Esperança para mudar o futuro

O tema violência doméstica faz parte das discussões em sala de aula com crianças e jovens em Chapecó. Objetivo é propor a discussão, entendimento sobre violências para mudar esse panorama

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Foi com uma dinâmica com música e uma caixinha recheada de perguntas que mais de 40 estudantes da 8ª série da Escola Municipal Jardim do Lago falaram sobre o que acreditam ser violência doméstica e contra a mulher. A atividade foi feita durante uma visita à Câmara de Vereadores de Chapecó, na última semana.


A caixinha pipocava de mão e mão e quando a música parava, o aluno tirava um papel e respondia a uma pergunta. 'O que é violência doméstica'; 'por que as vítimas não denunciam?'; 'quem pode mudar essa situação'. Perguntas simples, mas difíceis de responder. Algumas delas vinham acompanhadas dos títulos de matérias de jornal relatando situações ocorridas na nossa cidade.


Algumas respostas vinham tímidas, outras traziam um relato de violência vivenciado pelo estudante, outras contavam com a colaboração das psicólogas da Secretaria de Educação de Chapecó, dos professores da escola e também da vereadora Marcilei Vignatti que promoveu a atividade. Mas todas as perguntas e respostas incentivavam o diálogo e que os jovens se comunicassem para falar seus entendimentos de violência e o que é preciso para mudar.


E é justamente educando o presente que se pretende mudar a realidade do futuro. Por isso, a temática do respeito às diversidades e também da violência fazem parte das atividades escolares cada vez mais cedo. Os assuntos são abordados de formas diferentes, adequadas às idades das turmas e vão evoluindo ano a ano.


A professora Maria Luiza Pereira Anderson, da disciplina de história e Direitos Humanos, conta que com os 8º ano, utiliza contos e também reportagens sobre violência para incentivar a discussão. "Dados, reportagens, para que os alunos entendam o que é. Também falamso da Lei Maria da Penha, como é feita a proteção à mulher", comenta.


Segundo ela, as reações ocorrem de formas diferentes. "Com as meninas, percebo uma receptividade grande. O choque com as matérias, algumas vezes pela identificação de alguma situação, ou ainda por medo. Já os meninos acabam se surpreendendo, porque não imaginavam ou porque não tiveram contato com a gravidade do problema. Mas é um choque para todos eles", comenta.


As psicólogas da Secretaria Municipal de Educação, Carline Dal'maso e Luciana Lora, acompanharam a atividade. Elas destacam que durante todo ano são feitos trabalhos com as escolas e, nas unidades onde são identificados problemas, é feito um trabalho direcionado.


"Equipes do Rede Catarina, também da OAB vão às escolas para falar com os estudantes. No setor psicossocial da secretaria também fazemos o atendimento a situações de denúncias que chegam pelos estudantes. Fazemos a orientação para as escolas e acompanhamos os encaminhamentos", explicam.


Segundo elas, em várias atividades é possível perceber que os alunos acabam reconhecendo as situações debatidas. "Percebemos esse reconhecimento e que as falas deles são compatíveis. Vemos ali que alguns vivem em situação de violência", comentam. Por isso da importância de levar o debate e o entendimento aos estudantes.  "Quanto mais cedo acontecer essa conscientização, a tendência é diminuirmos a violência e não naturalizarmos ela".

 

Atividade na câmara


A escola do Jardim do Lago foi uma das 11 unidades que já participaram da atividade desde que ela entrou em vigor, em 2017. Está prevista na Lei 7009/2017, que trata do projeto de Ações socioeducativas do Legislativo, entre elas, trabalhar com crianças das escolas municipais a prevenção e conscientização das formas de violência contra a mulher. Nestes três anos, mais de 600 estudantes participaram do projeto.


Para a vereadora Marcilei Vignatti, o principal deste projeto é que os jovens debatam o tema de maneira coletiva, em um espaço diferente e de forma madura. "Temos que apostar na juventude como um grupo social que vai ajudar a gente a enfrentar a violência. Eles podem dar a contribuição que a sociedade adulta não conseguiu dar. No sentido de perceber as situações na sua casa, do seu vizinho, entre eles também e não permitir nenhum tipo de violência", destaca.


A vereadora reforça que a violência não está em um único lugar e que apesar da mulher ser a vítima direta, ela deixa outras marcas. "Os homens também são vítimas, o agressor muitas vezes foi uma vítima. Precisamos encarar a violência como tema da sociedade e não responsabilidade das mulheres", finaliza.

 

200 novos processos todos os meses no Judiciário

 

Dados do 1º Juizado Especial Criminal e de Violência Doméstica de Chapecó mostram que na unidade tramitam atualmente aproximadamente dois mil processos/procedimentos relacionados à Lei Maria da Penha. Deste total, oito deles são de crimes de feminicídios.


Mensalmente, o juizado recebe, em média, 200 novos processos, e expede cerca de 80 medidas protetivas para vítimas de violência doméstica.


“A situação preponderante para a maioria dos casos que chegam até o Juizado envolve a combinação de ingestão de álcool ou drogas, somados aos ciúmes/traição. A desconfiança no uso de redes sociais potencializa esses distúrbios afetivos e psicológicos que reascendem o machismo e sentimento de posse sobre a mulher, que infelizmente desaguam na violência contra a companheira”, aponta o Juizado.


Chapecó conta com uma das Varas especializadas no assunto no Estado e a unidade conta com o mesmo juiz titular desde o final do ano de 2014. A unidade é especializada, mas não é exclusiva. Mas as projeções de crescimento na demanda, em breve, devem exigir que ela seja separada das outras atribuições e transformada em unidade exclusiva para esse tipo de ação.


Segundo o Juizado, concentrar esses atendimentos em uma única vara, favorece o conhecimento do magistrado, traz aumento na produtividade e garante uniformidade de tratamento, com decisões mais rápidas e justas.


Sobre as causas do aumento dessa violência, o juizado separa dois aspectos que podem ter influência nesses números. Entre eles, o aumento populacional e do adoecimento moral e sentimental da sociedade.


“Também pode decorrer da redução dos casos de subnotificação, maior informação e conscientização da vítima, e até mesmo a maior efetividade do trabalho da Polícia, MPSC e Judiciário. A redução desse tipo de ocorrência, necessariamente passa por um incremento sério na educação e mudanças culturais e comportamentais, com o resgate dos melhores valores”, aponta.

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