Michel Gazola, dirigente da Chape: Se não tivesse condições de estar na função, teria negado

Após a demissão do diretor executivo de futebol Newton Drummond, no fim de junho, o supervisor Michel Gazola foi promovido ao cargo de gerente de futebol. Confira o que ele disse em entrevista ao Diário do Iguaçu

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MUDANÇA DE CARGO

“Claro que a gente pensa em ter salários e cargos melhores, agora, quando vim pra cá, não imaginava que tão rapidamente fosse acontecer isso, até porque havia pessoas da mais altíssima qualidade trabalhando. As oportunidades surgem quando a pessoa menos imagina, geralmente é assim. Embora existam padrinhos e amizades no futebol, quem não tem trabalho não se sustenta. Se não tivesse condições de estar na função (gerente), teria negado. Não adianta pensar apenas no dinheiro, porque é um cargo que não te dá estabilidade no futebol. O cargo de supervisor dá isso, o de gerente não”.

 

VINDA A CHAPECÓ

“Vim pra cá, não conhecia ninguém, mas quando cheguei falei para o presidente (Plínio David De Nes Filho), para o Rui (Costa, então executivo de futebol) e ao Maringá (então gerente de futebol): ‘vou levar a família e minha vida vai ser na Chapecoense, não mais ser em Caxias do Sul (RS). Agora eu sou de Chapecó. Não tenho mais nada em Caxias, só familiares, que nas férias os visito durante dois, três dias, porque o futebol nos tira um pouco da privacidade”.

 

EXPERIÊNCIA

“Há diferença grande entre estar na Chapecoense, na Série A, e estar no Juventude, na Série D. Agora, naquela época, trabalhava-se sem ter nada de dinheiro, sempre pensando em vender um jogador para bancar as despesas. A gente criou experiência na época em gestão de vestiário, porque não é nada fácil administrar momento de crise, onde falta dinheiro para pagar salário. E como se saiu disso? Com o esforço de quem está no vestiário. Aqui, na Chapecoense, todo mundo entende a situação (dificuldades financeiras) e todos os setores abraçam a causa. Isso dá muito força às pessoas que trabalham diretamente no campo conseguirem executar melhor o seu trabalho. Se dentro de campo as coisas não funcionarem, fora também não vai haver dificuldade. Vamos nos dedicar ao máximo”.

 

SEM CONTRATAÇÕES

“Nós estamos em um momento que precisamos dar muita confiança a quem está aqui. Se nós não acreditássemos no elenco, iríamos contratar, de uma forma ou de outra. O pessoal que está aqui tem demonstrado capacidade nos últimos jogos. A questão financeira é um impeditivo. Estamos às vésperas de fechar as inscrições para o Brasileiro, temos só mais este mês. Investir em um atleta que esteja jogando em alto nível é preciso ter um poder aquisitivo alto. Contratar, agora, um jogador que está sem jogar é complicado, porque pode demorar para entrar em forma. Vamos apostar em quem está aqui. Se aparecer uma situação vantajosa, não se descarta, mas a possibilidade de isso acontecer (contratação) é muito pequena. Temos que ser um time brigador, mas com qualidade técnica, e os jogadores aqui têm”.

 

SEQUÊNCIA

“Não podemos deixar de falar é que o que vinha sendo feito pelas pessoas que estavam aqui antes não estava errado. Pode não estar dando o resultado esperado, mas o que está sendo feito agora é uma sequência. Não se mudou tudo, mas alguns detalhes ajustados fizeram com que os jogadores tivessem mais confiança neles mesmo. Agora, temos de fazer que isso (o trabalho) seja o suficiente para sairmos da situação que a gente está”.

 

LIDERANÇAS

“Temos um elenco com muitas pessoas com característica de liderança. Não temos um líder, o cara, o que decide tudo. A gente tem muitos jogadores que exercem essa liderança, isso faz a diferença para nós. Alguns estavam um pouco acanhados, outras chegaram há pouco tempo, mas agora alinhamos todos. O grupo se fechou. Temos momentos no vestiário que seis, sete, oito jogadores falam. Tem também comissão técnica, diretoria. Sabemos o momento certo de cobrar e elogiar. O equilíbrio faz com que o time se fortaleça. Sem o espírito guerreiro da Chapecoense não vamos conquistar os objetivos. Recuperamos a alma da Chape, agora temos a missão de recuperar o torcedor. Os resultados vão fazer com que eles retornem, aí vamos fechar o ciclo e ficaremos mais fortes ainda”.

 

PREPARAÇÃO FÍSICA

“A permanência do Alexandre Lopes, preparador físico, foi um ganho muito grande. Embora alguns jogadores fossem questionados, temos total certeza que ele é um dos melhores preparadores físicos do Brasil, por isso optamos pela permanência dele na comissão fixa do clube. O Augusto e o Gustavo Campanharo vinham sem uma sequência em comparação aos demais. Também estão atuando em uma função que exige mais. Tenho certeza que em mais um ou dois jogos eles estarão jogando os 90 minutos. Por que eles saem (no segundo tempo)? Para não correr o risco de se lesionar. Os jogadores são monitorados. A preparação física não preocupa, vamos conseguir jogar quarta e domingo sem problema algum. Há outros atletas que podem entrar e até virar titulares”.

 

VENDAS DE JOGADORES

“A janela de transferência internacional ainda está aberta para saída de jogadores. Existe sempre uma preocupação, mas, pelo que venho conversando com o presidente, acho bem difícil de acontecer isso. Embora uma venda de atleta pudesse resolver muito das questões financeiras do clube, a diretoria está fazendo um esforço para que isso não seja necessário e continuemos com um elenco forte até o fim da competição”.

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