Motoristas embriagados deixaram 609 feridos e 30 mortos em 2019 em SC

Dados são da PRF e referentes ao período de 1º de janeiro a 9 de setembro de 2019. Número de multas já passa de 5,1 mil, quase o valor total do ano de 2018

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“Não adianta chorar depois. Por beber e assumir a direção de um veículo, você pode ser o causador de um acidente que vai matar ou deixar sequelas em outras pessoas e você carregará a culpa pelo resto da vida”, esse alerta – para não dizer um choque de realidade – é do inspetor da Polícia Rodoviária Federal Luiz Grazziano, falando a respeito de um hábito, infelizmente, muito comum, dos motoristas: beber e dirigir.


Além do alerta, Grazziano aponta dados muito preocupantes registrados pela PRF. Até o dia 9 de setembro de 2019, a PRF multou 5.172 motoristas embriagados flagrados nas BRs do Estado. Esse número representa 99,3% das autuações feitas em todo o ano de 2018, que chegaram a 5.205 autuações.


Ou seja, faltando três meses para o fim do ano, Santa Catarina já alcançou quase o total de multas dos 12 meses do ano anterior. Não bastasse o número elevado, o cenário não é animador: isso porque agora iniciam os períodos mais quentes com a chegada da primavera e verão, época em que costumeiramente as pessoas fazem o consumo de álcool e pegam as estradas, seja para curtir os feriados, época de férias, ou momentos de lazer com os dias mais quentes.

 

Fiscalização no Oeste

 

A situação dos flagrantes de motoristas embriagados também se repete no Oeste. Conforme dados da PRF, em todo ano de 2018 foram 711 multas por embriaguez nas estradas da região, na área da 7ª Delegacia de Polícia Rodoviária Federal. Neste ano, até o dia 9 de setembro, o número já chega a 424 casos, que representa 59% do total de multas expedidas em todo ano anterior.

 

Álcool + direção = 609 feridos e 30 mortos

 

Pelo menos 30 famílias choraram por perder uma pessoa querida em acidentes provocados por condutores embriagados envolvidos em acidentes nas BRs catarinenses em 2019. Entre essas vítimas estão os próprios motoristas, passageiros, ou ainda pessoas de outros veículos vítimas da falta de respeito e imprudência de quem ainda finge acreditar que não tem problema em beber e dirigir.


O inspetor reforça que o álcool está entre as principais causas de acidentes nas rodovias do país. Segundo Grazziano, ele aparece como a causa principal de 10% dos acidentes e 10% das mortes registradas nas BRs de SC em 2019.


Levantamento feito até o dia 9 de setembro de 2019, mostra que a PRF registrou 5.698 acidentes que deixaram 6.647 feridos e tiraram a vida de 282 pessoas. Deste total, 621 acidentes foram provocados por condutores embriagados, que deixaram 609 feridos e 30 mortos. O número equivale a 10% dos acidentes, do número de feridos e do número de mortes nas estradas do estado.


Pode até parecer um número baixo, mas o policial destaca que esses 10% são referentes a situações constatadas e confirmadas pela PRF no momento dos acidentes.


“A gente acredita que esse número é subdimensionado. Isso porque tem inúmeros acidentes causados pela embriaguez, mas que a gente não consegue constatar: ou porque o condutor morreu? Ou porque foi hospitalizado e não conseguimos confirmar na hora se estava ou não embriagado. Então esses 10% são de casos onde o álcool é a principal causa verificada pelos policiais”, comenta.


A principal causa dos acidentes registrados no estado ainda são provocadas pelo excesso de velocidade, falta de atenção e ultrapassagens forçadas, segundo a PRF.

 

Punições

 

Grazziano lembra que em situações onde o motorista foi autuado bêbado, ele terá a carteira de habilitação cassada por um ano, receberá uma multa de R$ 2.934,70. No caso do condutor embriagado se envolver em um acidente de trânsito, o inspetor lembra que a seguradora não pagará o prejuízo do condutor, que terá que desembolsar os valores do conserto do carro.

 

Família precisa dar o exemplo

 

O álcool está presente na maioria das festas, encontros entre familiares, amigos. Mas ninguém é obrigado a beber. Bebe quem quer, e há muito tempo não se pode usar a desculpa de: “ah, eu não sabia que não podia”, ou ainda “não é perigoso, eu bebo e fico de boa”. As notícias de tragédias provocadas pelo álcool são estampadas em veículos de comunicação de todo país.


E para mudar essa situação, o policial destaca que a família tem um papel fundamental e ele começa pelo exemplo. “Muitas famílias vão em confraternizações e bebem. E na hora de voltar o pai pega o volante alcoolizado na frente dos filhos. E quando eles crescem, repetem essa prática que viram o pai fazer”, pontua e enfatiza. “As famílias têm que entrar nessa luta, os pais precisam dar o exemplo, se posicionar e não permitir que o filho pegue a direção sabendo que vai em um evento onde sabe que ele vai beber”, orienta.

 

Perigo maior nas estradas

 

Em qualquer lugar, o consumo de álcool compromete a capacidade psicomotora, de resposta e reação seja de condutores, ciclistas, pedestres... mas o risco é potencializado quando estamos na estrada, quando a velocidade permitida é superior e a quantidade de carros, motos, ônibus e veículos longos como caminhões e carretas e muito maior.


Somado a isso, o relevo acidentado das BRs, também pelo estado ser cortado predominantemente por pistas simples, aumentam a gravidade das batidas. “Temos muitos acidentes envolvendo veículos de grande porte, como caminhões e carretas, e quando você soma esse fator às velocidades e o impacto com um veículo de grande porte, as consequências são muito mais graves”, alerta.

              

 

 

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