Classificação de risco: “Não estamos em situação melhor”, alerta epidemiologista

Classificação de risco passou de gravíssima para grave nas regiões de Chapecó, Xanxerê e Concórdia. Mas ainda é preocupante sim e, dependendo da evolução nos próximos dias, risco pode voltar a ser elevado. Indicadores da região Extremo Oeste se agravaram, conforme último relatório

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As regiões de saúde de Chapecó, Xanxerê e do Alto Uruguai tiveram sua classificação de risco rebaixada de gravíssimo para grave nesta semana, em monitoramento que acompanha o avanço do coronavírus pelo estado e a ocupação hospitalar provocada pela doença. Mas apesar do ‘rebaixamento’, a situação não está melhor, alerta a epidemiologista e consultora do Centro de Operações de Emergência em Saúde (COES) do Governo de SC, Maria Cristina Willemann.

 

Status da região

 

Monitoramento disponibilizado pelo Governo de SC mostra que atualmente a região Oeste registra uma taxa de ocupação de leitos SUS de UTI provocada pelo coronavírus de 70%. Mas individualmente, os hospitais vivem situações complicadas em função da pandemia. Nesta quinta-feira (6), Xanxerê estava com 100% dos leitos de UTI ocupados.


No Hospital Regional do Oeste a taxa era superior aos 80%. Já na Unimed era de 33%. conforme o boletim divulgado no fim da tarde da quarta-feira (6) pela Prefeitura de Chapecó. No Hospital Regional Terezinha Gaio Basso, de São Miguel do Oeste, a taxa de ocupação de UTis Covid vem subindo, e chegou a 44%.


Ainda assim, o novo boletim com classificação de risco do Coronavírus no Estado rebaixou de gravíssimo para grave o status das regiões da regional de Saúde Oeste, da regional de Xanxerê e também do Alto Uruguai.

Mas a situação melhorou de fato? Quais critérios são usados para definir essa mudança? Esse ‘rebaixamento’ não causa uma falsa sensação de tranquilidade na população? O Diário do Iguaçu foi buscar entender essa situação.

 

Situação não é confortável e pode se agravar novamente

 

A epidemiologista e consultora do Centro de Operações de Emergência em Saúde (Coes), do Governo de SC, Maria Cristina Willemann, enfatiza que o fato de as regiões terem mudado para status grave nesta semana, não quer dizer que na próxima a avaliação não considere que a situação voltou a se elevar e classificar como gravíssima.


“Essas regiões classificadas como grave, como Xanxerê e Chapecó, receberam nota 3 na média”, detalhou. E, conforme foi acordado junto às prefeituras, aqueles municípios que tivessem nota acima de três seriam considerados em risco gravíssimo. “Essa nota três não é maior que três, mas está muito perto. Por isso os gestores precisam ter muita cautela ao tomar as decisões. Porque o nível de risco, apesar de ter essa mobilidade, ele não diminui. Temos muitos casos, óbitos registrados, alta taxa de ocupação de leitos, é preciso ter cuidado no interpretar a avaliação de risco e não achar que porque mudou de vermelho para laranja as coisas se resolveram. Pode ser coisa numérica simplesmente”, alertou.

 

Os exames represados no Lacen, podem influenciar na classificação?


A epidemiologista destaca que sim, no entanto ela lembra que todas as regiões estão com muitos exames aguardando resultados. “Então há uma tendência de que só esse indicativo não modifique a classificação. Mas ele é muito importante para entendermos o número de caso e a evolução, e isso sim pode mudar o status”, frisou.


Ela ressaltou que as aglomerações e encontros, mesmo entre a família, provoca o aumento da contaminação, consequentemente a classificação de risco e a necessidade de políticas mais restritivas. “A população precisa entender que ainda não estamos em situação melhor”.

 

Como é determinada a classificação de risco das regiões?


A epidemiologista e consultora do Centro de Operações de Emergência em Saúde (Coes), do Governo de SC explica que a avaliação de risco é feita a partir da combinação de oito indicadores de monitoramento relacionados ao avanço da doença. “Cada dois indicadores destes compõe uma dimensão e cada dimensão recebe uma nota. A média delas determina a cor e o resultado final da avaliação de risco”, comenta a epidemiologista.

 

Classificação em 28/07


A tabela com os dados referentes a matriz do dia 28 de julho (que elevou para gravíssima a situação do Alto Uruguai), mostra que a média nas regional Oeste (que engloba Chapecó e cidades próximas), de Xanxerê e do Alto Uruguai era de 3,25, que determinava a classificação vermelha (gravíssima), no mata de potencial de risco do Estado.


As três regiões apresentavam nota quatro nas dimensões de Isolamento Social, Investigação, Testagem e Isolamento de Casos e na Ampliação de leitos. As três também receberam nota 1 (que classifica como risco moderado), na dimensão da reorganização de fluxos assistenciais. Com isso, as três receberam a mesma nota média de 3,25.


Já a região do Extremo Oeste recebeu nota 2 na média do dia 28 de julho, com nota três (que classifica risco como grave), nas dimensões de isolamento social e investigação e testagem. No quesito Reorganização de fluxos recebeu a nota 1 (moderado), mesma nota na ampliação de leitos.

 


Dados de 27 de julho mostram monitoramento e as notas das regiões de saúde

 

Classificação em 04/08


A mudança que resultou no rebaixamento da classificação de risco das três regiões foi de apenas 0,25 décimos.

Na região do Alto Uruguai, na dimensão de ampliação de leitos – que em 28/07 teve nota quatro – passou à nota três, reduzindo a média da região para três e com isso passando a cor laranja no mapa.


Já na região de Chapecó, o único indicador que mudou foi o de isolamento social, que saiu da pontuação mais crítica (4), para três, e com isso a média da região também baixou para três. O mesmo ocorreu na região de Xanxerê.

 

Agravamento em duas dimensões no Extremo-Oeste

 

Ainda que não tenham mudado de cor, a situação do Extremo-Oeste também se agravou na última semana. A média que era 2 subiu para 2,75, com o agravamento de dois indicadores: Isolamento Social e Investigação e Testagem, que era três (grave), foi elevado para quatro (gravíssima).

 


Dados referentes a semana de 04 de agosto mostram notas das regiões, que determinam classificação de risco

 

 

O que significa cada um dos indicadores?

 

A dimensão Isolamento Social é composta por dois indicadores

Atividade: é medida pela razão de casos ativos nesta data comparados aos ativos há uma semana. Esse indicador aponta se a disseminação do coronavírus na região está em expansão ou em mitigação

 

Dispersão: é calculada pelo número de casos transmissores de coronavírus multiplicado por um valor constante de cada município que apresenta o quanto esse município tem fluxo de pessoas entre ele e os outros. Esses indicadores acompanham a curva de crescimento de casos na região, portanto, ações que permitam conter o avanço da doença impactarão neste indicador, sendo o a restrição de contato por meio de isolamento social e de casos

 

 

Dimensão 2: Investigação, testagem e isolamento

Incidência: mede a taxa de casos novos e casos confirmados de COVID-19 na região. Essa medida permite comparar a quantidade de casos em cada região pois é padronizada pela população local.

 

Sensibilidade: é calculada pela proporção de casos confirmados dentre os suspeitos informados nos bancos de dados oficiais estaduais. Para melhorar a condição nesta dimensão é preciso investir na testagem, busca ativa de casos suspeitos, rastreamento de contatos e informação e também em medidas que contenham o aumento de casos

 

 

Dimensão 3: Reorganização de Fluxos assistenciais:

 

- Ocupação de leitos clínicos reservados COVID-SUS: é medida pela taxa de leitos clínicos do SUS reservados para COVID-19 ocupados dividido pelo número de leitos clínicos reservados para COVID-19 ativos e constantes no Sistema Leitos da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina.

 

- Proporção de profissionais de saúde afastados no contexto do coronavírus: considerando que a falta de profissionais nos estabelecimentos de saúde também é uma condição para determinar sua sobrecarga.

 

Dimensão 4: Ampliação de leitos

 

Ocupação UTI -SUS: é considerada uma medida sentinela da gravidade da doença na região, e é

adicionada da Letalidade.

 

Letalidade: Partir inicialmente do entendimento da razão da alta ocupação, confirmar os casos de COVID-19 são realmente responsáveis pela ocupação; se a razão para casos de COVID-19 serem tão graves estão no grupo populacional atingido na região; se o número de leitos disponíveis realmente é baixa para a região e ações emergenciais de ampliação devem ser tomadas.

 

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