Sai Marquinhos, chega Hemerson: reformulação do time da Chape começa pelo comando

Rebaixamento provocará diminuição drástica no orçamento

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A Chapecoense vive um período de transição no comando técnico da equipe profissional. Marquinhos Santos se despediu do clube após a vitória por 3 a 0 sobre o CSA (AL), na última quarta-feira (4), em casa, na 37ª rodada da Série A do futebol brasileiro. Ele se emocionou na coletiva ao falar de sua passagem pela Arena Condá e retornará ao Juventude (RS), com quem tem acordo para a temporada de 2020.

Já era esperada a saída de Marquinhos. Ele deixou Caxias do Sul, depois de conquistar o acesso à Série B, para assumir o Verdão, mediante a condição de retornar ao final do Brasileirão. Para manter o treinador, a agremiação do Oeste catarinense seria obrigada a pagar uma multa rescisória de R$ 1 milhão. Na entrevista pós-partida, Marquinhos revelou que alguns empresários estavam dispostos a bancar a rescisão, mas ressaltou que havia dado a palavra aos dirigentes do time da Serra gaúcha, para onde voltará.

O técnico de 40 anos ficaria até a última partida, que será neste domingo, contra o Vasco, às 16h, no estádio Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ). Porém, pediu aos dirigentes para antecipar a despedida. A resposta foi positiva. “Foram quase 90 dias de muita entrega e muito aprendizado. Foi o clube de momento mais turbulento que eu peguei. Jamais fiquei tanto tempo longe da minha família, isso pela causa ‘Chapecoense’. Só tenho a agradecer. Tenho certeza que um dia voltarei”, disse.

“Foi algo incrível, é difícil isso. A gente teve dedicação muito grande, empenho demais. A gente via a torcida no intervalo, nas derrotas, saindo triste, chateada, mas em momento algum fui hostilizado, criticado, xingado pelo torcedor, chamado de burro em alguma troca. Toda a vez que eu pedi a colaboração do torcedor, ele comprou a ideia. Então, quero agradecer à diretoria, à torcida, aos companheiros de profissão, porque foram dias difíceis”, acrescentou o treinador, com voz embargada e olhos marejados.

Melhor aproveitamento

Marquinhos Santos regressa ao Rio Grande do Sul com o melhor aproveitamento entre os treinadores que passaram pelo time de Chapecó no Brasileirão 2019. Em 18 jogos, todos pelo returno, foram quatro vitórias, cinco empates e nove derrotas, o que correspondem a 31,5% dos pontos disputados.

A Chapecoense está em 19º lugar na competição, mas no segundo turno tem a 16ª campanha, ou seja, fora do Z4 na tabela da metade final do certame. Ney Franco, em 11 partidas, teve percentual de 24,2%, enquanto Emerson Cris, 25%, em oito confrontos. O aproveitamento geral da equipe é no Brasileirão é de 27,9%.


Quarto time catarinense de Hemerson Maria

Minutos antes de Marquinhos Santos anunciar, em entrevista coletiva, que não treinaria mais a Chapecoense, o clube comunicou, por meio das redes sociais, a contratação do técnico Hemerson Maria para a temporada de 2020. O acerto estava alinhado desde a semana passada e foi sacramentado na quarta pela manhã, em reunião do treinador com os dirigentes, em Chapecó.

O presidente Paulo Magro disse, após o anúncio oficial, que Hemerson Maria se encaixa ao perfil traçado pela diretoria verde-branca. “Começou a carreira na base, tem personalidade forte, tem objetivos, gosta de fazer times aguerridos, como é a cara da Chapecoense, e é muito trabalhador. Quero fazer um agradecimento especial ao Marquinhos Santos, que aceitou o convite em um momento complicado da Chapecoense. Talvez, se tivesse chegado um pouco antes, a nossa história seria diferente”, comentou.

Aos 47 anos, Hemerson Maria foi campeão catarinense pelo Avaí, em 2012, e da Série B nacional pelo Joinville, em 2014. Em 2019, treinou o Figueirense em 34 partidas, entregando o cargo no mês de julho com 55% de aproveitamento, devido aos problemas administrativos e financeiros da agremiação. Foi a primeira vez na carreira como técnico de times profissionais em que ele pediu demissão. Na sequência do ano, dirigiu o Botafogo-SP na Série B, terminando em nono lugar.

Hemerson Maria estreará na casamata pelo Verdão somente em 22 de janeiro, quando inicia a Série A do futebol catarinense, ou em algum amistoso de preparação. Diante do Vasco, a Chape será comandada pelo auxiliar permanente do clube, Emerson Cris, e o assistente de Marquinhos Santos, Edson Borges.


Mudanças no grupo

O rebaixamento também significa queda de receita para a Chapecoense. A direção não confirma oficialmente, mas a folha de pagamento, somando comissão técnico e grupo de jogadores, deve ficar em R$ 800 mil mensais em 2020. No momento, os vencimentos são de R$ 3,1 milhões. Em princípio, nenhum atleta com contrato encerrando permanecerá.

A diretoria também avalia a situação daqueles que têm vínculo para o próximo ano e dos que estavam emprestados. Alguns devem sair, por empréstimo ou, se houver acordo financeiro, em definitivo, devido ao salário incompatível com a nova realidade do Verdão. Cerca de 200 nomes estão no banco de dados do departamento de futebol para a montagem do novo elenco.

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