Esperança para os moradores do Loteamento Cadore

As obras para implantação da infraestrutura estão em andamento e nesta semana iniciou a pavimentação asfáltica em algumas ruas. Ação judicial decidirá o futuro dos compradores dos lotes no local

Uma mudança há muito esperada por moradores do Loteamento Cadore está acontecendo.


Após 10 anos de impasses e problemas devido a irregularidades no local e na venda de lotes, as obras de pavimentação e infraestrutura estão em andamento.


Nesta terça-feira (23), equipes da empresa Britter Rodovias iniciaram os trabalhos de pavimentação asfáltica nas ruas do loteamento, que agora se chama Don Leonardo. Os trabalhos de colocação de infraestrutura começaram ainda em 2018, conta o proprietário da Britter, Evandro Baldissera.


De lá para cá, duas equipes com cerca de 30 trabalhadores atuam para executar serviços de drenagem, pavimentação e toda infraestrutura necessária no local.


O empresário estima que serão em torno de 70 mil metros quadrados de áreas que receberão pavimentação e 30 mil metros de calçadas. “Hoje a obra deve estar entre 18 e 20% executada.


Até o fim deste mês, se o tempo permitir, queremos chegar aos 30%. A drenagem já está 60% executada e começamos a pavimentar as ruas”, detalha Baldissera. O prazo para conclusão total dos trabalhos de infraestrutura vai até agosto de 2020.


Ele explica ainda que a evolução das obras é medida duas vezes por mês pela Prefeitura de Chapecó, que acompanha o cronograma de metas que a Britter deve cumprir na execução dos serviços, mas pontua que há um atraso nos trabalhos provocados principalmente pela questão climática. “Tivemos muita dificuldade com a chuva, tempo ruim que impossibilita os serviços e nos impediu de avançar mais”, disse.


Sobre o atraso nas obras no loteamento, a advogada Rose dos Passos, do escritório Mauricio Solano, Salles & Passos Advogados Associados, explica que por iniciativa do promotor responsável pelo caso, foi concedido um prazo para a regularização das obras, sob pena de rescisão contratual.


O loteamento possui 579 lotes, com tamanhos entre 360m2 a 600m2. Como a situação no local está judicializada, é proibida a venda das unidades até que a regularização seja concluída.

 

 

Máquinas começaram a fazer a pavimentação das ruas do loteamento. Foto: Bia Piva/Diário do Iguaçu

 

Ação judicial e atendimento aos compradores

 

O caso envolvendo o loteamento é alvo de uma Ação Civil Pública e por isso, ainda em 2018, o juiz da 1ª Vara da Fazenda e Registros Públicos da comarca de Chapecó nomeou o escritório Mauricio Solano, Salles & Passos Advogados Associados como administrador judicial do processo.


A advogada Rose dos Passos contou à reportagem do Diário do Iguaçu que os atendimentos aos compradores ainda seguem sendo feitos, com o levantamento de documentos.


Os trabalhos começaram em agosto de 2018 e devem ser concluídos em agosto deste ano. Ela orienta que caso algum comprador não tenha sido atendido, que entre em contato com o escritório para agendar um horário. O telefone é 3323-4036.


Em 2018, o processo já contabilizava mais de sete mil páginas e centenas de compradores de lotes. Após o levantamento de todos os dados referentes a compra e venda das unidades, o administrador judicial fará um relatório que será enviado ao Juiz.


Este material especificará individualmente cada comprador, lote comprado e data da compra. O documento será analisado pelo Ministério Público e pela Justiça e caberá ao juiz responsável pelo caso a sentença sobre o processo.


“Nosso escritório está fazendo os atendimentos para apresentação do referido relatório, porém, não temos poder algum de decisão sobre o destino dos lotes e o direito dos contratantes; posto esta decisão ser exclusiva do judiciário”, ressalta a advogada.

 

Esperança que se renova

 

Ver as máquinas trabalhando no local, renova as esperanças da dona de casa, Eleonir Pescador de Fáveri. Ela mora no Loteamento Don Leonardo (como foi rebatizado o Loteamento Cadore), desde 2012 e viveu de perto toda a dificuldade com os problemas de falta de estrutura e abandono.


“Foi muito sofrido, principalmente pela falta de luz. Foi uma batalha muito grande até conseguirmos na Justiça que a Celesc colocasse o poste aqui”, lembra a moradora.


Além da falta de luz, a dificuldade de acesso era outro grande atrapalho para os moradores. “Antes, para a gente conseguir sair daqui, tínhamos que comprar o cascalho, pegar o caminhão da empresa que o meu marido trabalhava e nos fins de semana despejar aqui. Nós espalhávamos de enxada o cascalho para o carro passar, senão não tinha quem saísse daqui”, conta.


A infraestrutura do local ainda não está pronta, mas para dona Eleonir a retomada das atividades já melhorou as condições do loteamento. “Agora está tudo limpo, as máquinas trabalhando nas ruas. Antes era uma capoeira que não dava para enxergar nada. Melhorou bastante”, conta.


Apesar de viver tantos anos no local, ela ainda sente insegurança sobre qual será o destino da família, pois estão entre os moradores que compraram e não receberam a escritura do terreno.  Ela explica que já encaminhou a documentação de compra para o escritório de advocacia nomeado como administrador judicial.


“Quando compramos tudo parecia certo, tinha até poste de luz na época, começamos a construir para morar no que era da gente, não pagar aluguel. Dias depois eles cortaram a luz, embargaram tudo e começou todo esse problema. Eu não vou abrir mão, não vou abandonar tudo o que eu investi. Vendemos tudo para comprar aqui”, lembra a dona de casa.




Foto: Bia Piva/Diário do Iguaçu

1 COMENTÁRIO(S)

  1. Boa tarde! Acredito que a imprensa deveria se informar melhor sobre o assunto do loteamento Cadore, pois 80% dos compradores de terreno lá vão ficar sem o mesmo. O ministério publico que deveria ajudar os moradores, deu para a empresa que está fazendo a infra estrutura mais de 100 terrenos, o mesmo com quem vai fazer a elétrica. E quem de fato pagou pelos terrenos vai ficar sem, e até hoje ninguém foi punido por vender o mesmo terreno a 6 ou 7 pessoas. entrem em contato com a promotoria.

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