Produção de mel do Oeste cresce e se destaca em SC

No fim de maio, propriedades de três cidades entregaram 17 toneladas para a maior exportadora do produto do país. Pandemia elevou a procura e preço da matéria-prima

- Publicidade -
 

Qualidade da matéria-prima, volume de produção, organização dos apicultores e aprimoramento dos processos produtivos com cuidados redobrados no manejo, na higiene e no transporte. Esses são alguns dos fatores elencados pelo Sebrae/SC que têm atraído o interesse de empresas brasileiras pelo mel produzido na região oeste catarinense, com foco para comercialização no mercado interno e externo.


Entre os resultados dessa melhoria está a venda de 17 toneladas de mel para uma empresa paranaense, que é a maior exportadora do produto no país. Deste total, 11 toneladas foram produzidas na cidade de Nova Itaberaba e o restante de propriedades nas cidades de Paial e Cunha Porã, municípios que recebem atendimentos dos projetos do Sebrae/SC. Para efetivar a venda foi elaborada comissão com integrantes dos três municípios. O quilo do produto foi vendido por R$ 7, o que resultou em um montante de R$ 115 mil, tudo com nota de produtor rural e com pagamento à vista, sendo 50% antecipado e 50% efetuado na entrega.

 

 

Consultorias e o aprimoramento do processo produtivo


Um exemplo destacado pelo Sebrae de como a qualificação do setor contribuiu para a melhoria na produção do mel está na cidade de Nova Itaberaba, onde a Prefeitura investiu na qualificação do setor de apicultura desde março de 2017 com as consultorias tecnológicas do Sebraetec. Entre os resultados obtidos estão aprimoramento dos processos, ampliação da produtividade, associativismo e acesso a novos mercados.


O trabalho busca melhorar o processo produtivo e tornar a apicultura uma fonte de renda para as propriedades. Há anos a atividade é desenvolvida na cidade, mas até então apenas como complemento de renda às famílias.


As consultorias tecnológicas, segundo o prefeito de Nova Itaberaba, Marciano Mauro Pagliarini, auxiliaram no aumento da produtividade. “Com a inserção de práticas adequadas os apicultores obtiveram resultados e alguns já pretendem transformar a atividade como carro-chefe da propriedade. A contribuição para o movimento econômico do município ainda é pequena, contudo tende a crescer devido ao potencial apresentado”, analisa.

 

Salto na produtividade

 

O diagnóstico inicial do município apontou que os apicultores produziam em média 12 quilos de mel/caixa/ano, uma produtividade abaixo da média estadual que é de 25 quilos de mel/caixa/ano. Com a qualificação e o comprometimento dos apicultores os índices melhoraram consideravelmente, atingindo neste ano uma média de produção entre 25 a 28 quilos de mel/caixa ano.


“Esse é um aumento significativo, pois representa o dobro de produtividade média de caixa por ano. Isso foi possível porque os apicultores ouviram e aplicaram as orientações para adequações na propriedade. Podemos afirmar que o projeto serve de exemplo para os demais municípios”, comemora o consultor credenciado ao Sebrae/SC, Neuri Riboli.


Com o aumento no volume de produção surgiu a necessidade de estruturar a organização dos empresários a partir da Associação de Apicultores de Nova Itaberaba, que está em fase de formação. Pelo associativismo a intenção é consolidar a atividade no município, promover o desenvolvimento dos apicultores e buscar o acesso de novos mercados com venda unificada da matéria-prima.

 

11 toneladas vendidas em maio


A combinação desses fatores tornou possível concretizar a entrega de aproximadamente 11 toneladas de mel neste mês de maio para a empresa Supermel, de Maringá (PR) – a maior exportadora do produto no Brasil. No último fim de semana (23 e 24 de maio), ocorreu o carregamento de 38 tambores com 300 quilos de mel cada.


“Acreditamos que em breve faremos mais entregas deste porte, valorizando ainda mais a nossa produção e fazendo com que as propriedades recebam um dinheiro extra. Importante ressaltar que esse volume de mais de 11 toneladas corresponde a 50% da produção deste início de ano, pois o restante os apicultores comercializaram no mercado regional a partir da venda direta”, comemora o prefeito.


“O valor do mel apresentou crescimento nos últimos 20 dias, com incremento de 40% a 50% devido à pandemia, que elevou a procura pelo mel brasileiro. Um fator positivo, pois o setor enfrentava dificuldades há dois anos com valores que não reagiam no mercado. Espera-se que para a safra 2020/2021 o preço atinja de 60% a 70% de valorização. Os apicultores estão entusiasmados e pensam em investir cada vez mais para melhorar a qualidade e o número das colmeias”, pondera Riboli.  

 

Atividades Desenvolvidas


Riboli explica que atualmente o projeto abrange 15 apicultores, mas somente na cidade de Nova Itaberaba são 30 famílias trabalhando na atividade e também são beneficiadas de maneira indireta ao serem convidadas a participarem dos trabalhos coletivos”.


O processo começou identificando os gargalos e dificuldades na produção e apartir do levantamento foram elencadas as maiores deficiências e desenvolvidos projetos para cada uma das 15 propriedades participantes.


Entre os principais assuntos abordados até o momento estão o melhoramento da infraestrutura do apiário, padronização das colmeias (dos materiais, da troca de favos, da dimensão dos apiários), manejo na alimentação (que pode ser feita a cada 20 dias), sanidade apícola, melhoramento genético e revisão de inverno e de primavera.


Ainda entre as temáticas trabalhadas com os apicultores estão: flora apícola, as principais floradas e como complementar uma florada em período de escassez a exemplo dos meses de baixa temperatura.

 

Mercado

 

Santa Catarina coleciona cinco títulos como Estado produtor do melhor mel do mundo. São 10 mil famílias com 300 mil colmeias que garantem produção de 6.000 toneladas do alimento por ano. Todo esse volume abastece o mercado interno e grande parte é exportada, especialmente para os Estados Unidos e para a Alemanha, o que também coloca o Estado como maior exportador de mel do Brasil.    

 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Bons preços compensaram perdas da safra de verão em SC
BRDE abre inscrições para apoio a projetos por meio de incentivos fiscais
72% das exportações catarinenses foram do agronegócio
Índice de confiança do consumidor chapecoense aumenta 9,60% de junho para julho
Planos de telefonia móvel reduzem custos das empresas em até 80%
Bares e restaurantes: 5 dicas para organizar o estabelecimento na pandemia
Fapesc prorroga inscrições para programa de pré-incubação de ideias
Concórdia quer ser um dos principais destinos turísticos do interior catarinense
ExpoFemi, de Xanxerê, é transferida para maio de 2021
Como será a vida das empresas na pós-pandemia?