Processo da Chapecoense: Confira o que dizem os acusados

Diário do Iguaçu procurou as partes citadas na ação que tramita na Justiça

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Oito pessoas foram acusadas pelo judiciário por má aplicação de dinheiro público municipal que deveria ser utilizado pela Associação Chapecoense de Futebol em modalidades amadoras, como as categorias de base. A ação tramita na 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Chapecó, sem segredo de Justiça. O ato de improbidade administrativa teria sido cometido em 2010.

O juiz Rogério Carlos Demarchi, titular da unidade, determinou a citação dos envolvidos: João Rodrigues e Ivan Carlos Agnoletto, que eram, respectivamente, prefeito e secretário de Juventude, Esporte e Lazer de Chapecó à época; os ex-presidentes do Verdão Cleimar Spessatto, Luiz Alberto Crispim, Nei Roque “Maidana” Mohr e Sandro Pallaoro – representada no processo pela viúva Vanusa Nicola Pallaoro –, e os dirigentes financeiros da Chape na ocasião Ivan Tozzo e Geraldo Santin.

Conforme nota da Justiça, uma associação foi criada (Associação de Ex-Atletas e Colaboradores da ACF) para receber R$ 450 mil do Município e que a verba acabou usada na equipe profissional, ferindo a lei. O convênio com a entidade foi assinado pelo prefeito e o secretário para os recursos serem aplicados no esporte amador. Os envolvidos têm prazo de 15 dias para apresentarem defesa. O Diário do Iguaçu ouviu os acusados.

 

JOÃO RODRIGUES

Fiquei extremamente surpreso com essa notícia. Em 2009, assim como eu fiz em 2005, 2006, 2007 e 2008, nós apoiamos o esporte amador de Chapecó como nunca foi feito, até pelos valores repassados, onde Chapecó participou com brilhantismo nos Jogos Abertos de Santa Catarina. A Associação dos Ex-Atletas e Colaboradores da ACF, criada pela Chapecoense, tinha a missão de receber recursos públicos para investir no esporte amador, nas categorias de base do clube. O convênio não foi feito com a Associação Chapecoense de Futebol, porque é futebol profissional e não pode receber recursos públicos. Sancionei a lei e liberei duas parcelas no ano de 2010, daí em março renunciei ao mandato (para concorrer ao cargo de deputado federal). O dinheiro era, por lei, para investir no esporte amador, assim a Associação do Ex-atletas e Colaboradores o fez. Ocorre que depois fiquei sabendo que acabaram prestando contas com parte dos recursos do profissional. Daria pouco mais de R$ 100 mil à época que estava em desacordo com o convênio e com a lei. A Chapecoense, ao identificar isso, e isso o presidente Sandro Pallaoro fez um gesto de hombridade, juntamente com todos os diretores, corrigiu os valores e depositaram em juízo. Esse dinheiro está em uma conta do judiciário à disposição da prefeitura de Chapecó. Então, cabe à entidade conveniada fazer a aplicação dos recursos. Que culpa tem o prefeito que apenas sancionou uma lei e liberou o recurso? Além de ver o nome da gente envolvido em algo que não está errado, você vê o nome do Sandro Pallaoro, falecido tragicamente. Está a esposa arrolada, com ela também respondendo uma ação. É óbvio que a Justiça, ao analisar tudo isso que está comprovado em documentos, haverá de fazer a boa justiça, mas esse desgaste, esse transtorno, este inferno que as pessoas acabam vivendo injustamente, não é possível. Tenho como um grande erro do Ministério Público, que poderia ter tido a sensibilidade de analisar, primeiro, onde está o erro. O erro não é em sancionar uma lei e liberar os recursos. Isso está dentro da lei. Segundo, a associação dos ex-atletas não era uma associação fictícia, existia, prestava contas. Não funcionou um ano, foram vários anos. Terceiro: as categorias de base da Chapecoense representaram Chapecó em várias atividades Estado a fora. O esporte de bairro, das crianças mais carentes, foi fomentado pelo espírito da Chapecoense. Fico extremamente triste ao ver que um ato legal, que teve uma inconformidade e a parte que cometeu a inconformidade corrigiu em tempo e devolveu os recursos. Desnecessária esta ação.

 

IVAN CARLOS AGNOLETTO

Na verdade, não há nada de irregular em relação ao repasse. Inclusive, passou pela própria Câmara de Vereadores. Tem lei. Acontece que, dos R$ 450 mil, pagos em 10 parcelas de R$ 45 mil mensais, R$ 106 mil foram usados de forma errada. A entidade (Chapecoense) reconheceu que foi usada de forma errada, acabou devolvendo o dinheiro, à época eram R$ 106 mil. O montante final ficou em R$ 211 mil, porque houve, claro, o cálculo de juros e correção monetária. A Chapecoense devolveu os R$ 211 mil. Causa-me surpresa esta ação, porque tudo foi feito dentro da lei, apenas a entidade usou de forma errada parte do dinheiro. Imaginava que o caso estava encerrado, até porque o prejuízo causado na aplicação errada pela entidade já foi devolvido aos cofres públicos.

 

VANUSA NICOLA PALLAORO

O dinheiro já havia sido repassado para a Chapecoense quando o Sandro (Pallaoro) assumiu a presidência. Lembro-me que o Sandro e a diretoria, quando o clube recebeu a notificação, procuraram todas as notas e devolveram o dinheiro em depósito judicial. Foi um erro na hora de prestar contas.

 

CLEIMAR SPESSATTO

Na época (2010), eu era vice-presidente (assumiu a presidência no segundo semestre daquele ano). O convênio existia desde o tempo do Edir De Marco (presidente da Chapecoense do fim de 2005 até o fim de 2008, morto na tragédia aérea de 2016 na Colômbia). A Câmara de Vereadores aprovou o dinheiro para as categorias de base. Na hora de prestar contas, ficou entendido que nem todo o recurso foi para o amador, entenderam que parte foi para o profissional. O Sandro Pallaoro (presidente de dezembro de 2010 até o desastre com o avião da Chape em novembro de 2016), juntamente com o jurídico, resolveu devolver a parte que foi para o futebol profissional. Não sei por que foram mexer neste assunto novamente.

 

NEI ROQUE “MAIDANA” MOHR

Todo mundo sabe que, na época (ele presidiu a Chape do fim de 2008 até maio de 2010), foi um equívoco na prestação de contas. O dinheiro acabou devolvido. A gente lamenta que, mais uma vez, você tem que estar se defendendo de uma coisa que não fez, apenas um equívoco. Lamentável. Tirava dinheiro do bolso para ir ao clube ajudar e ainda tem que estar se defendendo e vendo matérias na internet com o nome da pessoa. Muita gente lê e sugere que você fez algo errado. Chego à conclusão que não vale à pena estar se expondo, deixando as tuas coisas, para ajudar o clube.

 

LUIZ ALBERTO CRISPIM

Fundei com o Betinho (Carlos Alberto Silva, ex-jogador e dirigente do clube) e vários pessoas conhecidas que estão na cidade ainda a Associação de Ex-Atletas e Colaboradores da ACF, em 2001 ou 2002. Foi um baque muito grande para mim (ser citado no processo), sempre dediquei o meu nome à Chapecoense com a maior honestidade possível. Estou tranquilo, porque sei o que eu fiz, de consciência assinei, em benefício da Chapecoense.

 

IVAN TOZZO

Em 2009 e 2010, a Chapecoense recebeu uma verba da prefeitura. Pagamos o futsal, que na época estava vinculado ao clube, as categorias de base e, por equívoco, o profissional. Era uma época de vacas magras na Chape, não sabíamos que o valor não poderia ser usado no profissional. Fomos notificados em 2014. Reconhecemos o erro e devolvemos o dinheiro, R$ 211 mil. Achávamos que este assunto estava resolvido, mas apareceu de novo. Vamos ter que depor. Estou com a consciência tranquila.

 

GERALDO SANTIN

Só fui notificado em abril deste ano, nove anos depois. Fazíamos trabalho voluntário em prol do clube. Não houve má fé. Pode ter havido desvio de finalidade, mas sem maldade. Por isso, estou tranquilo. Foi prestado conta de tudo. Eu e o Sandro (Pallaoro, presidente à época) assinamos duas prestações de contas. Mais tarde, o dinheiro foi devolvido, mas o processo continuou. Fazer o que? São cavacos do ofício.

 

*CHAPECOENSE

A Associação Chapecoense de Futebol e demais dirigentes citados em matéria-informativo vinculados em órgãos de imprensa e redes sociais vem explicitar que exercerá seu direito de defesa quanto à alegação de ato de improbidade administrativa, supostamente cometido pelo repasse de valores advindos da administração pública, sobretudo por ter inexistido qualquer vantagem econômica dos mesmos ou prejuízos acusados ao erário público.


*PREFEITURA DE CHAPECÓ

Em princípio, não irá se manifestar

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