Energia solar: a economia na palma da mão

O empresário Inácio Raduntz buscou na energia solar uma alternativa para economizar com os gastos de luz. Por meio do aplicativo da Renovigi, ele acompanha o quanto de energia ele produz. Saiba como funciona essa nova forma de gerar energia

Bia Piva

bia@diariodoiguacu.com.br

Chapecó

 

É na ponta dos dedos que o empresário Inácio Raduntz acompanha os gastos com energia elétrica dentro de casa. Desde o mês de dezembro, ele conta com 14 painéis fotovoltaicos que captam a energia solar e transformam em eletricidade que é usada na casa onde ele mora com a família em Chapecó.


É pelo aplicativo da empresa Renovigi que ele tem acesso a informações como: a produção de cada uma das 14 placas instaladas no telhado da casa, com demonstrativo de variação de cada hora do dia, o quanto a casa consumiu desta energia e quanto, e se foi necessário, o uso de energia fornecida pela Celesc.


Raduntz explica que ficou sabendo dessa modalidade pela televisão, se interessou e se inscreveu no projeto Minha Energia vem do Sol, da empresa Renovigi de Chapecó.


“Eu via a conta de luz ficar cada vez mais alta. E com o calor, climatizador, sempre aumentava. Além daquela variação das taxas conforme as bandeiras. Com isso comecei a pensar em investir na energia solar”, explica.


O procedimento foi rápido e simples. Após o cadastro, foi feito contato com a Renovigi, depois a escolha de uma das 45 empresas credenciadas em Santa Catarina para fazer a instalação dos painéis, que levou menos de 1 dia e não exigiu nenhuma alteração na casa.


O que mais demorou, segundo o empresário, foi a mudança de padrão que precisava ser feita pela Celesc. No dia 28 de dezembro de 2018 o sistema fotovoltaico começou a funcionar.


O custo para a colocação do sistema foi em torno de R$ 17 mil, mas o investimento deve se pagar nos próximos anos, com a significativa redução nos custos com energia elétrica.


 Já no primeiro mês a redução no valor da conta foi sentida. Se antes a família gastava em torno de R$ 350, a última fatura veio no valor de R$ 185. E ainda deve reduzir mais. “Veio nesse valor porque desde que o sistema começou a funcionar não pegou o mês cheio para o cálculo. Mas meu objetivo é pagar a taxa mínima”, conta o empresário.

 

E vale a pena?


Raduntz salienta que seria importante o governo oferecer mais incentivos para que mais pessoas pudessem adotar essa modalidade de captação de energia. “Se mais gente tivesse acesso a isso, porque diminui o impacto ambiental com hidrelétricas, barragens. Ter mais subsídio do governo seria muito importante”, diz.


Mas para quem tem condições de fazer esse investimento, o empresário recomenda. “É uma energia limpa, não prejudica ninguém e está disponível para todos. Se tiver condições de fazer esse investimento, vale a pena”, destaca.

 

Painéis fotovoltaicos instalados na casa do empresário Inácio Raduntz. Foto: Renovigi

 

Mas você sabe como funciona o sistema fotovoltaico?

 

O engenheiro eletricista da Renovigi Energia Solar de Chapecó, Leonardo Rodrigues, explica que o sistema de painéis fotovoltaicos instalados nos telhados das casas é capaz de absorver a radiação do sol e, através de conversores, transformam essa radiação em energia elétrica para aquela residência.

 

Pode ser instalado em qualquer casa?

 

“Sim. O principal cuidado é com a questão do cabeamento e estrutura elétrica da casa que deve ser capaz de suportar o que o sistema vai produzir. Então o cabeamento e a estrutura têm que ser suficientes. Mas pode ser instalado em qualquer casa”, explica.

 

Quantos painéis precisa colocar?


O cálculo para saber a quantidade de painéis, inversores e disjuntores que serão necessários em casa local é feito com base no cálculo de consumo daquele imóvel nos últimos 12 meses.


O cálculo leva em conta também a variação de produção de energia solar nas diferentes estações do ano, de forma que a produção excedente em meses de muita luminosidade possa compensar a produção menor em épocas como inverno, com longos períodos de chuva ou dias nublados.

 

Norte, sul, leste ou oeste?


A questão da posição do telhado da casa é uma dúvida frequente. Sobre isso, o engenheiro explica que a posição ideal para a maior captação de energia do sol é o telhado virado para a posição norte – que recebe radiação solar em todas os momentos do dia - mas que hoje é possível compensar a quantidade de energia com a instalação de mais painéis.


Ou seja, qualquer que for a orientação solar da casa, é possível captar radiação do sol. “Por exemplo, se eu utilizaria sete módulos em um telhado com frente norte, utilizo 9 módulos para oeste e eu consigo compensar”, conta.

 

Precisa mudar algo dentro de casa?

 

Não. Todo o sistema é automático. “O inversor faz todo o controle da injeção de energia para a rede”. E também não é preciso trocar nenhum aparelho elétrico ou eletrônico.


Leonardo explica ainda que a partir da instalação do sistema, a casa passa a contar com um medidor bidirecional, que contabiliza o quanto as placas geraram de energia e o quanto foi consumido, calculando assim a diferença com relação a cobrança na conta e o padrão de energia junto a concessionária (no caso a Celesc), passa a ser bifásico, para identificar o que é consumido pela casa da energia fornecida pela concessionária e o que é produzido pelas placas e vai para as redes da Celesc.

 

Energia que sobra vira créditos

 

O engenheiro eletricista detalha ainda que o sistema não faz o armazenamento de energia, mas tudo o que é produzido em excesso pela casa vai para a rede da Celesc e se transforma em créditos para o imóvel gerador, que tem um período de 24 meses para consumir esses créditos.


Ou seja, tudo o que é gerado nos meses de maior produção de energia (novembro, dezembro e janeiro), pode ser usado em meses onde a produção tende a cair, como no período do inverno.

 

Energia excedente pode ser usada em outro imóvel

 

Outra possibilidade do sistema de energia solar é justamente na compensação de créditos da energia que é produzida a mais. Se o dono daquela casa onde o sistema for instalado possuir outro imóvel registrado no mesmo CPF, ele pode pedir para fazer a compensação dos créditos naquela residência, em qualquer cidade dentro do estado de SC.

 

A fatura de energia pode zerar?

 

Não. Mesmo que a produção dos painéis seja suficiente para atender toda necessidade da casa, ainda assim o morador paga a taxa mínima para a concessionária – que é referente aos custos de manutenção do sistema entre outras – mas a economia pode chegar a 95% na conta de luz. “Já tivemos retorno de vários clientes que conseguiram isso. Especialmente no caso residencial o objetivo é esse, pagar o mínimo”, diz.

 

Qual é o custo médio para implantação

 

Rodrigues enfatiza que cada caso é analisado individualmente e os valores variam de acordo com as necessidades daquele imóvel, mas o custo gira em torno de R$ 20 mil.

 

É um investimento que se paga?

 

“Com certeza. A garantia de rendimento dos módulos é de 25 anos, e a dos inversores de até 15 anos. Então com uma média de seis anos o sistema acaba se pagando. A pessoa tem retorno do investimento”, diz.

 

E se der temporal, granizo e ventos fortes?

 

Rodrigues destaca que todo o sistema é testado para garantir a resistência em condições climáticas desfavoráveis. “No caso do granizo, que é uma grande preocupação da nossa região, as placas são testadas com um granizo de 7cm e lançado a uma velocidade de 200km/h e ele tem que aguentar. A placa tem sete camadas de espessura e o último vidro é temperado. Com relação aos ventos fortes também, a estrutura é feita para aguentar ventos de alta intensidade”, explica.

 

SC entre os cinco estados com maior geração de energia solar

 

Mapeamento feito pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), divulgado no mês de janeiro de 2019, mostram que cinco estados se destacam na geração de energia elétrica por meio de usinas fotovoltaicas.


Quem lidera a lista é o estado de Minas Gerais, com 21,08% da potência instalada no país. Na segunda posição aparece o Rio Grande do Sul com 15,7% da potência. Em seguida vem São Paulo com 12,2%, Paraná com cerca de 6,1% e o estado de Santa Catarina com 5,4%.


Ainda de acordo com a Absolar, os consumidores residenciais estão no topo da lista em número de sistemas instalados, com 75,5% do total. Em seguida aparecem empresas dos setores de comércio e serviços, com 16,8%, consumidores rurais com 4,3%, industrias com 2,7, poder público com 0,7% e iluminação pública com 0,01%.

 

Isenção de ICMS para energia fotovoltaica

 

De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), o estado é o único que não aderiu a isenção de ICMS para a micro e mini geração solar fotovoltaica.


Todas as demais unidades da Federação aderiram ao Convênio ICMS 16/2015 e, como meio de incentivo às novas fontes de geração distribuída, isentaram do ICMS a energia obtida pelo sistema de compensação (energia fotovoltaica).


Em 2015, o Conselho Nacional da Política Fazendária (Confaz) do Ministério da Fazenda, através do Ajuste SINIEF 2, revogou o convênio que orientava a tributação da energia na rede.


A partir daí, cada Estado passou a decidir se tributa ou não a energia solar que é injetada na rede da distribuidora, por isso a Faesc reinvidica que essa tributação deixe de ser cobrada.


A entidade ressalta ainda que a energia fotovoltaica também tem sido uma boa alternativa no campo, principalmente para os produtores de leite e pontua que com a instalação de painéis solares ou fotovoltaicos na propriedade, o criador garante energia para sistemas de ordenha, tanques de expansão, aquecimento de água, iluminação das instalações, irrigação, ventilação e bombeamento de água e lembrou que Plano Safra 2018/2019 previu linhas de financiamento a juros subsidiados com recursos do BNDES, como o Programa de Incentivo à Inovação Tecnologia da Propriedade Rural (Inovagro).

 

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