Chape paga valor em carteira aos atletas, mas direito de imagem está com 3 meses de atraso

Clube esperava o pagamento de parte do dinheiro da venda de Jandrei

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Atraso era uma palavra ausente do vocabulário financeiro da Chapecoense até pouco tempo atrás. A realidade mudou. O clube do Oeste catarinense está com dificuldade para fazer algo que sempre fez: pagar o salário religiosamente em dia. O valor em carteira foi pago apenas nesta semana, mas as pendências continuam.

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O vice-presidente de Administração e Finanças do Verdão, Paulo Ricardo Magro, confirmou ao Diário do Iguaçu que o pagamento do direito de imagem dos jogadores está com três meses de atraso. Esta modalidade de vencimento corresponde a no máximo, por lei, 40% do montante recebido pelo atleta, com o restante constando em carteira. O direito de imagem deste ano foi renegociado e será pago em 15 parcelas mensais ao invés de 12, ficando a última para abril de 2020.

A diretoria verde-branca esperava o depósito de parte da venda de Jandrei ao Genoa, da Itália. O goleiro foi negociado ainda de dezembro, por 2,4 milhões de euros (cerca de R$ 10,3 milhões na cotação atual). A Chape tem direito a 60% (cerca de R$ 6,5 milhões), enquanto os outros 40% (cerca de R$ 4,3 milhões) são do Tubarão.

O dinheiro dos italianos entrou na conta nesta semana. Assim, a direção quitou ontem o salário dos jogadores referentes a julho (valor em carteira). Os demais funcionários da agremiação receberam na segunda-feira. De acordo com a CLT, os vencimentos deveriam ser pagos até o quinto dia útil do mês, ou seja, na semana passada.

O Verdão não estava recebendo do Genoa e renegociou a dívida. Diante do novo acordo, o time italiano tem mais três parcelas mensais para pagar. Com receita inferior ao que se previa no começo da temporada, o clube depende deste crédito para evitar novos atrasos do salário em carteira.

Quebra de R$ 11 milhões na receita

Ao Diário do Iguaçu, dias atrás, o dirigente Paulo Magro disse que a arrecadação caiu cerca de R$ 11 milhões. A Chapecoense projetava R$ 10 milhões com a venda dos direitos internacionais da Série A do futebol brasileiro e R$ 1 milhão com a realização de um amistoso internacional, situações que não se confirmaram.

A diminuição do quadro social também afeta a saúde financeira. Durante a temporada, cerca de 1,5 mil sócios deixaram de pagar, o que corresponde a R$ 700 mil a menos no orçamento. A cota da TV passou a ser destinada em três momentos (início, meio e fim do ano). Antes era mensalmente, o que facilitava o fluxo de caixa.

Em entrevista à Rádio Chapecó no fim de junho, publicada pelo DI, Paulo Magro admitiu que a Chape teria de buscar entre R$ 18 e R$ 20 milhões para fechar 2019 com as contas equilibradas. Na próxima assembleia ordinária do Conselho Deliberativo, estará em pauta a realização de empréstimo, algo que só será feito se os conselheiros aprovarem. O encontro ocorrerá na noite desta segunda, no hotel Bertaso.

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