Idosa com covid-19 precisa viajar 500 km por um leito de UTI

Paciente de Itapema percorreu sete horas de ambulância para ser internada em Concórdia

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Bruno Pace Dori
politica@diadiodoiguacu.com.br

O caso de uma paciente de Itapema, com covid-19, que precisava de um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e foi transferida para o hospital São Francisco, em Concórdia, ainda não está totalmente explicado. O jornal Diário do Iguaçu buscou entender a questão, porém, o que ficou evidente é a falta de comunicação entre as Prefeituras e a Central Estadual de Regulação Ambulatorial (CERA), vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (SES) e que gerência o assunto.

A paciente, uma idosa de 82 anos e que possui outras doenças, estava internada em um leito de Terapia Semi-Intensiva do Hospital Santo Antônio, em Itapema. O estado de saúde da idosa piorou e no domingo (12) ela precisou ser transferida para um leito de UTI. Mas, em virtude de uma série de desencontros entre a Prefeitura de Itapema e a CERA, a paciente esperou cerca de 20 horas até ser transferida para Concórdia, mesmo com vagas em UTI em locais próximos.

As respostas para o episódio são divergentes. Conforme a prefeita de Itapema, Nilza Simas, o pedido à Central de Regulação de Itajaí foi feito às 7h40. Nilza ressaltou que ao longo do dia foi insistido neste pedido e que o retorno foi dado por volta das 15h, com informação de que não havia mais vagas disponíveis nas UTIs da região de Itapema, que ainda compreende o Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, e o Hospital Ruth Cardoso, em Balneário Camboriú.

Também conforme a prefeita, no final da noite, a Central de Regulação informou que a idosa deveria ser transferida para Concórdia, que fica a 500 quilômetros de Itapema. O traslado foi realizado com a única ambulância do município, em uma viagem de cerca de sete horas. Ainda, Nilza ressaltou que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, porém, teria se negado a fazer o transporte, pois foi dito que não seria na região e precisava traslado.

Secretaria de Saúde e Samu contestam

A Secretaria de Estado da Saúde foi questionada sobre o caso. De acordo com a assessoria, não procede a versão da Prefeitura de Itapema de que a Central de Regulação teria demorado para responder sobre a transferência da paciente. “A Secretaria de Estado da Saúde informa que a transferência ocorreu à revelia da Central de Regulação e ainda do Samu. O médico regulador ofereceu vagas em localidades mais próximas, o que foi negado pelo referido município”, diz.

Por nota, o Samu de Santa Catarina também se manifestou. Foi afirmado que de fato a ligação chegou à Central de Regulação no domingo. Porém, que houve questionamento por parte do médico regulador sobre um transporte tão rigoroso e delicado para a paciente, tendo em vista a distância de cerca de 500 quilômetros entre Itapema até Concórdia, o que envolveria o uso de mais de uma equipe e de mais de uma viatura para fazer a transferência desta paciente.

“O médico regulador realizou buscas por outros leitos disponíveis nesta macrorregião, mais próximos de Itapema e que não necessitariam de uma viagem desta magnitude. Portanto, o Samu jamais se recusou a fazer o transporte, apenas ofereceu uma saída mais viável, algo que foi prontamente negado pela Prefeitura, que preferiu um transporte mais demorado e instável para a paciente, o que culminou em viagem de sete horas, com recursos próprios da cidade”.

Os Hospitais Marieta e Ruth Cardoso contam com leitos de UTI livres. O Marieta tem 50 leitos pelo SUS, sendo que dez estavam livres. Já no Ruth Cardoso são outros 26 leitos de UTI para as pessoas com a doença, com quatro deles livres. O dado é do boletim divulgado pelo Estado na tarde de segunda-feira (13). Na terça-feira (14), devido à mudança na forma de contabilizar os leitos de UTI desocupados, o sistema passava por ajustes e essa informação não estava disponível.

A situação em Concórdia

A assessoria de imprensa do Hospital São Francisco, em Concórdia, confirmou que a paciente de Itapema deu entrada no local na madrugada de segunda-feira. Porém, não foi informado de que forma foi feito o contato para que a idosa fosse internada no local. O São Francisco conta com 50 leitos para pacientes com covid-19, sendo 34 de enfermaria e 16 de leitos de UTIs. O município de Concórdia registrou 1.496 pessoas com coronavírus, até a atualização de terça-feira.

Segundo o boletim divulgado do fim da tarde de terça pelo Hospital São Francisco, três pacientes estão internados em leitos de UTI, sendo dois casos suspeitos – um deles, a idosa de Itapema – e um caso confirmado. Na enfermaria, dez pessoas estão internadas, com seis casos considerados suspeitos e quatro confirmados. Apenas um dos casos de pessoas internadas é de paciente morador de fora da região da Associação dos Municípios do Alto Uruguai (Amauc).

Os números em Chapecó

A Prefeitura de Chapecó, através da Secretaria de Saúde, informou que não houve pedido de transferências de pacientes de outras regiões para o Hospital Regional do Oeste (HRO). Porém, observa que isso pode ocorrer entre Central de Regulação e a unidade hospitalar. Conforme a última atualização, na manhã de terça-feira, o município contabiliza 3.331 casos de covid-19, com 387 pacientes ativos com a doença e outros 399 que aguardam resultados de exames.

Ainda de acordo com a Prefeitura de Chapecó, o município conta com um total de 130 leitos para covid-19, sendo 69 de enfermaria e 61 de UTI, no Sistema Único de Saúde (SUS) e na rede privada. Nos dados apresentados ontem, um total de 24 pacientes estão internados em leitos de UTI, o que corresponde a 39% de ocupação, e outras 22 pessoas internadas em leitos de enfermaria, ou seja, 32%. Esses 46 casos incluem os diagnóstico positivo e os casos suspeitos.

Dos pacientes internados na UTI, 18 são moradores de Chapecó, sendo que 16 têm diagnóstico positivo para covid-19 e outros dois são casos suspeitos, que aguardam resultado dos exames. As outras seis pessoas internadas na UTI residem em cidades da região Oeste. Na enfermaria, dos 22 internados, 14 residem Chapecó, sendo nove casos confirmados e cinco suspeitos. Os outros oito moram no Oeste, sendo três com diagnóstico positivo e cinco aguardam exames.

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