacu.com.br

Com o passar dos anos o homem moderno passou por transformações e passou a ter hábitos diferentes. Entre eles, cuidados com o cabelo, a pele e também a saúde. Segundo pesquisas realizadas pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e IBGE, a aparência tem recebido uma atenção especial. Mas será que esse cuidado com a parte externa se estende para a saúde de maneira geral?

Para saber um pouco mais sobre essa relação entre a preocupação com a aparência e a saúde, conversamos com o psicólogo da Secretaria Municipal de Saúde, André Figueiredo Pedrosa.

Nas reportagens anteriores da série Novembro Azul, foi unanimidade que os homens não têm o hábito de ir ao médico e isso inclui não consultar com um psicólogo. “Eu atendo muito mais mulheres do que homens. Isso está diretamente relacionado a uma questão cultural. Há também relatos de homens que não procuram um profissional de saúde há 10, 20, 30 anos e nunca teve nada. Na perspectiva de saúde mental essa falta de cuidado é bem séria, é grave porque se a gente não faz as prevenções adequadas pode ter doenças que vão causar dano, sofrimento”, pontua Pedrosa.

De acordo com a psicólogo, as pessoas de um modo geral têm um ritmo de vida agitado, muitas atividades ao mesmo tempo e isso pode gerar a longo prazo doenças relacionadas à ansiedade, problemas de sono, problemas sexuais. “Falando especificamente dos homens, se eles não vêm tratar, não procuram um psicólogo ou um atendimento, isso gera doenças e o problema de uma situação psicológica não tratada é que ela se agrava. Passa de um quadro pontual para um crônico, aí é muito mais complexo o tratamento, mais delicado, mais oneroso para o paciente, para o sistema e, independentemente disso tudo, causa muito mais sofrimento”, reforça Pedrosa.

Em relação a parte estética, o psicólogo explica que uma impressão que ele tem enquanto profissional de saúde mental é que vivemos em uma cultura que valoriza o aparentar algo, do parecer. “No Brasil se consome muitos produtos de beleza, mas acredito que isso tem muito a ver com parecer ter uma imagem que não é real. Por exemplo, tirar foto com um livro que nunca leu, foto praticando um exercício que não faz, foto de um prato de comida saudável que nunca comeu”, afirma.

Ser de fato o que você é

Isso ajuda muito no processo de responsabilização da saúde. Exemplos que surgem no dia a dia do psicólogo mostram isso. “Os pacientes perguntam: vou fumar por 40 anos e posso morrer atropelado? Pode. Qualquer um pode, mas a questão é se você fumar por 40 anos quais os agravos de saúde que você pode ter em decorrência disso? Vão tornar a tua vida ruim ou menos saudável? O mesmo vale para o exame de próstata. Você pode não fazer o exame e morrer atropelado, mas se tiver um câncer de próstata olha o que isso vai gerar na tua vida. Ter os cuidados básicos são importantes sempre”.

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