Pais que amam, colocam os filhos na cadeirinha

Dispositivo reduz significativamente os riscos de lesões e mortes de crianças em acidentes de trânsito. De 2006 a 2016, SC teve uma redução de 52% no número de acidentes de trânsito envolvendo crianças

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A turminha do barulho que está nesta foto são os irmãos Joaquim Smaniotto, de dois anos e meio, Cecília, de seis e Julia, de nove anos. O pequeno ainda não entende a importância de estar na cadeirinha, mas as irmãs mais velhas já sabem que para a segurança delas – e tranquilidade dos pais – os três só andam de carro com os equipamentos adequados para a idade de cada um dos irmãos.


A mãe dos pequenos, Juliane Zanin, comenta que às vezes as meninas maiores pedem para andar no banco da frente e aí é que entra o papel dos pais de orientar e explicar porque tem que ficar no banco de trás do carro, usando o cinto, o assento ou ainda a cadeirinha no caso do pequeno. “Fora o fato de ser uma lei, é pela segurança deles. A gente explica que tem que usar o cinto, tem que ficar quietinho e se comportar”, conta.


Juliane aponta ainda que saber que os filhos estão colocados corretamente no carro dá mais tranquilidade também por conta da quantidade de acidentes de trânsito. “Ficamos mais seguros. Porque a gente pode não ser o causador de um acidente, mas são nossos filhos que estão aí. Vemos tantos acidentes, é tão perigoso”, destaca.


Joaquim, que tem 2 anos e meio, fica devidamente acomodado na cadeirinha (programada para crianças com idades entre 1 a 4 anos). Já a Cecília, que tem seis anos, usa o assento de elevação, que deverá usar até os sete anos e meio, conforme prevê o CTB. Já a Júlia, de nove anos, usa o cinto de três pontas, mas ainda senta no banco de trás. Mas só por mais alguns meses, já que no início de 2020 ela completa 10 anos e poderá sentar no banco da frente também.

 

Dados que assustam

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma criança morre a cada quatro minutos no trânsito do mundo. Dados analisados pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV) em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), mostram que somente em 2016, o Brasil registrou 1,292 mortes de crianças de 0 a 14 anos em acidentes de trânsito (com informações do sistema DataSus. Isso quer dizer que 3,5 crianças morrem por dia no país, que equivalem a 105 vidas perdidas.


O levantamento detalhou ainda que a maioria das crianças vítimas fatais destes acidentes são pedestres ou ciclistas (35%). Outros 30% das vítimas fatais seriam ocupantes de automóveis, provavelmente por falta do uso da cadeirinha.

 

Números em queda

 

Apesar de os números serem preocupantes, o Brasil tem registrado uma queda no número de mortes no trânsito envolvendo crianças até 14 anos. Em Santa Catarina, de 2006 a 2016, a redução foi de 52%.


Neste período, o estado que teve maior redução foi o Amapá, com 71%; seguido de Roraima com 67%, Rio Grande do Norte com redução de 64%; São Paulo teve redução de 61%; Rio de Janeiro – redução de 57%; Rio Grande do Sul – redução de 54%; Rondônia – redução de 53%; SC aparece em 7º lugar.

 

Crianças sem cadeirinhas

 

O coordenador do estudo, professor e doutor da UFPR, Jorge Tiago Bastos, comenta que a partir deste estudo, foi feito uma análise mais dedicada para a faixa etária de 0 a 4 anos.


“Devido a serem esses os “usuários-alvo” de medidas como os dispositivos de retenção (bebê conforto e cadeirinha). Considerando as mortes nesta faixa etária e sendo as vítimas ocupantes de automóvel, houve um aumento de 16% das vítimas fatais no país nos últimos 11 anos (passando de 134 para 155). Isso reforça ainda mais a importância dos sistemas de retenção como a cadeirinha, que reduzem a probabilidade de lesões fatais em cerca de 70% entre bebês e de 54% a 80% entre as crianças menores”, destacou.


Outro ponto ressaltado pelo ONSV é que o crescimento da frota no país, que era de 28 milhões em 2006 e chegou a 51 milhões em 2016, o que também pode ter influenciado o número de mortes de crianças de 0 a 4 anos.



Cadeirinha reduz os riscos de lesões e mortes

 

O professor de legislação de Trânsito da Unochapecó e graduado em Segurança no Trânsito, Vitor Bueno da Silva, comenta que o não uso do dispositivo de retenção para crianças de 0 a 1 aumenta em até 70% a chance de lesões em um acidente de trânsito. Para crianças entre 1 e 4 anos, o risco é de 54% a 80% a mais, caso ela esteja fora da cadeirinha adequada para sua idade


Além do risco real de provocar a morte ou lesões graves nos filhos, o não uso da cadeirinha é infração gravíssima, com sete pontos na CNH do condutor e mais multa de R$ 293,47.


A Secretária de Defesa do Cidadão e Mobilidade Urbana (Sedemob), Luciane Stobe, reforça o alerta sobre a importância da cadeirinha. “Motorista e passageiros: usem sempre cinto de segurança. E filho vai no banco de trás. Mãe que ama, coloca o filho no banco de trás. É preferível que ele chore no banco de trás, porque o cinto reduz em 65% o risco de morte de criança. Então imagine que sem o cinto você está aumentando em 65% de risco do seu filho morrer se ele estiver no teu colo ou sem a cadeirinha.” Stobe

 

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