Celular e direção: 5 segundos que podem custar uma vida

Esse é o tempo mínimo que uma pessoa perde para olhar o celular enquanto dirige. A 80 km/h, um carro pode percorrer a distância de um campo de futebol

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Pesquisas mostram que o uso do celular na direção de um veículo aumenta em 400% o risco de acidentes de trânsito em todo o mundo. O uso do aparelho – que revolucionou a forma das pessoas se comunicarem – trouxe facilidades e agilidade na rotina, mas o perigo inerente e a dependência que se criou em torno dele pode ser fatal no trânsito.


Não só pode, como já é apontada como a 3ª maior causa de mortes nas estradas brasileiras, segundo um levantamento feito pela Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet). E segundo dados da OMS, as projeções é que até o ano de 2030, ele se torne a 7ª causa de mortes no mundo, superando inclusive várias doenças.

 

Quem nunca?


Vem aquele bip do Whastsapp e você está dirigindo tranquilamente pela rua. O que você faz? Dá aquela espiadinha? Ou espera chegar no destino, parar o carro e responder?


Se a sua resposta for: eu espero chegar ao meu destino, parar o carro e ler a mensagem, você está de parabéns!

Mas, se você é daqueles que não se aguenta e puxa o celular para dar só uma espiadinha, temos uma notícia: naqueles cinco segundinhos que você tira os olhos e a sua atenção da direção, se você estiver a 80km/h, percorre a distância de um campo de futebol (aproximadamente 100 metros), sem olhar o que está acontecendo a sua volta.


E quanta coisa pode acontecer em 100 metros? Um pedestre iniciar a travessia de uma faixa; ou um veículo a sua frente fazer uma freada brusca; ou o sinal fechar e você avançar no vermelho. São só alguns exemplos. O resultado pode ser trágico.

 

Ah, então parado no sinal pode?


Não! Nem parado no sinal é permitido usar ou manusear o celular. Não só é proibido, como é considerado infração de trânsito gravíssima. Mas o hábito é tão forte na rotina dos motoristas, que muitos não percebem sequer que cometem a infração na frente da Polícia ou dos Agentes de trânsito, conta a secretária de Defesa do Cidadão e Mobilidade Urbana, Luciane Stobe.


“Nem mesmo parado no sinal é permitido fazer o uso do celular. Porque é justamente isso que causa a desatenção no trânsito”, alerta. Ela cita um exemplo bastante comum: o motorista está parado no sinal e fazendo uso do celular. “Quando abre o verde para o pedestre atravessar, o motorista pode tranquilamente se confundir e achar que o verde abriu para ele seguir”, conta.

 

Trânsito mata mais que arma de fogo


“O carro é uma arma e muitos ainda não chegaram a essa constatação. Os acidentes matam mais que arma de fogo no Brasil. Nós discutimos muito o desarmamento, se pode ou não liberar. Mas liberamos veículos para pessoas que dirigem com celulares em mãos, atropelando e matando gente”, reflete a secretária.


Recentemente, uma pesquisa divulgada pela Seguradora Líder, administradora do Seguro DPVAT, mostrou que em pelo menos oito estados brasileiros, o trânsito foi responsável por mais mortes do que os crimes violentos (homicídios). Santa Catarina aparece nesta lista, ocupando a 4ª posição. Em 2018, o Estado registrou 1.537 mortes em acidentes de trânsito, contra 840 crimes de homicídio, ou seja, quase o dobro.

 

Confira a lista dos estados

Estado Mortes no Trânsito         Homicídios

SP         5.462                                     3.464

MG        4.127                                     3.234

PR         2.712                                     2.088

SC         1.537                                     840

MT         1.143                                     978

PI           1.111                                     615

MS         601                                        480

TO          593                                        412

RO          505                                        448

Total      17.791                                  12.559

Fonte: Seguradora Líder/Divulgação

 

Infração gravíssima


De acordo com o artigo 252 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), é infração “Dirigir o veículo com apenas uma das mãos, exceto quando deva fazer sinais regulamentares de braço, mudar a marcha do veículo ou acionar equipamentos e acessórios do veículo. Parágrafo único: caracteriza-se infração gravíssima no caso de o condutor estar segurando ou manuseando telefone celular” (parágrafo incluído pela Lei nº 13.281/2016)

 

Pedestre, a responsabilidade também é sua!

 

A prioridade no trânsito é do pedestre, sim! Mas isso não quer dizer que o pedestre tem direito a andar como bem quiser, sem respeitar as regras do trânsito. E o uso do aparelho celular – vale também para o uso dos fones de ouvido - enquanto caminha pelas ruas também leva risco: e muito risco, afinal de contas, em um atropelamento, é o pedestre que sempre levará a pior.


Luciane Stobe pontua que esse é um problema grave identificado nas ruas da cidade, tanto em jovens quanto em pessoas de mais idade. Isso porque mandando uma mensagem, ou ouvindo música ele distrai a pessoa da movimentação do trânsito.


“Se você está de fone de ouvido não está escutando o entorno. Então não vai ouvir uma buzina ou uma freada, nem mesmo a sinalização de trânsito. Se as pessoas tivessem a noção do quanto o trânsito mata, guardariam o celular no bolso”, alerta.

 

Quando o pedestre tem prioridade?

 

Stobe lembra que o pedestre tem prioridade no trânsito. No entanto, nas vias semaforizadas da cidade, a prioridade só será dele quando o sinal estiver verde autorizando-o a fazer a travessia.


Ela exemplifica uma situação corriqueira identificada na região central da cidade, onde há semáforos: que é quando o sinal fecha em um dos lados da via e o pedestre consegue fazer a travessia, mesmo com o sinal vermelho para ele. Mas ele desconsidera que no outro sentido da rua, os carros podem fazer a conversão. E como ele conseguiu avançar na primeira pista, ele segue. Aí o carro que precisa converter, precisa parar no sinal aberto, bloqueando todo fluxo, para a passagem do pedestre.


“Muitos ainda brigam com o motorista, “eu sou pedestre, eu estou na faixa”. Você tem prioridade na faixa sim, mas em cruzamentos semaforizados, a preferência é de acordo com o sinal semafórico, que é uma ordem de obediência”, enfatiza Luciane.


Em locais onde não há semáforo, a prioridade é do pedestre, que precisa tomar alguns cuidados. “Eu tenho segurança para atravessar, eu fui visto pelo carro?”, detalha. 

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