Hospitais do Oeste relatam falta de profissionais e medicamentos para o combate à covid-19

Apesar da chegada de novos respiradores, unidades hospitalares não conseguem contratar profissionais para compor as equipes que atuam no combate à pandemia. Dificuldade na compra de remédios também é realidade destacada pelos hospitais de Xanxerê e São Miguel do Oeste

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Uma das grandes preocupações no início ao combate da pandemia de coronavírus eram os respiradores para ativação de leitos de UTI, para atendimento de casos graves da doença. Agora que os hospitais do Estado receberam os respiradores, a ativação dos leitos esbarram em outro problema grave: a falta de profissionais para atuar junto aos novos leitos de UTI e falta de medicamentos, especialmente sedativos e anestésicos para uso nos pacientes em Unidades de Terapia Intensiva.

 

Falta de profissionais de enfermagem

 

Na manhã desta segunda-feira (29), a direção do Hospital Regional São Paulo de Xanxerê divulgou uma carta pública informando a comunidade sobre as dificuldades para a implantação dos novos leitos de UTI Covid-19.


De acordo com a carta, assinada pelos diretores do HRSP, Fábio Lunkes (diretor administrativo); Neusa Luiz (diretora geral); e Mário Marques (diretor técnico), os gestores do hospital informaram que dos 500 funcionários do hospital, 69 deles precisaram ser afastados das funções por integrarem grupo de risco e/ou por serem diagnosticados com coronavírus.


Deste número, 39 eram profissionais da Enfermagem, fato que prejudicou a rotina de atendimentos e levando risco da paralisação de várias atividades. “Pois não há no mercado da região profissionais habilitados para a contratação e possibilitar a reposição destes afastados”, salientou a nota do HRSP.

 

Falta de repasse de recursos


Outro fator apontado pelo hospital de Xanxerê é de que até o momento não houve o devido repasse do total dos recursos financeiros por parte do Governo do Estado. Segundo o hospital, os recursos federais foram creditados na conta de SC ainda em 8 de maio deste ano.


O HRSP citou ainda que em função da pandemia, foram suspensos os procedimentos eletivos, principalmente os de alta complexidade, fato que afetou diretamente as receitas do hospital, com redução que chegou a 70% nas receitas da unidade hospitalar.


Falta ou dificuldade na compra de medicamentos


Outro grave problema apontado na nota é a questão envolvendo os medicamentos utilizados para o tratamento de pacientes. A maioria deles de anestésicos e sedativos para uso nos pacientes internados nos leitos de UTI.

Muitos deles estão em falta nacional e, os que ainda estão disponíveis, tiveram um aumento expressivo no preço, alguns deles com aumento de 810% no preço (Dormire 50mg), outros apresentam elevação de 425% (omeoprazol 40mg), entre outros.

 

Aumento no preço dos insumos


Outra questão detalhada na carta pública foi o aumento substancial no custo por itens de uso das equipes médicas, os chamados Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). O documento aponta um aumento de 4300% nos custos da máscara descartável com elástico (Caixa com 50 unidades); de 950% no valor das máscaras N95 PFF2 e de 515% nos custos de aventais descartáveis. As luvas descartáveis tiveram aumentos variando de 180% a 230%.

 

Novos leitos não podem ser ativados


Devido a estes fatores, a direção do HRSP informou ao Governo do Estado – de que mesmo recebendo mais respiradores, não tem recursos humanos para colocar mais leitos em operação. Em 03/06/2020 a direção do hospital encaminhou ofício ao secretário de Estado da Saúde alertando-o quanto as necessidades e dificuldades.


Por isso, a nota reforça que o HRSP está “impossibilitado pela carência na oferta de profissionais de enfermagem no mercado, sendo possível selecionar apenas dois profissionais (técnico e enfermeiro) dos 25 necessários para a abertura dos leitos”, salientou.

 

Cenário semelhante em São Miguel do Oeste


O Hospital Regional Terezinha Gaio Basso, de São Miguel do Oeste, vive um cenário semelhante. Conforme a assessoria do HRTGB, as escalas das equipes médicas e assistenciais estão sendo fechadas e profissionais sendo contratados com muita dificuldade. “A aquisição de medicamentos está sendo feita, mas a falta de alguns no mercado é um problema enfrentado no país todo”, informou o hospital.


A unidade hospitalar atualmente conta com uma taxa de ocupação de 55% com cinco pacientes internados em nove leitos disponíveis, sendo dois pacientes de outras regiões. “Os novos leitos serão ativados quando surgir a necessidade de abertura de Uti, sendo que serão perdidos leitos clínicos. É preciso frisar que a falta de medicamento dificultará a ativação dos novos leitos’, reforçou a assessoria hospitalar.


O hospital ainda informou que o Estado foi notificado de todas as dificuldades e que já está tratando sobre a transferência de pacientes em leitos clínicos de outras patologias.

 

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