“Era algo que só acontecia na casa do vizinho”

Mulher, 47 anos, vive com HIV há cerca de 30 anos

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“É bastante difícil falar sobre o assunto HIV, mas é um desafio que eu quero enfrentar. Faz mais ou menos 25 anos que eu sei que tenho. Acredito que contrai há aproximadamente 30 anos. 

Não sei quem me passou, mas acredito ter sido um dos meus primeiros namorados na juventude. Eu sei dessa data pelo fato da minha filha ter nascido com algumas classificações de que poderia vir a positivar o HIV nela. Com o passar do tempo, isso negativou. 

Eu fui casada. Meu marido não tinha e não teve o vírus. Só eu. Permaneci casada após a descoberta por uns três anos. Depois a gente acabou se separando. Eu tive alguns outros relacionamentos, mas não deram muito certo. 

Quando descobri o HIV foi muito chocante para mim. Era algo que só acontecia na casa do vizinho. Eu nem sabia direito o que era isso ainda. Foi bastante torturante. Eu chorei muito, sofri muito. Tenho uma família muito antiga, muito antiquada. Eles não entenderiam. Então achei melhor não contar e isso permanece até hoje. 

Quem sabe da minha vida são poucas pessoas, amigos que fiz e que confio muito. Mas isso depois de muito tempo, depois de eu passar por períodos intensos de tratamento psicológico. Para mim, o tratamento psicológico em grupo foi uma das melhores coisas que eu busquei. Isso me fez entender que eu sou uma pessoa igual a todas as outras e que não estou sozinha neste mundo.

Mas por causa do preconceito, não dá para falar para todo mundo. Não dá para falar abertamente sobre esse assunto. Eu prefiro manter meu nome em sigilo por esse fato, mas não que isso hoje me incomode muito. Hoje eu estou mais tranquila e consigo viver numa boa. 

Eu já tive muito medo. Medo até mesmo de chegar no Posto de Saúde para buscar a minha medicação. Antes de entrar eu ficava cuidando se não tinha ninguém conhecido por perto. Foram momentos de muito pânico. Hoje eu posso dizer que disso eu estou curada”.


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