Já pensou em ir de bike para o trabalho?

A bicicleta é uma opção para evitar congestionamentos, exercitar o corpo e aproveitar o tempo livre. Mas antes de sair pedalando alguns cuidados são necessários para enfrentar o trânsito

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 Levantar cedinho para ir trabalhar pode deixar muita gente mal-humorada, mas este não é o caso de Igor Gasparetto. Sair mais cedo de casa faz parte da sua rotina há alguns meses, quando ele passou a usar a bicicleta como meio de transporte.


Ela, que há 10 anos é sua companheira de pedais e lazer, passou a ser sua companhia para ir ao trabalho. Todos os dias são 3 quilômetros percorridos do bairro Vila Real até a Giro Bike, no centro, onde trabalha. O trajeto é feito em 10 minutos, muito mais rápido do que se ele fosse de carro ou até mesmo de ônibus.


A praticidade, a agilidade e o vento no rosto o fizeram optar pela bicicleta. No entanto, apesar de ser mais rápido - são só alguns minutos pedalando - ele precisou mudar seus hábitos. É preciso sair antes de casa, por exemplo, pois imprevistos podem acontecer. Um pneu pode furar, a chuva pode começar. Mas ele não vê problema nisso. “É só se programar.


A bicicleta não tem todo o conforto de um carro, mas você se adapta. Consegue utilizar ela para tudo”. Ao ser questionado se voltaria a usar o carro, ele afirma que não, não voltaria.


Trânsito chapecoense x bicicleta 


Desde que começou a usar a bicicleta, Igor nunca se envolveu em um acidente. Para ele, os motoristas chapecoenses respeitam o ciclista. “Todo mundo conhece alguém que anda de bicicleta, então se colocam no lugar”. Apesar de nada ter acontecido enquanto divide as ruas com outros veículos, o ciclista sente falta de uma ciclovia. Tanto para andar com mais segurança, quanto para incentivar outras pessoas a usarem a bicicleta como meio de locomoção.


O proprietário da Giro Bike, Rony Fontana, comenta que muitas vezes as pessoas nem pensam na possibilidade de usar a bicicleta como meio de transporte por conta das subidas de Chapecó. Mas segundo ele, isso não é um problema, pois o ciclista pode criar uma rota diferente, por caminhos planos. “Quando ele começa a pedalar, vai conhecendo a cidade, sentindo seu ritmo e levando em conta suas necessidades”.


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O que diz a legislação? 


Infelizmente as ciclovias e ciclofaixas não fazem parte da realidade dos ciclistas chapecoenses, que precisam dividir e muitas vezes “disputar” um espaço na rua com carros e motos. Mas este lugar também é dela. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) considera a bicicleta um veículo, portanto, ela precisa seguir regras e normas.


A instrutora teórica e prática da Auto Escola Cometa, Fabiane Lawisch, explica que quando não houver ciclovias ou ciclofaixas, o ciclista deve andar na rua (Art.58). “Quando a sinalização permitir, os ciclistas poderão transitar sobre calçadas e passeios. Caso contrário, fica proibida a circulação destes em calçadas”, destaca. 


Por ser menor em comparação aos outros veículos, a bicicleta tem prioridade para circular. Está no Art. 29 do CTB: “os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres”.


Para dar match


Para que o relacionamento entre o ciclista e os outros condutores dê certo, Rony destaca a importância de estabelecer uma conexão. Ambos têm os mesmos direitos de trafegar na pista. É preciso respeito. “É preciso mostrar que você está ali. Viu que um veículo está se aproximando? Faz um sinal, pede para ele reduzir a velocidade. Ele vai entender, ultrapassar com uma distância de segurança e capaz de buzinar cumprimentando de volta. É aquele velho ditado: gentileza gera gentileza”, finaliza.


Equipamentos de segurança


Para circular corretamente e de forma segura nas vias, o CTB estabelece alguns itens de segurança obrigatórios para bicicletas, como a campainha, sinalização dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo (Art.105). De acordo com Rony, os sinalizadores ajudam o ciclista a ser “visto” no trânsito, por isso é fundamental utilizar os equipamentos durante o dia. O capacete é um item indispensável, mas vale relembrar. 


Quero trocar o carro pela bike, e agora? Para quem está pensando em trocar o carro pela bicicleta, Rony dá algumas dicas:


  • Domingo de manhã é o melhor dia para pedalar e criar rotas
  • Evite horários de pico
  • Invista em uma boa sinalização
  • Escute os veículos ao seu redor
  • Estabeleça uma conexão com os outros condutores
  • Se programe com antecedência


Paixão pelas duas rodas contagiou a família


Há quase três anos o vendedor Tiago Gnoatto começou a andar de bicicleta. No começo, pedalava sozinho por Chapecó, mas pensando em ter uma companhia e para aproveitar o tempo com seu sobrinho de 1 ano e meio, ele comprou uma cadeirinha para a bike. Alguns anos depois, os dois ganharam uma nova companhia: Israel, filho de Tiago, que também compartilha a paixão pelas duas rodas.


Tiago conta as crianças não podem vê-lo pegando a bicicleta que já querem sair andar pela cidade com ele. “Eles se agarram em mim e querem ir junto. Quando preciso ir sozinho, vou escondido”, compartilha. Quando pedala com os pequenos, geralmente é no fim de semana, no domingo de manhã, quando o trânsito é mais tranquilo. O trajeto é o mesmo: a Avenida Getúlio Vargas.


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Para os passeios, a cadeirinha, o cinto e o capacete são indispensáveis. Cada um tem o seu e sabe que precisa usar. Por onde passam, as pessoas admiram a alegria dos primos. Tiago relata que alguns até pedem para tirar foto.


Por enquanto, nenhum dos dois anda sozinho de bicicleta. Henrique, agora com quatro anos, dá suas primeiras pedaladas com um modelo de rodinhas. Israel, de 1 ano, ainda tem tempo, para a alegria do pai. “Espero pedalar muito com eles”, finaliza.

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