Artesanato indígena é valorizado na Decorare

Objetos de decoração feitos por indígenas da Aldeia Condá estão em vários ambientes da mostra

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Valorizar e preservar a cultura indígena, esse é o objetivo da Decorare ao trazer para a mostra o artesanato dos kaingangs da Aldeia Condá. Eles produziram objetos de decoração para vários ambientes. Um exemplo é o Restaurante Maluana, que resgata os costumes e a cultura dos povos indígenas que também participam e escrevem a história de Chapecó.

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Logo na entrada do Restaurante, retratos que contam um pouco da história destes povos já estão nas paredes. Os balaios se transformam em luminárias que deixam o espaço ainda mais aconchegante. Colares também decoram o ambiente, assim como os porta guardanapos, tudo artesanal. Um trabalho minucioso, que exige dedicação e nesse caso, delicadeza.

“É um privilégio ver nosso trabalho aqui. Nos emociona ver que o homem branco dá valor ao nosso trabalho. Estamos vivos, nosso artesanato está sendo valorizado, reconhecido”, comentou o Cacique da Aldeia Condá, Valdir Sales do Nascimento.

Segundo o Cacique, hoje na Aldeia Condá, 480 famílias sobrevivem do artesanato, é a principal renda das famílias. Entre as matérias-primas mais utilizadas na produção estão a casca de cipó, sementes de açaí e madeira. Com os materiais eles produzem balaios, colares, flechas e outros acessórios.

Emoção ao ver o trabalho na mostra 

A artesã indígena Kelita Rodrigues não conseguiu conter as lágrimas ao ver que o artesanato produzido por eles recebeu um espaço de destaque na mostra. “Eu como artesã, que sobrevivo do artesanato, a gente sabe muito bem das dificuldades. As pessoas nos desvalorizam e agora nesse momento existe esperança para nós de mostrar a nossa cultura e o artesanato ser valorizado”.

Valdecir da Silva, que também é artesão, ficou encantado com os balaios na parede. Usando um cocar com penas vermelhas, estava orgulhoso em ver seu trabalho. “Ficou tudo muito bonito, estamos felizes em estar aqui e ver o nosso artesanato valorizado”, contou Valdecir.

O Vice Cacique, Samuel Candido, destaca que no artesanato eles conseguem manter viva a cultura indígena. “Vai passando de geração para geração, quando as crianças vão crescendo, elas já vão aprendendo para que não termine essa atividade”.

Projeto de extensão nas Aldeias 

Para fortalecer o artesanato nas comunidades indígenas, o Ministério Público Federal fez um pedido a Unochapecó, que em parceria com o Sebrae e a Funai, desenvolveram um projeto de extensão nas Aldeias. “A iniciativa visa melhorar o trabalho artesanal que é produzido hoje. Assim como apresentar novas técnicas e trazer inovação para os artesãos”, conta a Assistente Social Fabiane Roman, que coordena o programa de extensão da Universidade.

Por meio do projeto foi criada a Associação de Artesanato Kamé e Kanhru que vem para organizar os artesãos, profissionalizar o trabalho, e desta forma, permitir a comercialização em diferentes espaços, com produtos identificados, com embalagens, etiquetas, toda estrutura necessária para que o artesanato indígena ganhe mais espaço e valor na sociedade.

A designer e consultora credenciada ao Sebrae, Silvia Baggio, ministra as oficinas na Aldeia e traz novas técnicas de produção para os indígenas. "O trabalho tem o objetivo de trazer alguns elementos que se perderam na história. Buscar inovação no sentido de melhoria do material e do processamento deste em formas contemporâneas. Mas isso não quer dizer que a gente vai descaracterizar o trabalho do povo Kaigang, muito pelo contrário, queremos fortalecer ainda mais suas raízes", comenta. 

História, cultura e memória

Na Decorare, o artesanato indígena é um dos artigos de decoração que mais desperta a atenção dos visitantes. Inclusive o arquiteto Filipe Cardoso dos Santos, um dos responsáveis pelo projeto do Restaurante Maluana, contou que vários balaios já estão vendidos e que esse é apenas o primeiro passo. Os arquitetos pretendem dar continuidade a essa parceria e valorizar esse artesanato em outros projetos.

Eliel Inácio, professor na Aldeia Condá, ressalta a importância de trazer o artesanato indígena para a Mostra de Arquitetura, Decoração, Design e Paisagismo. “Vocês estão passando um pouco da nossa cultura kaingang para sociedade em geral. Para a sociedade ver que é uma cultura rica em artesanato, conhecimento, a gente fica bem emocionado nesse sentido”.

A inclusão dos povos indígenas na Decorare faz parte do contexto da mostra, que tem como tema História, Cultura e Memória: Chapecó Cidade das Rosas. “Receber estes artesãos aqui na Mostra é um momento muito importante e especial para todos nós. Porque queremos agradecer a eles, por todo trabalho, empenho e dedicação. Esse espaço também é deles, e ficamos felizes em ver que eles se sentiram valorizados e acolhidos com esta oportunidade de mostrar para todos, o que é produzido lá na Aldeia”, ressalta o organizador da Decorare, Thiago Freitas.


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