Referências tecnológicas para desenvolver a piscicultura em Caxambu do Sul

Projeto de incentivo da prefeitura começou há três anos, e há seis meses conta com a ajuda do Sebrae/SC, que oferece consultoria tecnológica para auxiliar na inserção de novas espécies com melhores resultados econômicos

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Criar novas alternativas de renda aos piscicultores de Caxambu do Sul, e ampliar as oportunidades de negócios desse segmento. Com esse objetivo a prefeitura de Caxambu do Sul iniciou há três anos o projeto de fomento da piscicultura, que conta há seis meses com o auxílio do Programa de Consultoria Tecnológica do Sebrae (SebraeTec).

“Nossa intenção é tornar o município uma referência regional na área da piscicultura, por isso almejamos a formação de uma cadeia produtiva, com produção e industrialização dessa proteína no município”, ressalta o prefeito Glauber Burtet. Entre as ações de incentivo à atividade estão consultoria especializada, programa de horas máquinas, auxílio técnico e aquisição de alevinos.

Atualmente há 87 piscicultores no município, sendo que apenas 20 propriedades têm produção com escala comercial de Tilápia, o que corresponde a uma média de 100 mil quilos/ano por empresário rural, porém, produtores maiores já atingem 180 mil quilos/ano.

Avaliação positiva

Conforme o secretário municipal de agricultura e meio ambiente, Evanclei Farias, a atividade representou R$ 6 milhões do movimento econômico de Caxambu do Sul em 2019 e pode chegar até R$ 30 milhões anualmente com esse projeto de fomento e desenvolvimento da piscicultura. “A avaliação do trabalho do Sebrae/SC é muito positiva, pois temos uma boa capacidade de produção e podemos otimizar os viveiros e ampliar a renda das famílias”, comentou.

Projeto Pioneiro

O projeto compreende as seguintes etapas: orientações técnicas e acompanhamento para inserção de uma nova espécie, estudo de mercado e desossa do peixe. O Pacu do Rio Prata foi escolhido por ter uma carne saborosa, rendimento de carcaça maior, tolerar baixas temperaturas (até 6º), ter fisiologia que se adapta a situações com baixo oxigênio e o manejo não requer baixar a água do viveiro, com fácil captura dos peixes.

“Essa é uma grande oportunidade para os produtores da região, pois essa espécie é voltada a alta culinária, com preços significativos que contribuirá para agregar valor à atividade”, analisa o consultor credenciado ao Sebrae/SC e zootecnista Manuel Braz. Outra vantagem competitiva dessa espécie é o crescimento ou ganho de peso rápido, pois no comparativo de um ano no viveiro a Tilápia atinge de 1kg a 1,5kg enquanto que o Pacu chega a pesar de 2 kg a 2,5kg.

O empresário rural Carlos Merísio é o pioneiro na inserção dessa nova espécie no município e na última semana recebeu 1.500 alevinos de Pacu, adquiridos do Instituto Goio-En. Sua propriedade tem 48 hectares e sua atividade principal é o plantio de grãos (milho e soja). Há dois anos Merísio ingressou na piscicultura, com a produção de Tilápia, e tem como meta comercializar 20 mil quilos por ano.

O ingresso do Pacu, segundo o empresário rural, está voltado a agregar renda à família. “Anos atrás criei essa espécie, mas era apenas para a família e minha intenção agora é procurar comércio. As orientações dos consultores credenciados ao Sebrae/SC têm sido produtivas e têm ampliado nosso conhecimento”, relatou Merísio.

O projeto de fomento a piscicultura proporciona a introdução de novas tecnologias para reduzir os custos de produção utilizando a Lemna (planta aquática), que também pode ser utilizada para alimentação de outros animais. “Um hectare de Lemna, por exemplo, pode alimentar 20 vacas leiteiras”, argumentou Braz. Os piscicultores do projeto também receberam quatro mudas de espinafre d’água que pode ser utilizado para consumo humano (como salada ou refogado) ou plantado na beirada do açude para limpar a água para os peixes. Nos próximos meses também será entregue mudas de moringa oleífera, as sementes desta planta devem ser trituradas e jogadas no viveiro e, com isso, a sujeira flocula e há melhora na qualidade da água.

Nesta semana o diretor técnico do Sebrae/SC Luc Pinheiro e o gerente de atendimento empresarial do Sebrae/SC Douglas Tres, acompanhados do gerente regional oeste do Sebrae/SC Enio Albérto Parmeggiani conheceram in loco as inovações propostas pelo projeto. As lideranças do Sebrae/SC também visitaram a propriedade do pisciculturor Sidney Bellei, que atua na atividade há dez anos. Em seus viveiros é realizada a produção misturada de Tilápia com Pacu. Outro diferencial foi conferido na propriedade de Orelho Miranda, onde são utilizados fermentados de bactérias para limpar a água, uma novidade para Santa Catarina.

Instituto Goio-En

O Instituto Goio-En, mantido pela Fundeste, promove ações de apoio ao desenvolvimento das regiões, em áreas relacionadas ao estudo dos peixes e da educação ambiental. Com apoio de parceiros - a exemplo do Projeto de Preservação dos Peixes Migradores do Rio Uruguai (Piraqué) - realiza a reprodução de oito espécies nativas que são disponibilizadas para repovoamento de rios, desenvolvimento de pesquisas e cultivo comercial. As espécies são: Dourado, Curimbatá, Jundiá, Pintado Amarelo, Bocudo, Pintado ou Surubim, Piava e Piracanjuba.

Segundo o técnico de campo Sidiclei Lucas Grando neste ano já foram soltos 10 mil alevinos de Curimbatá, 150 de Piracanjuba e 200 de Piava. “Os produtores interessados em adquirir alevinos devem entrar em contato com o Instituto, pois nesse ano iniciamos a reprodução do Pacu e para o próximo será da Carpa”, explicou.



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