Otimismo, sempre! Fazer as coisas bem-feitas, diz presidente da Cooperalfa

Em um momento cheio de incertezas tanto econômicas quanto políticas, o presidente da Cooperalfa, Romeo Bet, faz uma avaliação dos últimos 60 dias. Em entrevista, faz uma avaliação do posicionamento do setor, das agroindústrias e dos investimentos da Alfa em meio a pandemia.

- Publicidade -
 

Julmir Ceccon | O Cooperalfa | Especial


Na sua opinião situação da economia do país em meio à pandemia?
É extremamente preocupante e grave, juntamente com a situação política. Viramos para 2020 com um dólar na faixa de R$ 4 e agora disparou, batendo praticamente a R$ 6,00 em meados de maio. Isso desnorteou a todos. Quem atua com negócios de grandes volumes, volumosos, não se sabe se compra hoje, se vende amanhã. Parece ser sempre um tiro no escuro.
 
Qual o cenário atual das cooperativas e agroindústrias?
Por incrível que pareça, com o câmbio supervalorizado, aquela fatia de produtos exportados - no caso da Aurora Alimentos são cerca de 20% -, está sendo bem valorizada. É alta a procura internacional por carnes. Esse fator ajuda a manter as atividades agropecuárias internamente. Tivemos um quadrimestre bom em 2020, com boa safra e preços compensadores, e resultados animadores. O agricultor está satisfeito e, com ele, efetivamos negócios, a exemplo do Galpão Cheio Alfa, pois a equivalência de troca beneficiou, naquele momento, o comprador. Se o dólar estabilizar, ou cair, lógico que o cenário muda. Como isso ninguém sabe se vai acontecer, a sugestão que damos ao associado é que compre o que precisa e se tranquilize.
 
Proteínas, como aves, leite e suínos, seria possível ver os próximos meses?
A não ser que haja uma reviravolta, algum fato novo, a tendência das proteínas continuará de satisfatória a boa, seja para as indústrias, seja para o produtor. Exceção seja feita ao leite, cujo preço não está tão compatível quanto deveria. Caso a procura de fora por carnes continue acelerada, deveremos ter um 2021 bem interessante.  
 
Com a atual volatilidade do dólar, como está o planejamento logístico para a chegada dos insumos. Vamos dar conta de cumprir prazos?
Sim, estamos adiantados. Antes mesmo da virada do ano, já compramos alguns estoques e no início de 2020 operamos mais compras. Estamos aproveitando a ida de soja ao porto, para os fretes de retorno. E os compradores podem ficar tranquilos. Na hora do plantio, todos os pedidos serão atendidos.

Em relação aos investimentos, a Alfa está em que nível?
O bom senso indica levantar o pé do acelerador, exceto naqueles planos que já estavam em andamento. Os demais projetos, colocamos as barbas de molho. Com a elevada compra de cereais (soja e milho) a preços altos e grandes volumes, tivemos que contrair financiamentos a curto prazo. Em três ou quatro meses, vamos observar muito bem quais investimentos poderão ser contratados. Tudo vai depender dos resultados gerais da cooperativa e isso, hoje (fim de maio), são uma incógnita.

Há um grande investimento previsto para quase R$ 300 milhões, que é a nova indústria de soja da Tomazelli. Em que pé está?
A terraplanagem está praticamente finalizada, e o ´coração´ da indústria (extração), que soma em torno de R$ 70 milhões, já foi contratado e em breve deveremos estar levantando mais recursos, para mais um passo da obra. Tudo deverá estar concluído no fim de 2022, se nada de estranho atravessar o caminho. 
 
Em 2019, a frota técnica da Alfa girou 103 voltas na Terra prestando assistência, com mais de 4 milhões de quilômetros rodados. Como fica esse serviço para esse período, incluindo eventos?
Tivemos uma certa interrupção nos contatos presenciais, momentaneamente. Tão logo se normalize a situação, pretendemos manter o mesmo ritmo. Os programas sociais foram suspensos (Jovens, liderança, mulheres). Se os encontros puderem ser feitos com segurança, vamos retomar tão logo sejam permitidos pelas autoridades competentes.
 
A Cooperalfa vai continuar executando o CDA?
Sim, este ano não tivemos e em 2021, já decidimos que, também não. Porém, provavelmente em 2022 retornaremos. Para isso, estamos preparando nova área, pelo menos para os sócios do RS, MS e Oeste.
 
Que outros destaques o senhor apontaria, os quais não foram aqui indagados?
Todos os dias, assinamos adesão de novos sócios, sendo a maioria, jovens. Isso é bom! As diretorias futuras deverão olhar com carinho para esse movimento de mudanças. Tenho absoluta segurança na continuidade da cooperativa. É evidente que a Alfa, nos próximos anos, terá que ser repaginada, em algum sentido. Se tudo muda, não é a cooperativa que vai ficar paralisada. Esse papel caberá à próxima diretoria a parir de janeiro de 2021, o de acompanhar essa evolução. Exceção a alguma catástrofe, como essa do vírus e a do cenário político atual, a Alfa deverá se manter firme. O papel primeiro é da Alfa, é o de continuar gerando segurança para que os cooperados consigam negociar com tranquilidade e confiança.
 
Como o senhor se sente, hoje, à frente da Alfa, já perto de findar seu 3º mandato?
Na saúde, me sinto bem. Claro, na minha idade, é natural perder um pouco o vigor. No fim ano, como rotina, certamente uma avaliação geral de minhas condições físicas será necessária. Independe de mim, tudo deve prosseguir, e bem! Quem estiver no comando, caso eu não esteja, que possa ter o mesmo equilíbrio e o mesmo discernimento, assim como foram as gestões anteriores. E que ninguém esqueça da essência da Alfa que é o de cuidar dos negócios com seriedade e das pessoas. 
 
Que recado o senhor deixa para os associados?
Otimismo, sempre! Fazer as coisas bem-feitas. Cada um na sua atividade, buscar seu espaço, inovar, pois a evolução tecnológica é impressionante. Assumir e executar. Uma lavoura bem conduzida, o produtor de leite assimilar a assistência técnica, melhorar a genética e o produto final, da mesma forma o suinocultor e o avicultor. Por ora, talvez, não avançar o sinal em termos de negócios. E que, o mais rápido possível, tudo fique mais claro em relação a essa pandemia. Que o Menino Jesus proteja a cada um pois, tendo saúde, temos mais prazer em relação à vida e a tudo aquilo que precisa ser feito.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Economia empresarial: conheça as 6 principais crises das empresas
Pequenos negócios apresentam sinais de lenta reação diante da pandemia, diz pesquisa do Sebrae
Bons preços compensaram perdas da safra de verão em SC
BRDE abre inscrições para apoio a projetos por meio de incentivos fiscais
72% das exportações catarinenses foram do agronegócio
Índice de confiança do consumidor chapecoense aumenta 9,60% de junho para julho
Planos de telefonia móvel reduzem custos das empresas em até 80%
Bares e restaurantes: 5 dicas para organizar o estabelecimento na pandemia
Fapesc prorroga inscrições para programa de pré-incubação de ideias
Concórdia quer ser um dos principais destinos turísticos do interior catarinense