Professor surdo ensina libras em escola de Chapecó

Projeto ‘Mãos que Falam’ foi criado em 2016, após o professor de educação física enfrentar dificuldades para se comunicar com os alunos, pais e professores da escola

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Nadia Michaltchuk
nadia@diariodoiguacu.com.br

Um silêncio incomum e tomou conta das salas de aula do Centro de Educação Municipal (Ceim) Aquarela, no bairro Passo dos Fortes, em Chapecó, após a chegada do professor Rudinei Albani. Rudi, como é chamado por lá. Ele é surdo e começou a trabalhar como professor de educação física na escola em 2015. Por enfrentar dificuldades para se comunicar com os alunos, pais e professores, foi criado o projeto ‘Mãos que Falam’ para ensinar libras à comunidade escolar.  

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O projeto ocorre desde 2016 e foi elaborado por Rudi com a coordenação da escola. “No início foi muito difícil chegar aqui e não conseguir me comunicar com ninguém. As aulas de educação física também eram complicadas. Depois que nós começamos a desenvolver esse projeto a minha relação com toda a comunidade escolar melhorou muito”, relata o professor Rudi. 

Como funcionam as aulas 

Todas as turmas participam das aulas de libras semanalmente. Ao todo, são 420 crianças de 4 meses a 6 anos de idade, divididas em 20 turmas. O projeto ‘Mãos que Falam’ também inclui aulas de libras para os familiares das crianças. O curso para a família ocorre nas segundas-feiras à noite e é gratuito. Já para os outros professores, Rudi ensina libras em encontros quinzenais.

Para facilitar o processo, as aulas contam com a presença de uma intérprete de libras. Por incluir até mesmo bebês, a metodologia de ensino é lúdica. Durante as aulas, o professor utiliza figuras e objetos selecionados de acordo com a faixa etária do aluno. As aulas ensinam a comunicação básica, como o alfabeto, os alimentos e as cores. 

Desde que Rudi chegou na escola, a comunicação por lá nunca mais foi a mesma. A coordenadora pedagógica do Ceim Aquarela, Vanderleia Detoffol, comenta que os alunos adoram as aulas de libras e o professor Rudi. “Quando as crianças chegam, se o Rudi estiver no pátio, elas fazem questão de cumprimentar ele por meio dos sinais que aprenderam nas aulas”, conta. 

O pequeno João Paulo Costa, de 6 anos, já aprendeu a falar o seu nome em libras. “As aulas são muito legais e o professor Rudi também. Eu gosto de chegar em casa e contar pra minha mãe o que eu aprendi”, comenta. 

Por que ensinar libras para crianças ouvintes?

Além de gerar interação entre surdos e não-surdos, ensinar libras para crianças ouvintes melhora a coordenação motora e estimula as habilidades cognitivas do cérebro. Por ser uma linguagem visual, o ensino de libras também desenvolve a capacidade de atenção e expressão corporal. 

O professor Rudi destaca que outro benefício do ensino de libras para crianças ouvintes é a inclusão social de pessoas surdas. “É importante aprender libras na infância porque no futuro essas crianças terão contato com outras pessoas surdas e isso vai fazer com que essa relação seja mais simples para as duas partes”, enfatiza.  


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