“O desafio é estar sempre na vanguarda”, diz reitor da Unochapecó

Neste sábado (4), a Fundação Universitária do Desenvolvimento do Oeste (Fundeste), mantenedora da Unochapecó, completa 50 anos de fundação. Com sua trajetória marcada pelo pioneirismo na educação superior do Oeste de SC, a fundação e a universidade se preparam para os desafios que virão nos próximos anos, com a reinvenção da forma de ensinar, o novo perfil de estudantes e das novas profissões que estão surgindo. O Diário do Iguaçu conversou com o professor e reitor da Unochapecó, Cláudio Jacoski, sobre os desafios que se desenham no presente e no futuro das instituições.

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Muita coisa mudou nestes 50 anos da Fundeste e, consequentemente, da Unochapecó. O que o senhor destaca?


É uma longa história, caminhada grande. Observando esses 50 anos, lembramos que a Fundeste começou lá no Bairro Seminário, trazendo professores da capital do Estado para lecionar no curso de pedagogia, lá em 1972. Eu imagino as dificuldades que os gestores daquela época tiveram para dar início ao processo. Hoje vivemos outros tipos de desafios.


E nos dias atuais, acreditamos que a sustentabilidade é o principal tema que lidamos, além das grandes mudanças na forma de ensino. O que sentimos de mais recente, e a pandemia de Coronavírus acelerou essa transição, é a compreensão das mudanças dos processos metodológicos de aprendizagem que tende a mudar significativamente. Eu acredito que essa será a principal mudança nos próximos anos.

 

O ensino à distância é uma realidade?

 

Temos 11 cursos EAD (Ensino à Distância) em funcionamento na Unochapecó. Começamos esse processo na nossa gestão acreditando que EAD é um caminho sem volta. Já observávamos essa transição e a pandemia acelerou entre 5 a 10 anos o processo. O professores tiveram que se reinventar em poucos dias ou semanas com o mundo virtual e começar a dar aula.


E em poucos anos eu acredito – e essa é a conversa que temos também nas associações que eu participo - de que essa distinção e EAD e o ensino presencial tende a desaparecer. Vai ser natural observarmos isso nas instituições, porque o que importa é que você consiga as melhores condições para ensinar seu estudante.

 

Como a Uno está se preparando para essa transição?

 

Nós estamos em momento importante, porque demos início a uma restruturação acadêmica de toda a Unochapecó. Temos regime de créditos e vamos migrar para um regime seriado, que vai fazer diferença nos processos internos. Mas o mais importante é que nós criaremos para o próximo ciclo de estudantes, que entrarão a partir de 2021, um outro modelo que se chamará Aprendizagem Baseada na Experiência (ABEX).


Nele, para as aulas teóricas que aconteciam presencialmente, há uma tendência de usarmos as ferramentas tecnológicas que estamos usando agora. Porém, a gente acredita que a experiência profissional que precisamos passar para o estudante precisa acontecer desde o primeiro momento, no primeiro período de aulas com o relacionamento muito mais efetivo dele com o setor produtivo relacionado àquela profissão. Ele vai vivenciar aquela a realidade desde o primeiro período com a ABEX.

 

Como fica a questão do acesso às ferramentas tecnológicas?


Em muitos momentos nós ouvimos sobre essa questão da dificuldade no acesso à tecnologia, embora alguns estudos mostram que boa parte da população brasileira possui um celular ligado à internet. E das ferramentas que oferecemos na Unochapecó, nenhuma delas exige o uso do computador, o acesso pode ser a partir do celular, com uma internet 3G, para assistir e se envolver com as atividades da universidade.


Na Unochapecó existem alguns casos de alunos que não possuem equipamentos, e para eles nós oferecemos chromebooks que podem ser retirados na Biblioteca e eles podem levar para casa. Nós oferecemos essa condição diferenciada ao nosso estudante. Claro que atividades práticas, de desenho, cálculos complexos, com outro nível de complexidade nós tratamos de uma outra forma.

 

 

Cada vez mais a importância do ensino e da educação fica mais evidente. O que podemos esperar para os próximos 50 anos com relação à educação superior?


Somos uma instituição de Nota 5. Nos orgulhamos de estarmos entre os 5% das instituições que chegam a essa condição no país. O papel que realizamos como instituição comunitária, de relacionamento com a comunidade, formação de qualidade com os profissionais egressos tem que continuar e a gente vai seguir nesse caminho. Porém, nós ganhamos alguns outros elementos para os próximos 50 anos.


A gente acredita que a Universidade precisa criar uma relação cada vez mais efetiva com os setores produtivos. Precisamos acelerar o processo de absorção do conhecimento. E isso se faz com a nossa aproximação com cada um dos setores produtivos da comunidade.


Outra questão importante é que as universidades ganham importância na produção cientifica local. Nosso papel é partir de agora também é gerar conhecimento, tecnologia e soluções para a região. Nesse aspecto, o Parque Científico Tecnológico Chapecó@, que com a inauguração dele prevista para este ano, a gente terá esse local físico de relacionamento com os setores produtivos para que cada vez mais possamos dar respostas à comunidade.


Por esse novo modelo de universidade que estamos falando, muito mais próxima do dia a dia das profissões, e não aquela universidade fechada entre seus muros e ninguém sabia o que acontecia lá. A partir de agora a universidade se abre e faz uma relação muito mais direta com a sociedade e a comunidade.


Apesar disso, a gente já tem a lógica e a estrutura de funcionamento dele já ocorrendo, por conta da Rede Inovação que criamos com belos resultados, com crescimento de Startups, relacionamento com empresas crescendo, mas o local físico é importante para o estabelecimento de empresas para o relacionamento com os nossos estudantes.

 

E quais são os planos da Unochapecó?


Vamos gerar uma estrutura para fazer relacionamento com os nossos colégios de ensino médio, para que possamos usar as prerrogativas da Base Nacional Comum Curricular, gerando espaços na universidade para que os colégios da região possam ter na Unochapecó o espaço dos seus itinerários formativos que são regidos pela BNCC. A gente já se colocou à disposição de alguns colégios para ser um local onde a gente vai tentar associar essa condição com a estruturação de alguns cursos técnicos dentro da Uno. Já estamos com um projeto aprovado no Ministério da Educação do primeiro curso técnico em Enfermagem. Esse vai ser o primeiro e já sai no segundo semestre.


Além disso, estamos desenhando um projeto do Colégio do Ensino Médio da Unochapecó. Deve sair em 2021, claro que vamos depender da aprovação do Conselho Estadual e outros trâmites legais, mas o projeto está muito bem desenhado. E este colégio vem também com modelo  ABEX, o mesmo modelo que a Uno vai ter nos seus cursos de graduação. É uma mudança bastante grande que vamos fazer para os próximos anos e com certeza a sociedade vai sentir essa mudança, porque queremos alunos diferenciados na linha de aprendizagem, para que possamos formar um conjunto com massa crítica diferenciada na região.

  

O perfil dos estudantes mudou? Como foi essa mudança?

 

A diferença é bastante grande. Os alunos chegam agora com carga tecnológica grande e com muita experiência no uso dessas ferramentas. E a universidade precisa ter condição de seguir nessa lógica, não podemos retroceder.


Ele também atua de forma mais individual, tem sua forma de aprender mais individualizada e nós não podemos continuar com a universidade formando no modelo ‘industrial’, colocando um aluno atrás do outro e querendo que o professor ensine e todos tenham a mesma compreensão. Isso não é possível, porque cada pessoa tem sua individualidade e a partir daí ela tem o seu desenvolvimento. O que estamos pensando é que esses alunos, ao serem recebidos na universidade, eles tenham um tratamento diferenciado.

 

Como é a preparação dos professores para essa nova realidade?

 

Nós estamos terminando um curso de especialização dentro da universidade para nossos coordenadores e professores, baseado em metodologias ativas, preparando uma renovação da forma de ensino que vamos adotar a partir de 2021. Todos eles foram treinados e capacitados para preparar o aluno, ter uma formação por competência e habilidade.


Esses são dois temas que que ligarão os métodos que vamos assumir, com um reconhecimento mais individualizado e acompanhamento mais próximo. E temos uma série de tecnologias que criamos na própria universidade, como por exemplo o Raio-X. Conseguimos individualizar o rendimento de uma sala de aula ou de um aluno, para que o professor acompanhe a resposta que ele está dando.

Também estamos fazendo na área da gestão universitária, uma revolução no uso de ferramentas para poder acompanhar esses processos.

 

Quais áreas o reitor acredita que serão mais procuradas nos próximos anos?

 

Temos que compreender que com os avanços tecnológicos, da inteligência artificial, internet das coisas, teremos cada vez menos o uso braçal e o uso do ser humano para atividades que não sejam intelectuais. Essa é uma grande dica. Toda atividade repetitiva e de armazenamento de informações será feita por máquinas.


Agora, tudo o que necessita de uma decisão intelectual da mente humana, tudo isso a gente vai ter como crescimento no futuro. E muitas profissões irão mudar com isso, praticamente todas terão uma evolução em sua forma de atuar. Teremos profissões novas, não tenho dúvidas disso. E onde se encaixa a universidade? É ela que precisa dar o tom dessas modificações. Estamos discutindo a possibilidade de termos alguns cursos que possam tramitar entre duas profissões. Cursos que possam trazer as necessidades da sociedade. Outras atividades que ainda vão surgir. O futuro será muito diferente do que imaginamos hoje.

 

 

O senhor está há 20 anos na Unochapecó. Naquela época, esperava ver tantas mudanças na forma de ensino?

 

Eu entrei na Unochapecó nos anos 2000. Se parar e lembrar no que eu pensava nos primeiros dias de aula e o que temos hoje a mudança é significativa. Mas nós aceleramos muito. Essa experiência de aulas remotas deu uma mexida em vários professores da instituição, porque em uma semana tivemos que mudar toda uma lógica de preparação e organização das aulas, de apresentar a disciplina, e isso é um caminho sem volta.


Nossos alunos, que são jovens e adultos, não tiveram tantas dificuldades para se adaptar, e a migração aconteceu sem transtornos. Muitos comentam que gostaram tanto que até terão dificuldade em não continuar dessa forma. Precisávamos fazer esse avanço. A experiência da aula presencial não será eliminada, mas o virtual virá como um somatório de esforços.


A vivência em laboratório, nas clínicas, escritórios, nos espaços daquela profissão. E vamos avançar muito com espaços criativos, porque acreditamos que tem elementos presenciais que podem ajudar o aluno a avançar. E dar a ele essa vivência na profissão, são coisas complementares

 

É um novo momento para a universidade?


Chegou o momento de fazer essa nova etapa da Unochapecó. Acreditamos que esses 50 anos mostraram o caminho de sucesso e agora temos que ser ousados para mexer com a instituição, deixá-la cada vez mais perto e mais aberta à comunidade.


Nesta semana reunimos 11 empresas para apresentar os resultados que os alunos desenvolveram para resolver os problemas que elas tinham. E isso é o que queremos fazer, de dar respostas às demandas que a sociedade tem, soluções para vários setores. Fazer entregas e melhorar as condições da comunidade da nossa região. Os próximos 50 anos continuarão sendo de pioneirismo.


Temos esse desafio de estar sempre na vanguarda, se colocar à frente da história para poder fazer com que a nossa região se desenvolva. A gente sabe o quanto ainda conseguimos ser o local de busca de conhecimento, de produção de ciência, crescemos nas áreas dos mestrados e doutorados. 

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